quarta-feira, 24 de julho de 2013

Descrevendo sentimentos...

Buenas! 
Depois de anos de abandono, redescubro esse velho departamento pessoal que por muito tempo me sustentara e me era motivo de grandes alegrias e embates pessoais.

Em busca de um objetivo que norteasse essa postagem de ressureição, resolvi abordar a temática que fez parte do meu cotidiano ultimamente e que é muito interessante ao ponto de vista de quem pretende executá-la, a bendita "Produção" e o seu "Way-To-Do", não como um manual prático, mas como um manual de ideais.

Em um mundo cada vez mais singular e porque não dizer voraz, hoje temos de nos habilitar a ser "auto-suficientes" para não morrer de fome perante um sistema capitalista-sujo-monopolista-injusto que tem desperdiçado muitos talentos em prol do enriquecimento alheio e da ganância de certos. O que fazer então? Produzir! Essa é a palavra, mas como produzir? Por onde começar?
É fato que não existe uma fórmula própria, existem caminhos básicos, mas o que difere uma produção de outra é justamente o seu modo de fazer acontecer, de desenvolver o determinado trabalho com a sua identidade impressa nele. O básico é a execução de todo plano, o qual não é de meu interesse ensinar ou debater aqui, não me considero professor de nada, só mais uma pessoa normal tentando discutir um pensamento além disso.
Quando se propõe fazer algo, por mais simples que seja, se idealiza algo e se inicia com o propósito do sucesso. Somos seres otimistas - tirando os depressivos, claro - vislumbramos o melhor e nunca contamos com os imprevistos de percurso, que só depois aprendemos que são o material mais precioso que o destino nos oferece, pois pedem uma alternativa rápida e rica de conteúdo, pois não foi originalmente pensada e se não for bem elaborada fica claro que sua posição não foi determinada no processo criativo primário.

Porém como sair da idealização e partir para o concreto? É daí que entendo o surgimento de tantas companhias e grupos, pessoas que tem um propósito e decidem dar as mãos para executá-lo. É triste dizer, mas vivemos em um país onde a ambição e o egoísmo prevalecem, onde um governo que devia originalmente apoiar a cultura se aproveita das brechas na lei para lucrar com a mesma, ao invés de apoiá-la ele a oprime por meio de facilitações a empresas e produtoras que não fazem por valer a oportunidade de um patrocínio, que deveriam levar a cultura ao povo e incentivar os grupos criativos dos mais diversos meios, mas que só enchem o bolso e superfaturam encima de suas fórmulas - cópias prontas americanizadas e padronizadas - não beneficiando ninguém a não ser eles mesmos e a classe média e alta, que são os únicos que podem assistir aos seus espetáculos, porque aos preços praticados pelos mesmos a classe baixa – a qual é o objetivo primário e principal dessas benditas leis – vai continuar sem saber ao mínimo o que é teatro e grandes produções. Enfim, voltemos ao principal: Entre previstos e imprevistos, de mãos dadas executamos o que propomos, saímos do ideal e fomos ao concreto, criamos o filho com o maior carinho e cuidado, avaliamos seu desenvolvimento, suas falhas, seu trajeto e sua perspectiva no possível mercado. Será hora de então estreá-lo? 
Não! É hora de repensá-lo, é hora de medir o quanto de coração está envolvido nisso. Como disse acima, o que diferencia uma produção é o seu modo de executá-la, e nesse quesito, o diferencial que falo é o coração, é o quanto envolvido você está a ponto de virar dias e noites em prol de uma boa execução ou de uma saída que não seja simples e de fácil execução. É de quanto suor e sangue você dá para que o que você vá apresentar não seja mais um trabalho, mas sim “o trabalho”, é o quanto de economia de coisas que lhe fazem bem você está disposto a fazer para que seu figurino, seu cenário, seu espetáculo seja impecável. Hoje em dia é difícil falar de sacrifícios, as pessoas estão cada vez mais dispostas a pensar em sua vaidade antes da sua doação, qualquer coisa que seja mais dura do que um simples compartilhar ou curtir já abate uma dúvida sobre valer a pena ou não fazer.

Então se depois disso você continua com o objetivo claro, com a mesma força e vontade de produzir seu sonho, seu filme, seu stand-up, seu espetáculo, então você pode se considerar um sortudo, pois mais de metade das pessoas que conheço ou parou pelo caminho ou optou pelo caminho mais fácil, e quem continuou firme com seus propósitos hoje tenho a alegria de falar que são pessoas extraordinárias, que fazem diferença no mercado e que na sua maioria estão estabilizadas - não ricos - pois quando finalizam um “projeto-sonho” já estão dispostas a começar outro. Vivem disso, pagam suas contas e são felizes fazendo isso, o que é sem dúvidas, a maior recompensa.

Dedico esse post ressureição a todos envolvidos no meu mais recente projeto, “Chapeuzinho Vermelho Como Você Nunca Viu! – O Musical”, o qual tem preenchido meus dias com alegria e orgulho, que tem a cada dia me mostrado que vale a pena lutar pelos nossos sonhos e ouvir o coração acima de qualquer outra coisa.

Que venham mais e mais posts, que esse tempo suspenso no espaço tenha acabado e que o blog volte a ser como era antigamente, um referencial de boas idéias e propósitos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Judy Garland - O Fim do Arco Íris

 Tive o prazer de assistir a última apresentação de Judy Garland aqui no Rio. A qual comento agora com vocês.


Judy Garland não é uma biografia narrativa como tantas outras, não tem a obrigação de ser didática muito menos educada com o espectador, é uma peça que simplesmente lhe convida para um passeio nos últimos dias de Judy Garland, considerada por muitos uma das maiores estrelas cantoras da "Era de Ouro" de Hollywood.
Com uma produção proporcional a estrela que protagoniza, Charles Moeller e Claudio Botelho acertaram mais uma vez, o espetáculo foi o segundo com mais indicações ao Prêmio Shell de Teatro. Tudo em Judy Garland funciona em perfeita sintonia, atores, luz, som, cenário, músicas... É um espetáculo de fato!
 Sem grandes dramas introdutivos ou qualquer estrutura clichê de musical com aquela primeira musica inicial, seguido de cena/música, cena/música, aqui temos um bom drama, aonde os momentos musicais são reduzidos em número, mas grandes em qualidade. Podemos ver de fato uma PEÇA, o que tem sido raro ultimamente, espetáculos musicais tendem a pender mais para a vertente "show espetacular" e esquecer a parte "teatro", fato esse que Moeller e Botelho tem salvo muito bem, vide "O Despertar da Primavera".
 Claudia Netto brilha como Judy, ela é uma atriz de qualidade gigantesca, tanto dramática como vocal, e nos emociona a cada entrada inusitada de Judy em seus mais ambíguos estados psicológicos. Com parceiros de tamanha grandeza - Igor Rickli e Francisco Cuoco - temos a mais franca e intensa trocação em cena, nada de exageros ou momentos desiguais, cada um completa o outro e o resultado é claro nos olhos dos espectadores, não há quem desgrude o foco da cena um minuto sequer.
 Cuoco, que já vem rotulado por seus trabalhos televisivos mostra uma vertente totalmente contrária e maravilhosa de seu trabalho, sendo um coadjuvante, substituto, generoso, artista! Anthony - seu personagem - emociona, diverte e narra quase que diretamente o desfecho da protagonista com todo carinho que se pode ter ao assunto. Ele cativa tanto Judy como o público, virando o confidente de ambos.
 Rickli também é gigante, contraponto de Judy e Anthony, cabe a ele ser a mão que bate e que ajuda, dando a continuidade a história e garantindo seu brilho ao lado dessas duas feras. Seu trabalho é cuidadoso, intenso, ele e Cuoco excitam a platéia em cada discussão, e isso é bom! O que precisamos é disso, trocas, seja em cena como com o público, ponto mais que merecido para os três.
 Com um cenário maravilhoso, cuidadoso aos detalhes, forte e impactante, temos a parte "espetáculo", o último show de Judy, o "The Talk Of The Town" surge repentinamente em cena e sua grandeza e sutileza encantam, é possível se sentir dentro dos palcos e shows antigos e delirar com as incríveis musicas que Judy nos apresenta.
 Vendo um contexto geral, o que parece é que esse espetáculo foi feito com todo carinho possível aos detalhes, como se fosse um presente. Talvez um sonho antigo do diretor ou um meio de se mostrar que no Brasil também podemos criar obras primas, mas o que não pode se deixar de perceber é isso, os detalhes, os detalhes de cada ator, de cada objeto de cena, de cada acorde tocado, Judy Garland ganha o público por ser poético, delicado mas avassalador. Tal como o furacão que leva Dorothy a um mundo que ela nunca ouviu falar, Judy nos leva a um outro patamar de observação, sentir e emocionar.

sábado, 24 de setembro de 2011

Cachorro

Cachorro, eu me lembro quando encontramos você.
Você era feio, doente, magrelo e fedorento.
Por que eu não poderia ter um filhote ao invés deste bicho velho?
No caminho de casa você ficou tão enjoado e assustado que se cagou todo e vomitou em mim ao mesmo tempo.
Você tinha um nome bem idiota também, algum filho da puta colocou o seu nome de "sari" devido ao nome de um vestido.
Você deveria ser chamado por algum nome foda. Tipo Armstrong Dichsmasher, mas você não respondia quando eu te chamava assim.
Eu não gostava muito de você.
Tipo, você nem sabia latir...
Qual tipo de cachorro não sabe latir?
Você era mudo ou apenas um cachorro estúpido?
Lembra aquela vez que você achou um gato morto e começou a rolar em cima dele? Que porra foi aquela? Por que você fez isso? Você fedeu tanto que não consegui comer por uma semana!
E quantas vees eu tive que falar para não beber a água da piscina? Além de não fazer bem para você.... Toda vez que você tentava, escorregava e caía... Você até parecia gostar, salvo o detalhe que você não sabia nadar.
Por que não me ouvia?
Quando mudamos para um apartamento, nossos primos tomaram conta de você.
Eu fui te visitar... Algumas vezes...
Só que não era... Uma prioridade.
É que eu comecei a ficar ocupado. Eu cresci e tal.
Não era como se você fosse fugir para algum lugar muito distante. Eu iria voltar de vez em quanto para te ver.
Não era como... Se você fosse sentir a minha falta.
Tipo assim cara... Você era só um cachorro... E não era como se eu não soubesse como você era.
Eles me contaram como você saia e ficava fora o dia todo... E só voltava tarde da noite.
Eu falei que parecia a minha irmã.
Eles também me contaram que você aprendeu a latir... E eu falei que você talvez não fosse tão burro!
E eles me contaram que você ficou super gordo... E lento... E preguiçoso...
E eu falei que parecia com a minh...
E eles me contaram... Que você morreu na semana passada.
.
..
...
... ...
Eu me lembro de levar você para passear pela primeira vez...
Você cagou no meio da rua.
E quando eu estava prestes a gritar com você... Um carro passa tirando aquela fina e nos fazendo correr como loucos.
Se essa era uma estratégia elaborada para me fazer gostar de você... Funcionou.
Eu me lembro que você ia se encontrar comigo no ponto de ônibus depois da escola... E nós sempre pegávamos o caminho mais longo para casa... O que nos fazia chegar sempre atrasados para o jantar.
Eu me lembro de contar para você todos os problemas que um garoto de 9 anos pode ter na vida...
Como o quanto eu fiquei nervoso no primeiro dia de aula e mijei nas calças... E ninguém descobriu porque passei o recreio inteiro limpando a minha roupa...
Você era o único que sabia disso.
Porque apesar de você ser um perdedor colossal... Você me amava ainda assim.
Apesar das minhas inseguranças, e decisões estúpidas pra caralho, você nunca me julgou. Só por isso eu te contei tudo isso...
Te contei como eu e meus amigos prometemos uns aos outros que jamais iriamos beber ou usar drogas...
Como eu sempre era o último a ser escolhido na educação física porque era gordo, lento e o novato inútil...
Como minha paixão da escola primária me deu o e-mail dela quando se mudou, e escreveu para mim e que por alguma razão estúpida eu nunca respondi...
E enquanto eu crescia e as histórias mudavam o cenário, você ainda sentava e escutava cada palavra...
Como aquele garotinho certinho e seus amigos foram expulsos da escola por fumarem maconha...
Como aquele menino lerdo e gordo entrou para o time do colégio e derrubou o cara mais rápido do time...
Como aquele muleque anti-social e tímido destruiu um namoro por se tornar aquele cara... O cara que uma garota usou para trair... O amigo traiçoeiro que só demonstrou arrependimento depois que ela terminou o affair...
.
..
...
Por que você tinha que ir embora, cachorro?
Eu ainda tinha tanto para te contar.
Você sabia que eu larguei as drogas de vez? Também aprendi a transformar pensamentos negativos em "arte".
E eu encontrei meu primeiro amor nessa garota... E nós prometemos os nossos corações um ao outro para sempre e sempre...
Cachorro, eu descobri uma coisa...
As poucas vezes em que eu fui te visitar... Parecia que você estava muito brabo comigo.
"Caralho cara! Por onde você se enfiou?".... Mal passava um minuto e você já não ligava mais, seus olhos pareciam brilhar...
Apesar da minha ausência seu coração permaneceu fiel... Você nunca me esqueceu... Eu te esqueci.
Por que eu sempre tenho que fazer tudo errado?
Por que eu sou tão distraído?
E por que eu só comecei a sentir a sua falta depois que percebi que eu não vou te ver nunca mais?

domingo, 7 de agosto de 2011

Porquinhos, o musical!

Nessa minha nova temporada aqui no Rio de Janeiro tive a oportunidade de assistir a peças de colegas meus as quais estarei comentando aqui no blog.
A dessa semana foi "Porquinhos, o musical!", um musical infantil totalmente diferente dos padrões que estamos acostumados a ver nesse gênero.
Buscando quebrar com a linguagem infantilóide e com a obviedade das histórias infantís, Porquinhos conta a história dos 3 porquinhos de um modo totalmente novo, uma estética nova, adaptada a realidade das crianças de hoje e incrivelmente boa.
A diferença começa logo cedo quando nos é apresentado um narrador que a longo da peça tem vários apartes onde mistura a história e distorce acontecimentos óbvios, nos apresentando uma versão "Black" dos três porquinhos. Essa versão black conta com três tipos interessantes de hoje em dia, a preguiçosa, a bipolar e o nerd, uma mistura que garante muitas risadas. Uma coisa muito boa de se ver nesse texto é a adaptação para as atualidades, coisa que até então só tinha visto em "Avenida Q", piadas atuais usando um "você, você quer" ou uma entrada em cena ao som de Beyonce, sim as crianças conhecem e ouvem isso toda hora, não são excepcionais que vivem no mundo da Disney, já era hora de utilizar isso e deixar de ser didáticos em infantís.
Isso tudo junto a uma excelente capacidade vocal e boas músicas fazem valer muito a pena o espetáculo, com uma qualidade cenográfica e de figurino muito acima da média para infantís, é um espetáculo mais que merecido as crianças e jovens, um espetáculo inteligente!
Em cartaz no Teatro Vanucci no Shopping da Gávea aos sábados e domingos.
Elenco: Evelyn Castro, Rai Valadão, Rodrigo Fernando, Érika Thomas , Rayssa Bentes e André Lemos

domingo, 20 de março de 2011

Eu queria...

 Eu queria ser diferente, ser "normal" como todo mundo, não ter ambições que envolvessem os outros a minha volta, pensar unicamente no meu ser e no meu conforto, queria estar contente com uma vidinha mais ou menos que mal desse para pagar as contas e me deixasse na minha zona de conforto até o fim da vida, eu queria ser mais "normal".
 Juro que queria olhar para as coisas como se elas não me afetassem, queria olhar a miséria alheia e não sentir o que sinto, olhar para aquela pessoa mal vestida, passando frio, fome e simplesmente falar: "é um viciado vagabundo", e não pensar no que o levou para aquela situação, o quanto sofria toda noite enquanto eu dormia no meu conforto todo,  gostaria muito de não ser afetado por todos fatores externos que me afetam, ser muito mais indiferente com o mundo e assim viver minha vidinha medíocre na boa.
 Queria ter a segurança que hoje em dia 90% das pessoas tem, acreditar que sou o melhor no que faço e que nem uma palavra superior a minha poderia me convencer do contrário, acho isso digno, é de uma prepotência tamanha que me faz até duvidar que a pessoa tenha algum medo ou problema, mas infelizmente não sou assim.
Queria conseguir olhar dentro do olho da maioria das pessoas e acreditar na essência delas, acreditar que mesmo dentro daquela casca de vaidades existe um ser fantástico que se importa com os outros e quer lhes fazer o bem, que aquela casca é temporária, que ele não vai mais usar as pessoas para suprir suas vaidades e inseguranças.
 Eu queria que as pessoas voltassem a ser autênticas, que não abrissem mão do que pensam e não vendessem seus sonhos e suas vidas por favores, status e outras tantas coisas artificiais. Gostaria que as pessoas falassem o que realmente pensam de boca cheia e que cada vez que mentissem elas sentissem uma parte de si se perdendo, assim se dariam conta de que isso não vale de nada.
 Queria que o ser humano voltasse a ter seu valor não pelo que possui, mas pela sua capacidade, que o destino de um homem estivesse totalmente na sua mão, que fatores sociais fossem secundários.
 Eu queria que o mundo acabasse, acabasse em um grande clarão, que todos pudéssemos estar perto de quem amamos e que o último momento fosse limpo de qualquer maldade e interesse, seria um único momento que vale mais do que meus últimos 10 anos de vida.
 Eu queria muitas outras coisas, queria continuar nesse sonho por muito mais tempo... Eu queria não ter de voltar a realidade...

Como VOCÊ agiria?

Hoje um amigo me passou um vídeo que instantaneamente me emocionou! Me emocionou pelo fato de me colocar no real lugar onde deveria estar, onde todos nós deveriamos estar mas fugimos por estar ocupados demais envaidecendo nossos próprios problemas e os superestimando.
 Todo dia nos deparamos com vários problemas do cotidiano que por muitas vezes nos deprimem e nos diminuem., cada vez que abaixamos a cabeça parecem existir mais! Mas por um momento eu lhes peço, voltem a analisar esses problemas após assistirem esse vídeo e ouvir essa música.
 Agora eu volto a lhes perguntar, realmente seus problemas são tão grandes assim? Eu me sinto até envergonhado quando paro e olho para dentro de mim, uma pessoa provida de uma saúde 100% ok, com força suficiente para concretizar o que sonho e de repente abalado por algum pequeno desvio do cotidiano. E se esse cara fosse como eu? Façam essa pergunta a si mesmos, vocês teriam tamanha força e amor para agir como ele agiu? Eu sinceramente não sei, pois graças a Deus nunca passei por nada parecido, mas sinto cada vez que ouço essa música que poderia fazer muito mais... E espero fazer, cada vez que desanimar quero olhar para esse vídeo, para esse cara e pedir 10% dessa força que o move.
 Isso não é um sermão, é um apelo, um apelo para que nós deixemos de ser dramáticos e agradeçamos a vida que temos e lutemos não só por nós mas sim pelos outros também, em um mundo cada vez mais singular e sem valores, precisamos injetar ânimo e amor para que histórias como essa se repitam, para que as pessoas vivam não só pela sua felicidade mas também pela dos outros, sei que isso é bastante utópico, mas nesse mundo apocalíptico que estamos vivendo  um pouco de sonho e amor cai bem...
 Sei que ultimamente tenho fugido do foco do blog, talvez seja pelo simples fato de que cumprir uma agenda regular me agonia, sinto que o que preciso escrever agora não é sobre teatro, para compreender bem o teatro precisamos sentí-lo e para sentí-lo precisamos estar minimamente abertos a isso, e é o que quero tentar fazer, pois nosso cotidiano fabrica pessoas cada vez mais insensíveis e fechadas, fica aqui meu apelo...

Anywhere you are, I am near
Anywhere you go, I'll be there
And I'm gonna be here forever more
Every single promise I keep
Cuz what kind of guy would I be
If I was to leave when you need me most

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ufa!!!

 E aí povo, como estão? Sim, eu estou bem, bem sumido!
 Mas tenho mais um ótimo motivo, logo finalizo mais uma etapa importante da minha carreira e da minha vida, a qual vim aqui dividir com todos. 
 Faz exatamente um mês que vim para o Rio de Janeiro, para trabalhar em Lara com Z, um seriado da Rede Globo
 Durante esse período aqui aprendi coisas magníficas, fiz parte do grupo de teatro da Lara Romero (Susana Vieira) e ensaiei muito! Tive a sorte de ter um mestre fantástico nas artes marciais (Dani Hu) que conduziu nosso grupo no treinamento dos soldados de Macbeth, e que dentro do que treinamos acrescentei novas técnicas que agora levo junto na carreira.
 Rompi com meu compromisso de postar mais frequentemente, mas quanto mais me esforço para tentar revolucionar mais vejo o quão desinteressante eu pareço ser,  não interessa as pessoas hoje em dia refletir, elas já são magnificamente perfeitas, então para que isso né?! Eu como um bom ignorante que sou continuo lendo e escrevendo, mas não aqui, nem tudo que escrevo agora vem parar aqui, estou aprendendo que meus livros tem mais a me ensinar sobre o que me interessa e que o tempo gasto com eles é mais proveitoso do que conscientizar esse mundo de futilidades.
 Mas voltando a esse período bom que vivi aqui no Rio, amanhã acabo essa fase, a minha participação como soldado de Macbeth encerra-se com muita alegria, carrego novos atributos como artista, novas vivências com o que pretendo ser (diretor) e com uma sensação de missão cumprida, e uma missão-chave cumprida! 
 Agora vou conseguir comprar a câmera que tanto sonho e vou poder fazer meu humilde cinema, começando pequeno mas com ânsia de um dia ser gigante, e isso marca minha carreira, é como um segundo passo firme, do qual sabe-se que mesmo que o mundo desabe no sentido contrário, seja onde eu estiver e como estiver, esse passo não sairá do lugar e me manterá firme.
 Estou feliz, queria dividir essa novidade com todos, pois a mesma não me deixa dormir, e quando se está em um quarto de hotel solitário e sem amigos se tem que conversar, seja como for! Hahaha...
 Uma semana maravilhosa a todos, assim que tiver a câmera em mãos vou fazer uns testes e mando para assistirem...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um brinde a realidade e a filosofia...

 Lendo sobre Einstein, Aristóteles, Descartes, Voltaire e Rousseau, uma vontade enorme de escrever tomou conta de mim. Afinal, o que teriam de tão diferente esses homens, que viam claramente o futuro e o que ele iria se tornar, o que os fazia se tornar visionários de um mundo caótico o qual preveram com tamanha excelência e acerto?

 O que pensava Voltaire quando escrevia "O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado", ou Einstein quando disse "Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade"? Qual mundo Rousseau citava quando falou "Quanto mais do mundo vi, menos pude moldar-me à sua maneira" ou Descartes que havia dito que "Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra"? Seria o mundo onde "Todos os trabalhos pagos absorvem e degradam o espírito" de que falava Aristóteles?

 Acredito que quando o homem alcança um nível intelectual elevado, ele para e olha para dentro de si e reflete sobre toda sua história a ponto de arrepender-se de parte dela. Parece que a introspecção vem como item obrigatório do opcional "intelecto elevado", seguido dos também obrigatórios "crise pessoal", "depressão" e "inconformidade" com a realidade. O que esses homens perceberam que os deu tamanho conhecimento do mais profundo do ser humano a ponto de acertar em todas suas constatações sendo que viviam há muito tempo atrás?

 A filosofia - do grego Φιλοσοφία, literalmente amor à sabedoria - procura estudar todos problemas relacionados ao homem. Todos esses eram filósofos, com exceção de Einstein, e tinham um intelecto superior a grande massa, isso tudo é concordante e concreto. Sendo assim, seria a filosofia usada por um bom e inteligente filósofo um "manual de instruções" do homem?

 Quanto mais vejo as constatações de todos esses, mais me impressiono com o acerto e a atemporalidade que elas tem, o que torna o ser humano "óbvio". Seria então o ser humano, que todos dizem "incapaz de prever" ser tão previsível?! E se for, o que nos faz hoje em dia, centenas de anos depois não conseguir prevê-lo? Será que o nosso hoje em dia tão avançado e tão ambicioso tem nos feito cada vez mais cegos as realidades humanas, aos sentidos, as coisas intelectualmente previsíveis?!
 Nosso hoje em dia está se tornando, numa progressão incontida, uma virtualidade cada vez maior, seria talvez esse o fator que nos põe incapazes de prever o ser humano atual? Cada vez mais temos processos educacionais e formadores de consciência que fazem o indivíduo repetir e repetir informações, onde o resultado final é mais importante do que o processo para chegar ao mesmo, seria talvez o virtual, onde tudo se pode, o escape ou o real resultado disso? Segundo Voltaire "O homem nasceu livre e por toda parte vive acorrentado", há algo mais claro do que isso hoje em dia? Quantas pessoas vivem dependentes, viciadas, alienadas de tudo por não aguentarem a realidade, e quantas cada vez mais entram nesse círculo de correntes, ficando mais e mais presas a diversas dependências cotidianas e comportamentais.
 E Einstein? Será que ele previu o "facebook", as "redes sociais"? Sua frase "Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade" parece endereçada aos dias de hoje, onde vemos quase toda população viciada e dependente das tais redes sociais, onde o contato real cada vez fica menor e o virtual ocupa um espaço quase que obrigatório na vida das pessoas, acabando com todo o tempo que o homem tinha para pensar, refletir e questionar, hoje o que o homem quer são "respostas prontas".

 Onde estariam nossos Rosseau's que desacreditam da razão e escreveram os "Fundamentos da desigualdade entre o homem"? Onde estão as pessoas que falam "Quanto mais do mundo vi, menos pude moldar-me à sua maneira"?

 A frase de Descartes hoje em dia é uma alusão a ignorância do homem, que acredita ter a razão, mas somente acredita, fazendo-o um mentiroso para si mesmo, o que torna o homem mais fraco, fato que não precisa de muita análise para ser comprovado, é fácilmente constatado pela tamanha futilidade que nos cerca e pelo imenso jogo de interesses que virou a vida atual, o homem virou um ser imensamente inseguro por dentro e com uma protuberante casca de guerreiro por fora, a qual tão frágil quanto um cristal.

 Aristóteles teve razão, o que ele falou aconteceu exatamente como dito, o trabalho pago não só absorveu o espírito do homem como degradou o mundo, fazendo-o um poço de individualismo onde a compaixão é um sentimento estranho e a bondade já não reina há tempos.

 Tenho medo dos dias de hoje, se há tanto tempo atrás podia-se prever o homem, e ele já não tinha uma previsão favorável, talvez hoje a falta de previsão indique que o pior esperado possa ter já superado esse limite, o que não dá boas chances ao "homem moderno". Não consigo ver uma resistência ao sistema ou uma mudança positiva na nossa realidade, parece que cultuamos o passado e muitas de suas maravilhas como se fossem intocáveis ou incapazes de ser vividas novamente, mesmo no campo emocional do ser humano. Vivemos em um caos do qual preferimos nos tornar parte dele à resistir e lutar contra, como se não valesse a pena lutar pelo que se acredita, e entregar-se a ridicularidade dos dias de hoje fosse interessante. A progressão com que as pessoas vem se contentando com o pouco e cultuando-o como muito cada vez é maior, como se ouvir Mozart fosse um sacrifício, mas ouvir Restart fosse um prazer. Nossos ídolos parecem realmente ter ficado no passado, e nós não possuímos novos ídolos atuais compatíveis, como se a virtualização nos minimizasse o intelecto a ponto de aceitar "o que tem para hoje".

 Quanto mais vivo mais tenho medo da nossa realidade, procuro debatê-la e enfrentá-la, mas cada vez mais sinto me rodeado somente de uns poucos malucos dispostos: Voltaire, Einstein, Descartes, Aristóteles e Rousseau... Um brinde! A realidade e a filosofia...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Valores de uma geração

 Hoje venho falar sobre uma coisa que muito me preocupa, o valor que nossos colegas "nos dão". Vocês vão entender o "nos dão" em seguida...

 Uma profissão que eu admiro e pretendo seguir é a de diretor, quero trabalhar com cinema, vanglorio toda a magia e dramática que um filme nos dá, simples, direta e sincera. Mas como todas outras profissões, a profissão em sí não é uma profissão barata, muito menos os equipamentos para trabalhar com ela, e é aí que chego no ponto de hoje, "valores".
 O que mais vejo hoje em dia são produtoras independentes,  fruto de uma geração que tem o cinema digital mais acessível se comparado ao antigo, onde câmeras que filmam clipes, publicidade, curtas, hoje custam a média de 8 mil reais e tem a qualidade necessária para tal. Gosto disso, acredito que quanto mais as pessoas "normais" obtiverem acesso aos instrumentos de criação, mais será criado e mais as pessoas vão pensar, aprender ou ignorar, mas terão acesso a novas idéias, mesmo que absurdas! 
 Mas é nessa relação do novo cinema com a nossa velha arte que mora meu desejo de mudança, minha inquietação por causa da relação das pessoas que se dizem profissionais e atores, atrizes. Não acho justo uma pessoa que diz ser "diretor" de cinema, dono de produtora ou produtor, convidar atores para participar de seus filmes sem a menor remuneração, com o tal do: "Pagamos transporte e alimentação, mas nada de cachê!"... Um equipamento básico de produção, para uma qualidade MÍNIMA, exige aí uma câmera de no mínimo 8 mil reais, se for como 90% de hoje em dia, são as câmeras fotográficas da nova geração canon/nikon, que gastam mais uns 3 mil reais com adaptações para filmagem, uma iluminação de no mínimo 5 mil reais, mais toda estrutura elétrica, equipe, totalizo uns 20 mil reais de investimento, MÍNIMOS! Então, se essa pessoa que investiu esses mínimos 20 mil reais, sem contar sua profissionalização, jogando baixo o menor curso de direção de cinema que conheço custa mil reais por mês durante dois anos - mais 24 mil - . Essa pessoa, que gastou aí seus 44 mil reais e espera fazer um filme, ser reconhecido, ganhar prêmios, dinheiro, essa pessoa se acha no direito de chamar atores para trabalhar sem um cachê mínimo? De graça?
 Me pergunto muitas vezes se as pessoas pensam que ser ator é como mágica - acontece do nada - pois parece muito insignificante o Ator para o resto do mundo, o ator não deve ter estudado, gastado seu dinheiro com sua profissionalização e aprofundamento em mais e mais oficinas, cursos, porque ninguém quer pagar o ator, é incrível isso!!! As "produtoras independentes" lembram de pagar todo mundo, faxineira, iluminador, contra-regra, cabelereiro, mas nunca o ator, o ator não precisa ser pago, imagine!
 Mas também não posso ausentar a culpa por parte dos nossos, tenho amigos e mais amigos que simplesmente aceitam essa condição, e como já citei uma vez no blog, vendidos que cada vez mais prostituem nossa arte, porque até onde eu sei eu dou um duro danado para pagar todos meus cursos e nada me veio de graça, assim como todos meus colegas. 
 Aí me vejo entre a cruz e a espada, pois sei que de minha parte não aceito esse tipo de trabalho mas por outro lado vejo mais e mais amigos incentivando os "produtores independentes" a continuarem com tamanho abuso. Não, não exijo cachês milionários, sei da dificuldade que todos passam, mas também não acredito no trabalhar de graça, como já disse, essas pessoas tiveram um gasto para estar onde estão, e 1% dos 44 mil já é suficiente, que ator não gostaria de fazer um curta por 400 reais que fosse de cachê? Muitas vezes isso salva o aluguél ou mercado que seja da pessoa. Muitas vezes, esse não chega a 10% do retorno que as produtoras tem, pois há também a tamanha falsidade do "não estamos ganhando nada com isso", mentira, hoje em dia os santos já foram canonizados e ninguém faz mais nada na boa vontade.
 Fica meu apelo aos amigos e colegas conscientes, acho que já passou da hora de nos unirmos e lutarmos contra essa condição, seria de muito valor dizer hoje um NÃO para amanhã dizer com muita alegria um SIM...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um Bonde Chamado Desejo - Filme

"Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, dirigido por Elia Kazan;
 Estrelado pelos maiores astros da época, Um bonde chamado desejo tem no elenco ninguém menos que Vivian Leigh e Marlon Brando protagonizando o filme. Esse filme, um dos clássicos premiados de Tennesse Williams, poderia também ser chamado de Blanche, devido a proporção que a protagonista toma no decorrer da história.
 Blanche (Vivian Leigh), uma decadente professora de Mississipi, aparece logo no início do filme indo a casa de sua irmã Stella (Kim Hunter), dando ênfase a linha que a leva ao bairro da irmã, a linha Desejo. 

 Da chegada de Blanche a casa da irmã até o final do filme, a história toda se passa no mesmo cenário, o apartamento de Stanley (Marlon Brando) e Stella, o que já me faz considerar o filme como magnífico, simplesmente admiro a capacidade e a complexidade de dramaturgos desenvolverem uma história com base em um único cenário, com no máximo duas tomadas fora, isso para mim é de uma excelência enorme quando dá certo, pois se trata do trabalho dos atores em sua essência, como se fosse no teatro, um palco, um cenário.
 O filme instiga o espectador conforme avança. Os três tipos que são apresentados: Stanley, o operário bruto que faz contrapartida a Blanche, a refinada falida e Stella, a mulher submissa, servem um de combustível dramático ao outro, cada ato de um reverbera nos demais e cria consequências que levam a silêncios ou brigas memoráveis. Stanley e sua avidez em desmascarar Blanche e seu passado fazem com que Blanche enrole-se em suas mentiras e tropece cada vez mais, revelando sua loucura e seu anseio desesperado e infantil em conseguir um marido. Blanche por outro lado, mesmo sabendo do perigo que corre ao lado de Stanley, parece dar corda para suas investigações, sugerindo um interesse quase que sexual nele, visto que ela o toca em diversas vezes.
 Blanche parece não ter uma personalidade, mas sim dissimular várias. Quando é tocada a fundo todas suas máscaras caem e vemos uma mulher sem persona, um ser vazio que justifica seus atos através de lembranças, nem sempre verdadeiras, um caso interessante de uma complexidade psicológica violenta.
 Stanley, ou pelo menos o Stanley de Marlon Brando, é único, de uma mesma faceta que parece insistir durante o filme todo, sua raiva impera durante todo o tempo e seus caminhos sempre acabam em gritos e discussões. Sua complexidade psicológica talvez seja a menor dos três, seu caminho de pensamento após os 3 primeiros segundos está ligado a seus braços e a quebrar coisas, é assim o filme inteiro.
 Quando o filme se encerra, na hora em que o responsável pela internação de Blanche chega e se apresenta a ela, ela parece desferir mais uma de suas  pérolas, uma definitiva que ataca a nós mesmos, assim como aos personagens que a "ampararam" no começo da história, "Nunca duvidei da benfeitoria de estranhos", e nisso ela segue de braço dado com um estranho total a ela, mas que parece representar um bem maior do que sua própria irmã e todos que a receberam lhe deram, que parece representar maior carinho e afeto que teve desde que largou Belle Reve, que parece ser o que nós mesmos chamamos de auto-ajuda, consciência, o que nos tira do ponto zero e nos leva para algum lugar, mesmo que não seja esse o melhor, mesmo no auge de sua demência, Blanche não perde a pose e sai como quem iria viajar pelas ilhas do Caribe, de cabeça erguida e na pose. 

 Blanche é tão forte no filme, que mesmo depois que ele acaba ela continua na nossa cabeça, parece nos intrigar sobre seu fim, qual foi? Como se sucedeu? A que nível chegou a demente que talvez nem fosse tão demente assim, mas sim carente. Blanche tem várias faces, quanto mais a conhecemos mais faces ela nos mostra, seus olhos parecem ser um baú de segredos, um poço sem fundo... Talvez seja até essa a mensagem dos 3 personagens chave do filme, a necessidade de compreensão que falta a indivíduos atingidos pela marginalidade, violência, solidão, homossexualismo e o inconformismo pela realidade, fato esse que beirou a vida do autor Tennessee Williams a vida toda, acredito inclusive que o Stanley que vemos aqui seja um auto-retrato de seu pai, assim como a Blanche seria o da sua irmã esquizofrênica Rose, a qual Tennesse era fortemente ligado e inspirou outros personagens que ele veio a criar.
 A maestria de milhares de mulheres a uma só: Blanche Dubois! O filme é dela, sem dúvidas!

2011

 E mais um ano se inicia! Seguido de um conturbado mas produtivo 2010, quero dar as boas vindas a 2011, que já começou tumultuado para mim, mas nada que assuste.
 Nesse ano quero viver mais conforme eu penso, já ví que seguir as fórmulas perfeitas ou as idéias feitas não dá muito certo comigo, parece que funciono ao contrário do sistema, então, hora de girar no anti-horário! Fico super feliz pelas conquistas de 2010, apesar de serem de pequeno ou médio porte, foram significativas. Acredito que esse ano será ainda melhor, consegui estabelecer um padrão para minhas próximas postagens, para que elas possam quem sabe se igualar as primeiras, quando criei o blog, e as quais me orgulho até hoje, pois já foram motivos de muitas participações especiais em TCC's, convite para Juri de festival de teatro e de grandes elogios, então por que não seguir naquele caminho não é?
 Esse ano miro mil projetos ao mesmo tempo, mas com todo carinho necessário, como se fossem únicos, e são, mas vão caminhar juntos, e todos num nível excelente.  Aprendi que fazer tudo sozinho é um pouco egoísta, quero tentar diferente esse ano! Quero trabalhar feliz, trabalhar com os amigos, dividir o sucesso e o fracasso com os colegas, construir junto para que no fim do ano possa olhar para trás e ver que comecei a escrever uma história da qual não me arrependo e que me é motivo de orgulho.
 Amigos colegas do teatro, vamos criar, atuar, viver! Amigos roteiristas, fica aqui meu convite, preciso de uma história fantástica para um filme fantástico! Preciso de toda colaboração vinda de boa vontade, porque não criar um grupo, uma família?! Tenho mil idéias e gostaria de dividí-las e concretizá-las, fica aqui o meu pedido.
 Que esse 2011 seja motivo de muito orgulho a todos! Sucesso, MERDA!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Love...

Isso é só uma música, não é de minha autoria, mas achei muito bonita a letra e quero compartilhar com vocês, pois se trata de um sentimento cada vez mais raro nos dias de hoje. 
 Estou pirando de tantas coisas para fazer, por isso não tive mais tempo de escrever aqui, devo ter uns 30 filmes novos que ainda não ví, uma porção de livros que quero ler e dividir com vocês, mas ainda não tive tempo.
 Bom, por enquanto apreciem essa bela música...

Amor (Love - Jaeson Ma ft Bruno Mars)

Agora, Hollywood quer quer que você pense que eles sabem o que é o amor.
Mas eu vou te dizer o que é o amor verdadeiro.
O amor não é o que você vê nos filmes.
Não é ecstasy, não é o que você vê naquela cena
Você sabe o que eu quero dizer? Eu estou dizendo a você agora, o verdadeiro amor é sacrifício.
O amor é pensar nos outros antes de pensar em si mesmo
O amor é altruísta, não egoísta. O amor é Deus e Deus é amor.
Amor é quando você da a sua vida para outro
Seja seu irmão, sua mãe, seu pai ou sua irmã
É ainda dar a sua vida por seus inimigos,
Isso é inimaginável, mas pense sobre isso:
O amor verdadeiro
Pense.
O amor é paciente, o amor é bondoso.
Não é inveja, não vangloriar-se
Ele não é orgulhoso. O amor não é rude, não é egoísta
Não se irrita facilmente, não guarda rancor
Você vê o amor não se alegra com o mal mas sim com a verdade.
Ele sempre protege, sempre confia, sempre espera, sempre persevera
O amor nunca falha. O amor é eterno
Ele é eterno, nunca para, vai além do tempo
O amor é a única coisa que irá restar quando você morrer
Mas faça a pergunta por quê? Você tem amor?
Não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos
Agora você está disposto a dar sua vida por seus amigos?
Você provavelmente está disposto a entregar a sua vida para sua mãe
Seu pai, ou seus melhores amigos
Mas você está disposto a dar a sua vida, mesmo para aqueles que te odeiam?
Eu vou dizer a você quem fez isso
A definição do amor é Jesus Cristo. Ele é amor
Os pregos em suas mãos, os espinhos em sua testa
Pendurado em uma cruz pelos seus meus pecados
Isso é o amor que ele morreu por nós, enquanto nós ainda o odiávamos
Isso é amor
Deus é amor verdadeiro, e se você não conhece esse amor
Agora é a hora de conhecer, O Amor Perfeito
Eu vou colocar você na minha frente
Então todo mundo poderá ver
Meu amor, este é o meu amor
Eu sei que vou ficar bem
Contanto que você seja meu guia
Meu amor, este é o meu amor

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retratação

 Venho através deste fazer uma retratação a postagem anterior sobre a peça "Uma Gota de Rancor".

 Acredito ter sido muito infeliz em certas frases, que acabaram por levar o tema para outro sentido, o qual comprometeu seriamente nomes citados e por questão disso sinto me obrigado a me retratar.
 Tenho um sério problema pessoal, que talvez seja acentuado pela minha situação aqui em São Paulo - não sou uma pessoa bem financeiramente, sempre ralei desde muleque, muito, com certeza mais do que qualquer outro colega que eu conheça, e por isso dou um valor exagerado a tudo que possuo - mas é o seguinte: Odeio pessoas ou coisas não levadas a sério, e por muitas vezes acabo tomando a minha verdade como absoluta, fato extremamente ignorante e de falta de senso.

  Queria me retratar com a Escola, em primeiro lugar, pois acabei escrevendo frases que para quem lia soavam diferente a minha intenção ao escrever.

 * O termo "financeira" quando escrevi, referia-se a minha classificação dos alunos, que na sua grande maioria são de um maior poder aquisitivo e de um desinteresse de mesma proporção, os tantos que não pretendem ser artistas, simplesmente celebridades, não se refere a uma escola que tem somente interesses financeiros nos alunos, a prova mais bem dada disso é a minha própria, que sempre tive o maior auxílio possível da escola, era bolsista, nunca me foi negado nada, sempre tive total dedicação de atenção por parte dos mestres e do próprio diretor Hudson, o qual me sinto muito mal por ter passado uma imagem contrária a que construí esse tempo todo.

 * O termo "direção", referia-se a direção da peça, não a escola, adiante entrarei nesse assunto.

 Um dos meus "problemas" é amar demais aquele lugar, tenho uma paixão violenta pela escola que frequento, porque sei que é a melhor, admiro o Wolf como um ícone a ser alcançado, baseio toda minha carreira na imagem dele, tenho uma utopia talvez de amar muito o que faço, o que já foi até referido em aula como "um pouco demais e até perigoso para mim mesmo", muito me incomoda o descaso das pessoas com os cursos, com o que dizem ser sua futura profissão, salvo algumas pessoas, claro, e infelizmente tento sempre propor meios de solucionar os problemas dos outros, quase sempre por discussões ou textos, coisa que nem é do meu particular, mas que acabo tentando resolver por "um bem maior".

 Em uma dessas "tentativas" propus uma discussão sobre vereda e fiz a burrice de ouvir uma colega que se  passou por assistente de direção - ou foi outro erro absurdo da minha compreensão - mas que de fato NÃO É a verdadeira assistente, que me aconselhou a não procurar o diretor Ferrara para esclarecer minhas dúvidas, sendo assim as tomei como sem resposta e passei adiante, burrice minha, volto a dizer.
 Como não pude conversar com o diretor, usei perguntas contra um argumento de outro diretor que eu já trabalhei, e acabei novamente errando incitando uma comparação de dois trabalhos igualmente magníficos e que não necessitam comparações.

 Devo minhas sinceras desculpas ao diretor Sergio Ferrara, talvez por me expressar mal acabei como um juiz sobre o seu trabalho, e não tenho a menor capacidade ou competência para tal, me sinto mal realmente, pois sei que do mesmo modo que julgo posso ser julgado, gostaria e ainda vou falar com ele e pedir desculpas pessoalmente, pois reconheço que dentro dos meus questionamentos passei uma prepotência que não cabe a minha pessoa e devo me desculpar pela mesma.

 Enfim, quero pedir desculpas a qualquer um que se sentiu ofendido pelo que foi postado, sinto como uma responsabilidade tentar conscientizar a nossa geração que já não é boa, debater ideais de arte, criei esse blog como meio de discussões para crescermos juntos, não para alfinetar, e eu arrisco muito, procuro sempre aprofundar o que posso, pois temos que fazer a diferença, é o nosso papel como artistas, só que como não sou Deus, acabo errando, e feio! Só posso pedir desculpas a quem tenha se sentido ofendido, dentro do meu pequeno casulo acabo sempre tentando crescer mais e por vezes erro feio...

domingo, 17 de outubro de 2010

Tendências....

  Após 5 peças seguidas, de diferentes grupos, eis que me deparo com um mesmo detalhe em todas, a presença da nudez. Eis o assunto de hoje.
  Desde a semana retrasada venho assistindo várias peças por final de semana e essa idéia de discutir sobre o tal fato vinha me pressionando mais e mais, até que ponto a nudez explícita é necessária no teatro? Antes não me incomodava com o fato, mas de repente me vejo cercado de diversas peças com diversos temas  e TODOS contendo nudez, comédia, drama, tragédia, todos nús! 
 Minha concepção sobre teatro é de que a sugestão é sempre melhor que o explícito, o que não se mostra é muito mais interessante e brinca mais com a platéia do que o que lhes é entregue mastigado. De repente, como se fosse um mero fato apelativo - isto é, se realmente não é a intenção -, eis que meio elenco fica nu, eis que a fulana e ciclana ficam nuas, eis que beltrano fica nú.
 Tal teatro não me interessa, já temos a facilidade da nudez a qualquer hora através de milhares de opções, não acredito que em meio a uma vida tão caótica uma platéia com seus diversos problemas consiga prestar a atenção devida a uma cena com uma pessoa nua a sua frente, hoje em dia temos desejos, temos tentações, é normal termos nossa atenção voltada a outras coisas que não sejam ligadas com a cena, seria hipocrisia ignorar o fato e mentir a si mesmo de que nada de diferente está acontecendo.
 Me vejo nú em meio a tantas obras com tal "conteúdo", penso se a criação da cena com a tal brincadeirinha da "sugestão", de "deixar a platéia pensar", não seria mais interessante.... Se de repente nosso teatro não está vagarosamente sendo influenciado por tendências, por fatores apelativos que busquem a atenção do público mas sem uma real necessidade dramática, algo como inovar no desespero, sem um sentido dramático para aquilo, se o comercial independente do conteúdo e significado final tem conseguido mais e mais espaço, enfim, "SERÁ QUE É NECESSÁRIO?"  Acredito que o teatro tenha outra finalidade, que não seja interessante a nós possuírmos fatores determinantes de temporadas.
 Penso cada vez mais e peço para que essa "tendência" passe...

domingo, 19 de setembro de 2010

Back to Black.


 Oi, voltei!
 Sei que estou há três semanas sem escrever, sem postar nada, mas dessa vez a desculpa não foi nem trabalho nem falta de conteúdo, pelo contrário, ambos estão a todo vapor.
 O motivo pelo qual deixei de escrever foi que cheguei a um ponto que isso virou obrigação para mim, e tudo que vira obrigação perde o sentido mágico que existe e passa a ser mais uma tarefa ordinária da qual não se extrai alegrai alguma, tudo que eu não pensei quando comecei isso aqui. Aí decidi ficar ausente e durante esse tempo todo estive lendo, assistindo, mas não sentia a vontade de escrever ou comentar algo que achasse interessante com vocês. 
 Esclarecido o motivo digo-lhes que não estou acabando o blog, pretendo postar muito ainda, mas que estou em um período mais introspectivo portanto durante esse período minha participação aqui será muito menor, mas jamais abandonarei por completo, e, creio eu, logo logo estarei de volta a todo vapor, aqui!
 Cada dia que passa me sinto mais próximo de uma plenitude profissional, não financeira, esse é o terror do ator-estudante hahaha, mas uma plenitude que se resume em saber o que estou fazendo e fazer bem feito, é sentir mais do que tentar e realizar na medida exata, nem mais, nem menos. Estou longe de uma qualidade magnífica, mas consigo reconhecer e realizar melhor do que antes, e essa percepção me abre a visão para um horizonte cheio de possibilidades concretas, onde antes só havia sonhos agora existem caminhos, longos, curtos, mas existem e estão somente esperando o meu passo em direção a eles.
 O que antes era superficial agora começa a ter outra forma, acredito que isso seja bom, ignorar as coisas por menores que sejam talvez não seja saudável, aceitar o seu tamanho pequeno, ver que "Carvalho é carvalho e Bambu é bambu, que um não invade o espaço do outro e nem ao menos tenta ser o outro" é esclarecedor e acrescenta muito na busca de se tornar um profissional melhor, um ser humano melhor.
 Talvez eu comece com postagens com assuntos diferentes dos que seguia aqui, porém de tamanha importância como os que sempre foram postados, por hora acredito que é isso, uma ótima semana amigos!

domingo, 22 de agosto de 2010

Filadélfia

"Filadélfia", por Jonathan Demme.

 A história de um promissor advogado que perde seu emprego repentinamente após uma grande conquista pode ser simples, mas e se fosse um jovem advogado com AIDS? É com essa situação que vamos conhecendo a história de Andrew Beckett (Tom Hanks), um promissor advogado de uma empresa de prestígio na Filadélfia e que tem seu emprego cortado da noite para o dia.
 Com uma atuação maravilhosa, verdadeira e muito intensa, Tom Hanks extrai a mais profunda comoção do espectador e apresenta a história de Andrew. Nesse filme, que foi rodado em 1993, somos apresentados a uma Filadélfia de preconceitos e homofobia onde um homem tenta restituir sua honra depois de um golpe em sua carreira.
 Desde o começo já nos é apresentada a doença de Andrew, sua luta para administrá-la e o rumo que o mesmo vai tomando por conta dela. Após sua demissão, Andrew certo de que foi vítima de um golpe resolve levar sua empresa a suprema corte, para isso conta com o apoio do advogado Joe Miller (Denzel Washington) e Miguel Alvare (Antonio Banderas), o namorado de Andrew.
 A intensidade com que a Tom Hanks trabalha é praticamente uma aula de interpretação, sua expressão, sua angústia, cada minuto que o filme avança vemos o sofrimento do personagem aumentar, e o melhor disso é ver que o ator embarcou nessa, temos uma cena onde Andrew descreve uma ópera que é arrebatadora! A profundidade que seu olhar nos leva desperta intrigas e nos prende a pensar o que faríamos na condição dele, um homem com a morte sentenciada! A troca que ele tem com o público é de uma intensidade que quebra qualquer convenção de comunicação, é de arrepiar! Denzel Washington também trabalha bem, mas não foge do seu tipo para o personagem, é durão, amargo, não foge disso, acho que trabalhou tendo consciência que a cena em quase todos momentos era do colega, o que demonstra uma bondade enorme, um saber se comportar em cena pensando no todo e não no seu próprio destaque. Quem também rouba a cena é Antonio Banderas, que por seu personagem ser o companheiro de Andrew ele contribuía com o clima da cena de uma maneira incrível, nos momentos de dor ou alegria o seu Miguel dava um toque único que gerava algo em Andrew e nos direcionava para algum lugar.
 O filme todo se passa na luta dos dois, no avanço da doença de Andrew e no julgamento do processo. Acho que por ser um filme de 1993, a caracterização mandou muito bem, pois as lesões que Andrew tinha eram muito reais sem beirar o exagero. 
 Olho tudo que escrevi e sinto um aperto, penso ter escrito pouco pelo tamanho que achei do filme, pelo tanto que me comoveu assistí-lo, mas o filme é basicamente o trabalho de Tom Hanks, o qual já comentei, os demais são acréscimos que só ajudaram a tornar o mesmo uma obra-prima, e como não quero cair no segmento sinopse do filme acho melhor ir parando por aqui. Foi indicado ao Oscar por: Melhor ator, melhor canção original, melhor maquiagem, melhor canção e melhor roteiro original.
Boa semana a todos!


O Amante

"O Amante", de Harold Pinter com direção de Francisco Medeiros.

 Uma comédia/drama que trata do assunto mais banal a casais, a fidelidade. Com esse tema tão delicado Paula Burlamaqui e Daniel Alvim atacaram o texto de Harold Pinter comandados por Francisco Medeiros. 
 A peça gera uma identificação unânime na platéia, o que é bom. Vemos um casal aparentemente normal - Paula como Sarah e Daniel como Richard - com uma característica a mais: ambos tem um amante e aceitam isso tranquilamente. Esse é o princípio de todos os conflitos que se desenrolam na mesma e que nos prende atenção nos seus 80 minutos de duração.
 Como o próprio diretor afirmou, quando decidiu assumir a direção da peça, de início ele não sabia o que fazer, e realmente é uma tarefa muito complexa, pois a peça só vai dando o entendimento conforme ela finaliza, até então temos aparições intrigantes que apenas nos sugerem algo, mas muito longe da realidade do casal. As tais aparições são feitas pelo próprio Daniel, o que gera uma pequena confusão de começo, se é falta de necessidade de mais um ator ou se é algo proposital. Após uma segunda cena percebemos então o ouro do casal e o entendimento dos dois vem a tona, são um casal que vive de jogos amorosos com seus personagens distintos.
 Essa idéia foi abraçada por ambos atores, isso é visível e muito bom, pois eles fazem cada personagem nos mínimos detalhes e fazem muitíssimo bem, o que seria bobo se fosse uma brincadeira real de um casal se torna interessantíssimo feito pelos dois, fato que nos prende a atenção até o fim do espetáculo.
 Quanto ao conflito do casal, não é um conflito de uma profundidade ou que queira passar uma mensagem muito densa, é um simples casal com um problema banal, como qualquer um de nós, o que é muito bom, pois as pessoas tem de ir ao teatro também para isso, se identificar, não somente para chorar ou lavar a alma com um drama pesadíssimo. 
 Um ponto a mais para Daniel Alvim, que além de um excelente trabalho em cena, tem uma qualidade vocal que faz falta aos atores de hoje em dia, ouví-lo em cena é muito bom, sua projeção é excelente.
 Uma peça muito boa, vale a pena conviver 80 minutos com esse casal pra lá de interessante!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A importância de se dar o valor como ator...

 Aí vai mais um assunto que há tempos cutuca a minha cabeça para ocupar um espaço aqui.
 Escrevo isso em nome da minha indignação com o meio e com os que ajudam a torná-lo mais decadente...

 Desde que me registrei como ator profissional sempre observei e julguei que acima do registro, nós, atores com o famoso DRT, deveríamos ter uma postura de extremo profissionalismo e valor a arte. Infelizmente o que vejo hoje em dia é justamente o contrário, devido a fácil liberação desse documento - o qual deveria ser reformulado seguido de um rígido sistema avaliativo para obtê-lo -  nosso meio virou - em termos bem esdrúxulos - um "puteiro".
 Não consigo entender como as pessoas se submetem a tais coisas bizarras como atuar em peças sem o menor conteúdo cultural, interpretar personagens em feiras usando a roupa que fizeram em casa, fazer eventos como festas de aniversário temáticas e se dizem atores profissionais, poxa, não tenho preconceito ao último caso, pois conheço pessoas que fazem e sei da necessidade real de sobreviver, mas esse tipo de coisa NUNCA SERÁ um trabalho de ator, isso é simplesmente um animador de festas!
 Devido a essas pessoas que julgam essas atividades como trabalho cênico é que temos a desvalorização da imagem do ator e do seu valor em mercado, hoje em dia temos filhos da puta - com o perdão da palavra - que simplesmente apresentam peças por apresentar, em qualquer que seja o teatro, as vezes saíndo até no prejuízo, sem ganhar um mínimo tostão! E ainda chamam amigos, tio, vizinho e papagaio para assistir e fazerem promoção. Poxa! Assim nunca conseguiremos impor um nível artístico decente a nossa profissão, assim cada vez mais ouviremos: "Não, esse teste não tem cachê-teste, é um comercial de 30 seg em horário nobre, com EXCLUSIVIDADE de 2 anos e cachê de 2 mil reais com desconto de nota". Caralho, fdp, putaquepariu! Pega o desgraçado filho de uma cadela manca que aceita um trabalho desses e dá uma surra! Pessoas egocêntricas desse ponto é que NOS prejudicam, pois desvalorizam nosso trabalho, não devem ousar ser chamados de atores, são putas da pior estirpe! Esse papinho de sobreviver e bla bla bla é o cúmulo, vai animar festa igual os outros fazem, não se considere ator pelas animações, mas considere o ideal, por abraçar a nossa causa de valorização, isso já é um começo para um ator mais consciente.
 Por exemplo, uma peça ridícula, com um diretor fracassado, aspirantes a atores e com um material para lá de apelativo, feio e muito mal feito. Com qualquer 300 reais adiantados consegue espaço num teatro de fundo de quintal, com tios, vizinhos, avós e cachorros assistindo e promovendo e se dizem uma companhia teatral com uma peça em cartaz com grande clamor do público ao seu renomado diretor e o grande trabalho da equipe. Equipe? Que equipe?!
Se tem uma coisa que me orgulho mais do que os trabalhos magníficos que fiz, foi os que recusei! Por incrível que pareça nunca errei, todos não passaram de 1 mês em cartaz, TODOS! Agora, qualquer ator-de-feira-do-fundo-do-quintal faria, como uns tais fizeram, e se chamam atores por isso! Me indigna isso, rezo o dia em que entre uma pessoa responsável pela real cultura do Brasil e proponha uma reavaliação artística, sim, todos atores já formados e com seus famosos DRT's passarão por um novo teste para comprovar o seu nível artístico, garanto que 90% cai fora na primeira fase!
 O que mais vejo hoje em dia são atores-modelos que trabalham em feira tentando a carreira artística, agora enquanto escrevo esse texto perguntei a um que tenho contato se ele estava fazendo o curso X que é um curso de nome e qualidade no mercado, sabe o que ouvi de resposta?

"Esse curso além de ser caro (400 reais/mês o PROFISSIONALIZANTE de 1 ano) é todos os dias, não quero isso, to fazendo uma oficina que tenho aulas 1 vez por semana e em 1 ano e meio tiro o drt porque nós fazemos 4 peças nesse período..."

 Sério, vocês levariam a sério uma pessoa assim falando que é artista? Eu não!
 Sei que é quase em vão, mas proponho aos poucos amigos que lêem e sabem do que eu falo, que ignorem essa laia, esse povo com data de validade que suja nosso mercado, sejamos rudes e rígidos ao máximo para que coloquemos essas pessoas no seu lugar! Na minha frente atorzinho-de-feira-ex-modelo-dançarino(a)-gogo-boy(girl) vai ter que no mínimo me explicar a diferença entre Ibsen e Strindberg para que mereça a minha consideração....

 Uma ótima quarta-feira a todos...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Vidente

"O Vidente", por Lee Tamahori.

 Tive a oportunidade de ver hoje em um dos meus poucos e raros momentos de lazer esse filme, protagonizado por Nicolas Cage, Juliane Moore e com uma pequena participação de Jessica Biel.
 Na trama Nicolas Cage é Cris Johnson, um cara normal que nasceu com a habilidade de prever o futuro 2 minutos além. Durante todo o filme vemos uma perseguição a Cris e uma série de erros que fizeram com que o filme fosse uma das desgraças de Hollywood.
  Cage foi muito criticado por esse trabalho, as críticas especializadas falam que ele vinha de uma série de fracassos, como "O Sacrifício" e "Motoqueiro Fantasma", não ouso ser tão severo, acredito mais que Cage simplesmente não ousou nesse trabalho, foi o mesmo Nicolas Cage que é em vários outros filmes e não conseguiu imprimir nenhuma característica do personagem que sobrepussesse sua imagem. 
 No desenrolar do filme, há uma incoerência enorme que contribui para seu fracasso. Não temos uma apresentação breve do passado do personagem e o filme parece que de uma hora para outra decide colocar suas idéias que foram apresentadas no sketch de pré-produção, temos o amor da vida de Cris que aparece do nada e com uma única noite se apaixona profundamente por ele, terroristas que sem a menor apresentação resolvem detonar uma ogiva nuclear em plena Los Angeles, não me perguntem o motivo pois esse também não foi explicado e uma ampliação instantânea dos poderes de Cris também sem explicação.
 Uma coisa que devo concordar com a crítica especializada é que Nicolas Cage já passou da idade de interpretar o mocinho, ele pode muito bem bancar um bom galã, mas chega a parecer ridículo ao lado de Jessica Biel, não há contraste, cada filme ele aparece mais careca e tentam esconder isso com penteados ou apliques, acho que passou da hora de aceitar o fato e trabalhar com o que se tem, o tal mocinho do filme não prende a platéia, pois de mocinho não tem nada.
 Com todas essas incoerências e com um final que parece "brincar com a inteligência" do espectador, só o que se salva é o trabalho de Juliane Moore, como uma agente do FBI que caça Cris para ajudar a encontrar a bomba, também tem seus exageros e uma referência a "Laranja Mecânica" que jamais poderia existir, mas trabalha bem e salva seu papel. 
 É bem provável que "O Vidente" teve um roteirista em crise, pois conforme conferi, o autor do qual se inspiraram para fazer o filme também inspirou "Minority Report", então o autor em sí deve ser muito bom, mas infelizmente o roteirista e toda equipe que trabalhou no filme pecou muito, por essas coisas que digo que não posso julgar a fundo o trabalho dos atores, acredito que principalmente no cinema, mais do que televisão e teatro, os atores e equipe são um conjunto que deve estar afinadíssimo para se obter um ótimo resultado final, e não é o que vemos nesse filme, vemos atores representando suas faces de sempre e erros que nos remetem a um filme de ação de 5ª categoria.
 Com efeitos pra lá de exagerados, "O Vidente" é um típico filme de Tela Quente que não merece lugar no seu final de semana!

domingo, 1 de agosto de 2010

Relatos de um homem sem fé....

 Isso não é uma resenha, nem nada que já esteve presente nesse blog, é um simples texto que escrevi em um determinado momento e achei legal postá-lo para abastecer o blog e por ter sido bem aceito em outro meio que publiquei....
"Vivo da luta e sempre lutarei. Sobrevivo sem sonhos ou ambições, simplesmente vivo por mera questão existencial e lutarei até o último momento para tornar esse existencial o mais notável possível aos meus semelhantes, seja com afeto ou com confronto, vivo da luta e sempre lutarei...
Desprezo o fácil e reprimo o falso, vivo como haveria de viver e supero a expectativa sempre que imposta como se fizesse de hábito, não respeito os que não devem ser respeitados e não temo os que merecem respeito, minha força vem da minha ironia de que destino algum tem o poder de me tirar tão fácilmente deste mundo... Não vim para vencer, vim para sofrer e mostrar que o máximo de nós mesmos é o mínimo dos outros, e que essa verdade absoluta reina desde o passado e não serei eu que haverei de mudá-la, mas nem por isso não devo ter o anseio de tentar - somente pelo simples deleite de um confronto - o que não se pode vencer é muito mais interessante do que o que já está derrotado...
Ridicularizo o homem, o qual não soube aproveitar as habilidades dadas e deixa de evoluir pois não tira o olho do próprio umbigo, deveras companheiro não é desse modo que se cresce, mas é o homem e seu universo de vidro, e eu que posso mudar? Não vim para vencer, vim parar sofrer, vivo da luta e sempre lutarei..."
Vinicius Olivo

 Mais uma semana de ensaios, 14 dias para o Criança Esperança 2010, tenham um ótimo dia.