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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Vidente

"O Vidente", por Lee Tamahori.

 Tive a oportunidade de ver hoje em um dos meus poucos e raros momentos de lazer esse filme, protagonizado por Nicolas Cage, Juliane Moore e com uma pequena participação de Jessica Biel.
 Na trama Nicolas Cage é Cris Johnson, um cara normal que nasceu com a habilidade de prever o futuro 2 minutos além. Durante todo o filme vemos uma perseguição a Cris e uma série de erros que fizeram com que o filme fosse uma das desgraças de Hollywood.
  Cage foi muito criticado por esse trabalho, as críticas especializadas falam que ele vinha de uma série de fracassos, como "O Sacrifício" e "Motoqueiro Fantasma", não ouso ser tão severo, acredito mais que Cage simplesmente não ousou nesse trabalho, foi o mesmo Nicolas Cage que é em vários outros filmes e não conseguiu imprimir nenhuma característica do personagem que sobrepussesse sua imagem. 
 No desenrolar do filme, há uma incoerência enorme que contribui para seu fracasso. Não temos uma apresentação breve do passado do personagem e o filme parece que de uma hora para outra decide colocar suas idéias que foram apresentadas no sketch de pré-produção, temos o amor da vida de Cris que aparece do nada e com uma única noite se apaixona profundamente por ele, terroristas que sem a menor apresentação resolvem detonar uma ogiva nuclear em plena Los Angeles, não me perguntem o motivo pois esse também não foi explicado e uma ampliação instantânea dos poderes de Cris também sem explicação.
 Uma coisa que devo concordar com a crítica especializada é que Nicolas Cage já passou da idade de interpretar o mocinho, ele pode muito bem bancar um bom galã, mas chega a parecer ridículo ao lado de Jessica Biel, não há contraste, cada filme ele aparece mais careca e tentam esconder isso com penteados ou apliques, acho que passou da hora de aceitar o fato e trabalhar com o que se tem, o tal mocinho do filme não prende a platéia, pois de mocinho não tem nada.
 Com todas essas incoerências e com um final que parece "brincar com a inteligência" do espectador, só o que se salva é o trabalho de Juliane Moore, como uma agente do FBI que caça Cris para ajudar a encontrar a bomba, também tem seus exageros e uma referência a "Laranja Mecânica" que jamais poderia existir, mas trabalha bem e salva seu papel. 
 É bem provável que "O Vidente" teve um roteirista em crise, pois conforme conferi, o autor do qual se inspiraram para fazer o filme também inspirou "Minority Report", então o autor em sí deve ser muito bom, mas infelizmente o roteirista e toda equipe que trabalhou no filme pecou muito, por essas coisas que digo que não posso julgar a fundo o trabalho dos atores, acredito que principalmente no cinema, mais do que televisão e teatro, os atores e equipe são um conjunto que deve estar afinadíssimo para se obter um ótimo resultado final, e não é o que vemos nesse filme, vemos atores representando suas faces de sempre e erros que nos remetem a um filme de ação de 5ª categoria.
 Com efeitos pra lá de exagerados, "O Vidente" é um típico filme de Tela Quente que não merece lugar no seu final de semana!

domingo, 30 de maio de 2010

King Kong

"King Kong", de Peter Jackson.

Hoje tive a oportunidade de assistir a mais uma versão do clássico King Kong, dessa vez pela visão do super premiado Peter Jackson, diretor do clássico trash "Fome Animal" e da trilogia "Senhor Dos Anéis".
 Tive que dividir a minha opinião em várias partes, pois adorei em vários quesitos e em outros achei muito artificial. Quanto ao enredo do filme, dividi nas partes Ilha da Caveira e Nova Iorque; Em toda primeira parte, onde se passa toda aventura do grupo na ilha, achei de uma artificialidade e uma falta de sentido enorme, acho que pisaram na bola com a idéia dos dinossauros - sei que há em outras versões - mas o foco principal na parte da ilha pareciam ser os dinossauros, só eles que ganhavam a cena, salvo uma única cena onde o Kong luta com 3 Tiranossauros. Outro erro enorme é quase no fim dessa, onde quando os homens entram na selva com armas pesadas, em várias pessoas, existem perigos de todo lado, após morrerem quase todos e sobrar somente o mocinho para recuperar a donzela do kong, ele atravessa a selva quase que intacto, sem sofrer uma ameaça, muito falso.Isso é o que chamamos em aula de erros de lógica.
 Já a segunda parte foi boa, curta mas bem trabalhada, nada de novo que já não se tenha visto nos filmes do King Kong quando ele está em Nova Iorque, revolta, um macaco maluco correndo solto pela cidade até subir em um arranha-céu que normalmente é o Empire State Building e ser fuzilado por aviõezinhos do mal.
 Quanto ao trabalho dos atores, me surpreendi quando ví no elenco um dos atores que eu admiro e observo sempre ótimos trabalhos, Adrien Brody, esse cara é de uma versatilidade e profundidade incrível, acho que se parar e pensar nas palavras "verticalização de um personagem" vou ter ele como referência. Adrien é um dos destaques do filme e faz muito bem o papel de mocinho iludido que luta contra tudo e todos pelo seu amor. Outra surpresa foi ver Jack Black não fazendo piadas, tudo bem, ele trabalha uma linha engraçada mas muito longe do que estamos acostumados a pensar quando ouvimos falar de Jack Black, nesse filme ele interpreta um cineasta obcecado pelo seu filme, que deposita todas suas esperanças e arma tudo que pode para terminar o mesmo, é legal vê-lo em um papel que não seja um estúpido, gosto de conhecer as outras faces de atores e atrizes que estão acostumados a um estilo de papel. 
 Fiquei em dúvida se a fotografia do filme realmente merece créditos pois o filme é um matrix da vida, 90% digital, mas se não merecer um pontinho a mais pelo menos merece ser notada, é, digamos que, interessante.
 Esse é o tipo de filme que indico pra quem quer ver algo legal e enrolar o sono, pois tem 3 horas de duração, não chegam a ser 3 maravilhosas horas de tensão e emoção mas digamos que dá pra aguentar umas 2:50 antes de pegar no sono... :D
 Boa semana a todos!

sábado, 8 de maio de 2010

Besouro - O Filme

 "Besouro -O Filme", de João Daniel Tikhomiroff.
 Faz dias que queria ver esse filme, a ansiedade sem dúvida era gigante, e posso dizer feliz: Adorei!
 Besouro é um filme que eu já depositava toda minha expectativa antes mesmo de ser lançado. Pela primeira vez estava vendo uma produção digna de Hollywood feita 100% no Brasil, e melhor, com um enredo que indicava não ter o estereótipo de filme brasileiro, ou seja, não ter tiroteios, favelas, 75% do palavreado baseado em palavrões e toda aquela história que já estamos cansados de assistir nos épicos "Tropa de Elite" ou "Salve Geral".
 Com um enredo muito bem bolado, o filme conta a história de Besouro, um capoeirista que foi criado desde novo por seu tutor, o Mestre Alípio, e após a morte dele Besouro decide enfrentar os diversos preconceitos que os negros sofriam mesmo após a abolição da escravidão.
 Conforme o filme corre, vamos conhecendo a história do candomblé, os orixás que protegem Besouro são muito bem representados pelos elementos da natureza e com uma fotografia muito próxima as ilustrações originais do candomblé.
 Besouro também teve uma participação especial atrás das câmeras, que foi o preparador Huen Chiu Ku, ele preparou todas cenas de lutas que se vê no filme, com todos aqueles efeitos maravilhosos usados nos filmes "Matrix" e "O Tigre E O Dragão". Uma das cenas que merece muitíssimo crédito é a da luta de Besouro e do Exu na feira livre dos negros, não perde em nada para os dois outros filmes que Huen preparou.
 Os atores também merecem crédito, são em geral novos no cinema, até participaram de uma ou outra produção global mas não são aquelas figurinhas clichês que tentam reproduzir seu papel marcante da novela no filme, pelo contrário, vivem muito bem os personagens que tomaram partido.
 A fotografia do filme é de um conceito interessante, segundo o diretor, ele contratou um especialista de fora, o equatoriano Enrique Chediak, e teve uma explicação muito boa para isso, "Quem está fora vê o Brasil com outros olhos...", tenho que dizer que ele acertou em cheio, é bom ter aquele olhar maravilhoso que nós brasileiros temos somente com os Estados Unidos e muitas pessoas de fora tem com o nosso país, o filme tem cores quentes, é "caliente", retrata bem o nosso Brasil Tropical!
 Com sequências de ação muito bem filmadas, planos sequênciais e abertos muito complexos, o diretor impressiona, pois este foi seu primeiro longa, sua especialidade eram filmes publicitários e logo de primeira acertou muito bem, sua direção foi impecável, claro que ví várias críticas sobre o filme, mas brasileiro ainda sofre desse mal, critica muito aquilo que não compreende ou não consegue fazer melhor, mas eu digo de boca cheia, dentro de todos meus sonhos de filmagens, câmeras, planos, equipamentos e roteiros que essa é uma obra-prima do cinema nacional.
Quando estou terminando uma postagem como essa me pergunto se não esqueci de nada várias e várias vezes, pois quero dividir com vocês a felicidade que sinto em ver que nosso cinema caminha para um futuro melhor, onde faremos filmes de conteúdo e com qualidade, e isso com toda certeza é o cinema do qual eu espero fazer parte!
 Boa semana a todos, abraços!