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domingo, 22 de agosto de 2010

O Amante

"O Amante", de Harold Pinter com direção de Francisco Medeiros.

 Uma comédia/drama que trata do assunto mais banal a casais, a fidelidade. Com esse tema tão delicado Paula Burlamaqui e Daniel Alvim atacaram o texto de Harold Pinter comandados por Francisco Medeiros. 
 A peça gera uma identificação unânime na platéia, o que é bom. Vemos um casal aparentemente normal - Paula como Sarah e Daniel como Richard - com uma característica a mais: ambos tem um amante e aceitam isso tranquilamente. Esse é o princípio de todos os conflitos que se desenrolam na mesma e que nos prende atenção nos seus 80 minutos de duração.
 Como o próprio diretor afirmou, quando decidiu assumir a direção da peça, de início ele não sabia o que fazer, e realmente é uma tarefa muito complexa, pois a peça só vai dando o entendimento conforme ela finaliza, até então temos aparições intrigantes que apenas nos sugerem algo, mas muito longe da realidade do casal. As tais aparições são feitas pelo próprio Daniel, o que gera uma pequena confusão de começo, se é falta de necessidade de mais um ator ou se é algo proposital. Após uma segunda cena percebemos então o ouro do casal e o entendimento dos dois vem a tona, são um casal que vive de jogos amorosos com seus personagens distintos.
 Essa idéia foi abraçada por ambos atores, isso é visível e muito bom, pois eles fazem cada personagem nos mínimos detalhes e fazem muitíssimo bem, o que seria bobo se fosse uma brincadeira real de um casal se torna interessantíssimo feito pelos dois, fato que nos prende a atenção até o fim do espetáculo.
 Quanto ao conflito do casal, não é um conflito de uma profundidade ou que queira passar uma mensagem muito densa, é um simples casal com um problema banal, como qualquer um de nós, o que é muito bom, pois as pessoas tem de ir ao teatro também para isso, se identificar, não somente para chorar ou lavar a alma com um drama pesadíssimo. 
 Um ponto a mais para Daniel Alvim, que além de um excelente trabalho em cena, tem uma qualidade vocal que faz falta aos atores de hoje em dia, ouví-lo em cena é muito bom, sua projeção é excelente.
 Uma peça muito boa, vale a pena conviver 80 minutos com esse casal pra lá de interessante!

sexta-feira, 12 de março de 2010

My Fair Lady

"My Fair Lady", de George Cukor.

 Um musical que surpreende, do início ao fim, sem dúvidas!
 Temos aqui um musical de 1964, época em que os musicais começavam a ficar massantes por seu formato. Os estúdios Warner fizeram a mais pomposa de suas apostas e faturaram alto com "My Fair Lady", foi vencedor em 8 prêmios Oscar, 3 prêmios Globo de Ouro, 1 NYFCC Award e ocupa atualmente a 8ª posição na lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos.
 No filme temos a história de Eliza Doolittle, uma florista de rua que trabalha por centavos vendendo violetas e acaba conhecendo Henry Higgins, um renomado professor de fonética que tem uma capacidade incrível de identificar as pessoas por suas vozes. Através de uma aposta proposta por um amigo, Higgins tem 6 meses para transformar aquela garota que praticamente é uma mendiga vulgar em uma dama da mais alta classe.
 A comédia reina o tempo todo, Eliza, interpretada por Audrey Hepburn, é super temperamental e histérica, mas tem um toque de boa moça que dá um ar cômico gostoso as suas discussões com o professor Higgins. Cenários bonitos e bem trabalhados nos fazem até pensar que esse filme pudera ter sido gravado em 1980 ou algo em torno disso, a qualidade é de tal tamanho que fiquei surpreso quando lí a ficha técnica do filme e ví se tratar de 1964. O enredo do filme não foge muito do desafio proposto ao professor e o desenrolar do progresso de Eliza. O engraçado foram os detalhes propostos, que de tão minimalitas passam quase despercebidos, desde a corrida de cavalos onde todo o cenário e o figurino de cena é composto de preto, branco e cinza - traduzindo perfeitamente a frieza das pessoas daquela época - até mesmo os sentimentos dos personagens, no filme todo não aparece uma única vez um "eu te amo" nem mesmo do garoto apaixonado por Eliza. Quando começamos a ter uma pequena noção de algum sentimento entre Eliza e o professor Higgins já nos damos por conta da última cena do filme e o mesmo acaba nessa incógnita dos dois.
 Ainda não acredito que aguentei duas horas e quarenta e três minutos assistindo o musical, tenho que enfatizar que é excelente mesmo, pois não tenho paciência nem para filmes de mais de uma hora e meia, quem dera para quase três horas então! E fiquei preso do começo ao fim do filme, enfeitiçado! Recomendo para quem assim como eu acha que os musicais antigos são todos monocordes, bobos e massantes, nos faz mudar de opinião, My Fair Lady é diferente, com toda certeza!
 Uma curiosidade: 
 Recusaram Julie Andrews (de A Noviça Rebelde), que protagonizara a peça na Broadway, pelo simples fato de ela ainda não ser muito conhecida, substituindo-a por Audrey Hepburn, um dos nomes mais consagrados de Hollywood. No fim, Julie Andrews levou a estatueta de Melhor Atriz por Mary Poppins, seu primeiro filme, enquanto que Audrey Hepburn nem sequer chegou a ser indicada.
 Rede Globo, fica a dica! :D

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Noite de Reis

 "Noite de Reis", de William Shakespeare.

 Hoje fui ao Globe-Sp, minha antiga escola, onde ví essa peça montada pelos alunos do curso avançado do Globe.
 Praticamente remodelada pela turma, essa comédia de Shakespeare saiu do que podemos chamar de "normal" para Shakespeare e teve uma releitura bem ousada. Os alunos decidiram por estabelecer uma musicalidade constante na peça, com traços dos anos 80 e um aspecto bem moderno para o figurino.
 Por se tratar de uma peça de alunos achei muito boa, não posso julgar como julgaria uma peça profissional, não desmerecendo os alunos, mas é um outro mundo uma montagem profissional, em todos aspectos, produção, preparação... Como em todas peças de curso, é obrigatório que todos alunos participem, coisa que fica visível, pois há uns personagens digamos que "sobrando" em cena. Isso sem contar na superficialidade que certos personagens tiveram, fato que ficou confuso, pois no final das contas não consegui distinguir se era proposital o exagero ou era mal trabalhado, pois haviam grandes oscilações entre o natural e o exagerado.
 Uma coisa que sempre acho legal é optar por outros caminhos, tirar fora o comum e colocar o inusitado, porém, também acredito que quando se opta pelo inusitado, deve-se ser ousado! Uma coisa que achei maravilhosa foi quando certo personagem após dado momento resolve mudar completamente seu modo de ser, vestir-se e agir, sai de cena e volta completamente outro e com sapatos de sapateado, pensei comigo: ta aí uma boa sacada, lá vem show! E quando o garoto faz sua sequência desanimei, uma idéia tão bem sacada no mínimo merecia um aprofundamento melhor, a sequência feita pelo ator está longe de ser algo difícil, posso dizer até que em audições para musicais existem sequências mais complexas, coisa que me chateou, pois era uma ótima oportunidade de dar um show e ganhar a cena, fato esse que não é culpa do ator, deixo isso bem claro pois as pessoas costumam culpar sempre os atores, porém quando dada ação é bem feita pelo mesmo as primeiras pessoas a levantarem-se são seus preparadores, diretores e tais.
 Quando a peça em sí, a história, acho parecida com "A Comédia dos Erros", também de Shakespeare, pra não dizer uma cópia fiél, mesma história, irmãos separados num acidente de navio, muito semelhantes, que causam uma série de problemas quando se encontram na mesma cidade, nada demais.
 Eu indico a peça pela abordagem diferente que foi feita e pelo fato social, o ingresso cobrado é um kilo de alimento não-perecível, o que acho muito legal, ajudar o próximo é sempre bom! Então é isso, assistam e um ótimo final de semana.

Em Cartaz:
Globe-SP
Rua Capitão Prudente, 173
São Paulo - SP, 05422-050
(0xx)11 3097-9933

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

As Viúvas

 "As Viúvas" de Arthur de Azevedo.

 O legal que hoje foi tudo surpresa! Não sabia que a peça era uma comédia, achei que a maratona do tapa ia ser vários dramas e tragédias, nada de comédia, isso sem contar a presença de dois professores meus, um que já me dá aulas há um bom tempo, Sir Paulo Marcos :D e o meu futuro professor Sir Brian Pennido Ross...
 Tive que me segurar para não rir o tempo todo, a peça é composta de três atos independentes, três histórias que não relacionam-se entre si, mas que são pra lá de engraçadas, cada uma com sua particularidade.
 Começamos pela história da primeira viúva e um velho solteirão, apaixonado por anexins, provérbios, e que só se expressa por meio deles, o que o torna extremamente engraçado e simpático, pena dele a viúva estar apaixonada por um garotão e só dar bola para ele após ser chutada pelo rapaz.
 Já a segunda história chama-se "Uma Consulta", nela uma segunda viúva vai ao consultório de um advogado por engano, sendo que ela procurava o médico que é seu vizinho do andar de cima, e o mesmo, um homem aborrecido com a vida, clamando por uma esposa, usa de todos artifícios possíveis e impossíveis para conquistar a dama.
 A terceira história é "O Oráculo", um comendador que lê muito Balzac, e acredita ser este o melhor escritor do mundo e suas escritas serem o essencial para o ser humano, dá conselhos a seu amigo mais novo, um advogado, que pretende se livrar de uma mulher praticamente perfeita, a terceira viúva, porém a mesma o esperava no quarto, tivera chego antes dos dois, e presencia toda a conversa. Então eis que ela vai embora e volta com a história virada contra o advogado, usando de inteligência e botando ele a seus pés!
 Uma sequência de histórias muito boas, pena hoje não ter conseguido assistir a peça seguinte, mas amanhã volto lá e assisto mais umas se possível!

Em cartaz:
VIGA Espaço Cênico (74 lugares)
Rua Capote Valente, 1323 (Pinheiros)
Tel: (11) 3801-1843