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quarta-feira, 28 de março de 2012

Judy Garland - O Fim do Arco Íris

 Tive o prazer de assistir a última apresentação de Judy Garland aqui no Rio. A qual comento agora com vocês.


Judy Garland não é uma biografia narrativa como tantas outras, não tem a obrigação de ser didática muito menos educada com o espectador, é uma peça que simplesmente lhe convida para um passeio nos últimos dias de Judy Garland, considerada por muitos uma das maiores estrelas cantoras da "Era de Ouro" de Hollywood.
Com uma produção proporcional a estrela que protagoniza, Charles Moeller e Claudio Botelho acertaram mais uma vez, o espetáculo foi o segundo com mais indicações ao Prêmio Shell de Teatro. Tudo em Judy Garland funciona em perfeita sintonia, atores, luz, som, cenário, músicas... É um espetáculo de fato!
 Sem grandes dramas introdutivos ou qualquer estrutura clichê de musical com aquela primeira musica inicial, seguido de cena/música, cena/música, aqui temos um bom drama, aonde os momentos musicais são reduzidos em número, mas grandes em qualidade. Podemos ver de fato uma PEÇA, o que tem sido raro ultimamente, espetáculos musicais tendem a pender mais para a vertente "show espetacular" e esquecer a parte "teatro", fato esse que Moeller e Botelho tem salvo muito bem, vide "O Despertar da Primavera".
 Claudia Netto brilha como Judy, ela é uma atriz de qualidade gigantesca, tanto dramática como vocal, e nos emociona a cada entrada inusitada de Judy em seus mais ambíguos estados psicológicos. Com parceiros de tamanha grandeza - Igor Rickli e Francisco Cuoco - temos a mais franca e intensa trocação em cena, nada de exageros ou momentos desiguais, cada um completa o outro e o resultado é claro nos olhos dos espectadores, não há quem desgrude o foco da cena um minuto sequer.
 Cuoco, que já vem rotulado por seus trabalhos televisivos mostra uma vertente totalmente contrária e maravilhosa de seu trabalho, sendo um coadjuvante, substituto, generoso, artista! Anthony - seu personagem - emociona, diverte e narra quase que diretamente o desfecho da protagonista com todo carinho que se pode ter ao assunto. Ele cativa tanto Judy como o público, virando o confidente de ambos.
 Rickli também é gigante, contraponto de Judy e Anthony, cabe a ele ser a mão que bate e que ajuda, dando a continuidade a história e garantindo seu brilho ao lado dessas duas feras. Seu trabalho é cuidadoso, intenso, ele e Cuoco excitam a platéia em cada discussão, e isso é bom! O que precisamos é disso, trocas, seja em cena como com o público, ponto mais que merecido para os três.
 Com um cenário maravilhoso, cuidadoso aos detalhes, forte e impactante, temos a parte "espetáculo", o último show de Judy, o "The Talk Of The Town" surge repentinamente em cena e sua grandeza e sutileza encantam, é possível se sentir dentro dos palcos e shows antigos e delirar com as incríveis musicas que Judy nos apresenta.
 Vendo um contexto geral, o que parece é que esse espetáculo foi feito com todo carinho possível aos detalhes, como se fosse um presente. Talvez um sonho antigo do diretor ou um meio de se mostrar que no Brasil também podemos criar obras primas, mas o que não pode se deixar de perceber é isso, os detalhes, os detalhes de cada ator, de cada objeto de cena, de cada acorde tocado, Judy Garland ganha o público por ser poético, delicado mas avassalador. Tal como o furacão que leva Dorothy a um mundo que ela nunca ouviu falar, Judy nos leva a um outro patamar de observação, sentir e emocionar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um Bonde Chamado Desejo - Filme

"Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, dirigido por Elia Kazan;
 Estrelado pelos maiores astros da época, Um bonde chamado desejo tem no elenco ninguém menos que Vivian Leigh e Marlon Brando protagonizando o filme. Esse filme, um dos clássicos premiados de Tennesse Williams, poderia também ser chamado de Blanche, devido a proporção que a protagonista toma no decorrer da história.
 Blanche (Vivian Leigh), uma decadente professora de Mississipi, aparece logo no início do filme indo a casa de sua irmã Stella (Kim Hunter), dando ênfase a linha que a leva ao bairro da irmã, a linha Desejo. 

 Da chegada de Blanche a casa da irmã até o final do filme, a história toda se passa no mesmo cenário, o apartamento de Stanley (Marlon Brando) e Stella, o que já me faz considerar o filme como magnífico, simplesmente admiro a capacidade e a complexidade de dramaturgos desenvolverem uma história com base em um único cenário, com no máximo duas tomadas fora, isso para mim é de uma excelência enorme quando dá certo, pois se trata do trabalho dos atores em sua essência, como se fosse no teatro, um palco, um cenário.
 O filme instiga o espectador conforme avança. Os três tipos que são apresentados: Stanley, o operário bruto que faz contrapartida a Blanche, a refinada falida e Stella, a mulher submissa, servem um de combustível dramático ao outro, cada ato de um reverbera nos demais e cria consequências que levam a silêncios ou brigas memoráveis. Stanley e sua avidez em desmascarar Blanche e seu passado fazem com que Blanche enrole-se em suas mentiras e tropece cada vez mais, revelando sua loucura e seu anseio desesperado e infantil em conseguir um marido. Blanche por outro lado, mesmo sabendo do perigo que corre ao lado de Stanley, parece dar corda para suas investigações, sugerindo um interesse quase que sexual nele, visto que ela o toca em diversas vezes.
 Blanche parece não ter uma personalidade, mas sim dissimular várias. Quando é tocada a fundo todas suas máscaras caem e vemos uma mulher sem persona, um ser vazio que justifica seus atos através de lembranças, nem sempre verdadeiras, um caso interessante de uma complexidade psicológica violenta.
 Stanley, ou pelo menos o Stanley de Marlon Brando, é único, de uma mesma faceta que parece insistir durante o filme todo, sua raiva impera durante todo o tempo e seus caminhos sempre acabam em gritos e discussões. Sua complexidade psicológica talvez seja a menor dos três, seu caminho de pensamento após os 3 primeiros segundos está ligado a seus braços e a quebrar coisas, é assim o filme inteiro.
 Quando o filme se encerra, na hora em que o responsável pela internação de Blanche chega e se apresenta a ela, ela parece desferir mais uma de suas  pérolas, uma definitiva que ataca a nós mesmos, assim como aos personagens que a "ampararam" no começo da história, "Nunca duvidei da benfeitoria de estranhos", e nisso ela segue de braço dado com um estranho total a ela, mas que parece representar um bem maior do que sua própria irmã e todos que a receberam lhe deram, que parece representar maior carinho e afeto que teve desde que largou Belle Reve, que parece ser o que nós mesmos chamamos de auto-ajuda, consciência, o que nos tira do ponto zero e nos leva para algum lugar, mesmo que não seja esse o melhor, mesmo no auge de sua demência, Blanche não perde a pose e sai como quem iria viajar pelas ilhas do Caribe, de cabeça erguida e na pose. 

 Blanche é tão forte no filme, que mesmo depois que ele acaba ela continua na nossa cabeça, parece nos intrigar sobre seu fim, qual foi? Como se sucedeu? A que nível chegou a demente que talvez nem fosse tão demente assim, mas sim carente. Blanche tem várias faces, quanto mais a conhecemos mais faces ela nos mostra, seus olhos parecem ser um baú de segredos, um poço sem fundo... Talvez seja até essa a mensagem dos 3 personagens chave do filme, a necessidade de compreensão que falta a indivíduos atingidos pela marginalidade, violência, solidão, homossexualismo e o inconformismo pela realidade, fato esse que beirou a vida do autor Tennessee Williams a vida toda, acredito inclusive que o Stanley que vemos aqui seja um auto-retrato de seu pai, assim como a Blanche seria o da sua irmã esquizofrênica Rose, a qual Tennesse era fortemente ligado e inspirou outros personagens que ele veio a criar.
 A maestria de milhares de mulheres a uma só: Blanche Dubois! O filme é dela, sem dúvidas!

domingo, 22 de agosto de 2010

Filadélfia

"Filadélfia", por Jonathan Demme.

 A história de um promissor advogado que perde seu emprego repentinamente após uma grande conquista pode ser simples, mas e se fosse um jovem advogado com AIDS? É com essa situação que vamos conhecendo a história de Andrew Beckett (Tom Hanks), um promissor advogado de uma empresa de prestígio na Filadélfia e que tem seu emprego cortado da noite para o dia.
 Com uma atuação maravilhosa, verdadeira e muito intensa, Tom Hanks extrai a mais profunda comoção do espectador e apresenta a história de Andrew. Nesse filme, que foi rodado em 1993, somos apresentados a uma Filadélfia de preconceitos e homofobia onde um homem tenta restituir sua honra depois de um golpe em sua carreira.
 Desde o começo já nos é apresentada a doença de Andrew, sua luta para administrá-la e o rumo que o mesmo vai tomando por conta dela. Após sua demissão, Andrew certo de que foi vítima de um golpe resolve levar sua empresa a suprema corte, para isso conta com o apoio do advogado Joe Miller (Denzel Washington) e Miguel Alvare (Antonio Banderas), o namorado de Andrew.
 A intensidade com que a Tom Hanks trabalha é praticamente uma aula de interpretação, sua expressão, sua angústia, cada minuto que o filme avança vemos o sofrimento do personagem aumentar, e o melhor disso é ver que o ator embarcou nessa, temos uma cena onde Andrew descreve uma ópera que é arrebatadora! A profundidade que seu olhar nos leva desperta intrigas e nos prende a pensar o que faríamos na condição dele, um homem com a morte sentenciada! A troca que ele tem com o público é de uma intensidade que quebra qualquer convenção de comunicação, é de arrepiar! Denzel Washington também trabalha bem, mas não foge do seu tipo para o personagem, é durão, amargo, não foge disso, acho que trabalhou tendo consciência que a cena em quase todos momentos era do colega, o que demonstra uma bondade enorme, um saber se comportar em cena pensando no todo e não no seu próprio destaque. Quem também rouba a cena é Antonio Banderas, que por seu personagem ser o companheiro de Andrew ele contribuía com o clima da cena de uma maneira incrível, nos momentos de dor ou alegria o seu Miguel dava um toque único que gerava algo em Andrew e nos direcionava para algum lugar.
 O filme todo se passa na luta dos dois, no avanço da doença de Andrew e no julgamento do processo. Acho que por ser um filme de 1993, a caracterização mandou muito bem, pois as lesões que Andrew tinha eram muito reais sem beirar o exagero. 
 Olho tudo que escrevi e sinto um aperto, penso ter escrito pouco pelo tamanho que achei do filme, pelo tanto que me comoveu assistí-lo, mas o filme é basicamente o trabalho de Tom Hanks, o qual já comentei, os demais são acréscimos que só ajudaram a tornar o mesmo uma obra-prima, e como não quero cair no segmento sinopse do filme acho melhor ir parando por aqui. Foi indicado ao Oscar por: Melhor ator, melhor canção original, melhor maquiagem, melhor canção e melhor roteiro original.
Boa semana a todos!


O Amante

"O Amante", de Harold Pinter com direção de Francisco Medeiros.

 Uma comédia/drama que trata do assunto mais banal a casais, a fidelidade. Com esse tema tão delicado Paula Burlamaqui e Daniel Alvim atacaram o texto de Harold Pinter comandados por Francisco Medeiros. 
 A peça gera uma identificação unânime na platéia, o que é bom. Vemos um casal aparentemente normal - Paula como Sarah e Daniel como Richard - com uma característica a mais: ambos tem um amante e aceitam isso tranquilamente. Esse é o princípio de todos os conflitos que se desenrolam na mesma e que nos prende atenção nos seus 80 minutos de duração.
 Como o próprio diretor afirmou, quando decidiu assumir a direção da peça, de início ele não sabia o que fazer, e realmente é uma tarefa muito complexa, pois a peça só vai dando o entendimento conforme ela finaliza, até então temos aparições intrigantes que apenas nos sugerem algo, mas muito longe da realidade do casal. As tais aparições são feitas pelo próprio Daniel, o que gera uma pequena confusão de começo, se é falta de necessidade de mais um ator ou se é algo proposital. Após uma segunda cena percebemos então o ouro do casal e o entendimento dos dois vem a tona, são um casal que vive de jogos amorosos com seus personagens distintos.
 Essa idéia foi abraçada por ambos atores, isso é visível e muito bom, pois eles fazem cada personagem nos mínimos detalhes e fazem muitíssimo bem, o que seria bobo se fosse uma brincadeira real de um casal se torna interessantíssimo feito pelos dois, fato que nos prende a atenção até o fim do espetáculo.
 Quanto ao conflito do casal, não é um conflito de uma profundidade ou que queira passar uma mensagem muito densa, é um simples casal com um problema banal, como qualquer um de nós, o que é muito bom, pois as pessoas tem de ir ao teatro também para isso, se identificar, não somente para chorar ou lavar a alma com um drama pesadíssimo. 
 Um ponto a mais para Daniel Alvim, que além de um excelente trabalho em cena, tem uma qualidade vocal que faz falta aos atores de hoje em dia, ouví-lo em cena é muito bom, sua projeção é excelente.
 Uma peça muito boa, vale a pena conviver 80 minutos com esse casal pra lá de interessante!

domingo, 27 de junho de 2010

"Olhe para trás com raiva", de John Osborne por Ulysses Cruz

 "Olhe para trás com raiva", de John Osborne, dirigido por Ulysses Cruz e adaptação de texto por Marcos Daud.

 Um drama intenso e bem elaborado, é isso que Ulysses Cruz nos oferece de bandeja através dessa excelente adaptação de Look Back In Anger. Temos uma peça realista e densa do início ao fim, onde os conflitos principais dos personagens não batem de frente com antagonistas como de praxe nos milhares de dramas espalhados pela cena teatral. Os conflitos estabelecidos na peça são de modo geral contra a época, a Inglaterra pós-guerra que encerrava qualquer plano de jovens dotados de talento e ambição de realizar-se.
 Conhecemos o protagonista Jimmy Porter (Sérgio Abreu), um cara pra lá de revoltado que desenha muito bem esse sentimento de impotência contra o sistema, que parece lhe acorrentar desde pequeno e lhe mostrar as piores dores do mundo logo cedo. Jimmy tem consigo sua esposa Alisson (Karen Coelho), seu amigo Cliff (Thiago Mendonça) e a amiga de Alisson Helena (Maria Manoella), outros personagens - "tipos" - que nos retratam essa mesma impotência mas de outro ângulo.
 Sérgio Abreu merece os parabéns pelo excelente Jimmy, o ator trabalha a revolta e impotência do  mesmo sem exagerar, ele nos joga a sua realidade na época, discutindo consigo como se discutisse com a platéia seus questionamentos sobre o futuro do homem e seus sonhos, e o próprio decorrer das cenas o corta e nos faz perceber que nada que fosse feito mudaria, que essa é a realidade dele. Thiago Mendonça também trabalha bem, seu Cliff já aceita mais a realidade, sabe da sua ignorância e de certo modo parece gostar um pouco da vida, como ele mesmo diz, é um "amortecedor"  das brigas que acontecem entre Jimmy e Alisson e pouco mais anseia do que isso, só perto do fim da peça que vemos Cliff indo embora e tentando viver sozinho.
 No decorrer da peça vemos a história como se fossemos parte da mesma, em meio a cenas na platéia e questionamentos feitos por Jimmy que nos tiram da zona de conforto e nos fazem pensar muito, nos vemos também impossibilitados de agir, vemos que a peça avança e que os personagens parecem não se libertar daquela prisão que os rodeia, tanto que a peça não é uma espécie de folhetim que leva o bem contra o mal e o bem acaba vencendo, no fim as coisas estão no mesmo ponto do começo. Acontecimentos relevantes se sucedem ao decorrer da mesma mas no fim a peça parece não ter saído do lugar, os personagens continuam com seus mesmos destinos cruéis do início.
 Com um cenário impecável e uma produção pra lá de competente, "Olhe para trás com raiva" vale muito a pena, nos faz entender a história e olhar pra trás com muita raiva, fato! Mais um trabalho impecável de Ulysses Cruz e Marcos Daud, desde os meus tempos de Globe acompanho e quanto mais vejo mais anseio por ver, valeu o fim de semana, com certeza!

domingo, 23 de maio de 2010

Cães De Aluguel

"Cães De Aluguel", de Quentin Tarantino;

 Tenho que começar dizendo que Cães De Aluguel é uma das idéias que eu mais gosto de cinema e sempre que posso paro e penso em algum roteiro que se encaixe nisso: pegar um cenário fixo, nesse caso um galpão onde se passa a história, ter poucas externas e um conteúdo dramático super bem bolado.
 Logo no início do filme fiquei empolgadíssimo, pois além de um elenco forte, tinha duas promessas, a de assistir ao primeiro filme de Quentin Tarantino na direção e a de ver ele mesmo no elenco, atuando! Tarantino faz uma pequena participação logo no início do filme, onde vemos os 7 mafiosos protagonistas da trama divagando sobre o significado da música "Like A Virgin" de Madonna, cult e nada óbvio, uma das marcas de Tarantino. O veterano Mr. White de Harvey Keitel, o misterioso Mr. Orange de Tim Roth, o falador Mr. Pink de Steve Buscemi, o sádico Mr. Blonde de Michael Madsen são fantásticos, conforme o filme anda vamos conhecendo um pouco de cada personagem através de flashback's que interferem em momentos que o clima pesa no galpão. O galpão é o ponto de encontro dos bandidos após um assalto a uma joalheria que acabou não dando certo pois a polícia já sabia - um dos bandidos era policial e avisou a polícia, que os esperou na saída, gerando um tiroteio e morte de alguns dos integrantes do grupo - os que conseguiram escapar foram para o galpão,  que agora é o palco de uma série de acusações sobre qual dos bandidos teria sido o traidor que avisou a polícia.
 Outra marca clássica de Tarantino no filme é o sangue. Sim! Há muito sangue no filme, não tanto quanto em Kill Bill mas o suficiente para umas poças no chão e para umas orelhas voarem, hehe... A violência presente no filme gerou uma revolução no modo como era retratada a violência nos filmes da época. Cães de Aluguel é um filme forte, intrigante, delicioso, agradável e com uma história consistente e o final não poderia ter sido melhor, sem dúvida um dos melhores filmes dos anos 90!

domingo, 2 de maio de 2010

P.S. Eu Te Amo

 "P.S. Eu Te Amo", de Richard LaGravenese.
 Ta aí um filme que eu queria ver há tempos, não só pelo fato de ter Hilary Swank, que já tem dois merecidos Oscar na estante, mas por Gerard Butler, o eterno Leônidas de 300, que vem me surpreendendo a cada filme que vejo. Já não acreditava quando o vi no Fantasma da Ópera, agora ele aparece na pele de um irlândes de meia idade super de bem com a vida.
 Os dois formam o casal protagonista da trama, um casal jovem, cheios de ambições e problemas, mas que ainda tem um amor maior que resolve tudo, o foco central se resume em mostrar a vida de Holly (Hilary) após a morte de seu marido Gerry (Gerard), visto que ele mesmo planejou tudo através de cartas para que ela conseguisse enfrentar e passar pelo período triste que é a perca de uma pessoa querida.
 Gerard aparece relativamente pouco no filme, mas sempre nas ocasiões mais dramáticas revelando um pouco de cada momento que deixou escrito nas suas cartas antes de morrer, é muito legal ver seu trabalho pois esse filme é o avesso de 300, onde ele era bruto e ignorante, aqui ele trabalha o lado romântico e faz muito bem feito, é com certeza o tipo de homem que qualquer mulher se apaixonaria, tem um carisma espetacular e uma sensualidade que domina, não falando em padrões estéticos, mas em padrões técnicos mesmo, ele sabe a hora de fechar algo mais tenso no olhar, a hora de ter liberdade de movimentos no plano, é tudo muito bem trabalhado.
 Hilary também não deixa pra trás, aliás, acho até que mais intenso o trabalho dela, pois além de trabalhar praticamente 75% do filme a tristeza e suas vertentes, ainda tinha que trabalhar sozinha, pois seu "marido" havia morrido, enquanto Gerard sempre tinha ela como partner de cena. Ela tem uma presença forte, que junto da trilha sonora, essa muito bem escolhida, com participações de grandes nomes como James Blunt, faz qualquer mocinha apaixonada chorar aos montes.
 Recomendo aos "casais quase perfeitos" esse filme e a todas pessoas que querem ver um outro lado do ator Gerard Butler. Boa semana!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Profissão da Senhora Warren

"A Profissão da Senhora Warren", de George Bernard Shaw.

 Procurando estudos sobre a peça, achei a frase que define a peça inteira: "Conhecer o passado para entender o presente". E é justamente no mais profundo sentido da frase que podemos definir A Profissão da Senhora Warren, uma das grandes peças de George Bernard Shaw que contribuíram para seu patamar de um dos maiores escritores do século XX.
 Assim como Brecht, Shaw trabalha uma crítica irreverente ao sistema e ampla em sua análise, porém satírica, não dramática a último grau mas também não escrachada. Vemos isso claramente nessa peça, que tem um tema até que não tão denso, uma mãe que forma uma filha nos centros educacionais elitistas de seu país, quase não convive com a mesma e forma um comportamento independente na garota, independente e um tanto quanto arrogante, até que vem a tona a origem do dinheiro que financiava a filha, uma rede de prostíbulos que a mãe mantém.
 Durante toda a peça mãe e filha tentam justificar seus pontos de vista e decisões, a mãe quer de todo modo explicar que não teve outra oportunidade na vida, que era aquilo ou viver como uma empregada ganhando trocados que mal dariam para comer, crítica pesada ao modo como eram tratadas as mulheres da época, ou ladies finas ou escravas operárias. Já a filha, durona e insensível, faz a linha mulher moderna, independente de sentimentos, trabalhadora ávida, a mulher que paga suas contas e não deve nada ao mundo, que faz jus a sua posição no concurso de cambridge e não exige nada mais do que consideração a isso e não-convecionalismos cotidianos de seus pretendentes e pessoas que a rodeiam, ojerizando cada vez mais a mãe enquanto seus tantos pretendentes revelam o passado dela.
 Dizem que a Irlanda, a primeira colônia inglesa e que até hoje tem marcos de sua dominação, gerou uma condição marginalizada que servia como combustível a Shaw, que motivava sua criatividade e seu modo ácido de criticar os comportamentos com tamanha sátira. De tal acidez pude aproveitar e pesquisar umas frases incríveis que Shaw escreveu em sua vida:
“Se nosso pequeno mundo não nos permite compreender o grande mundo que nos rodeia e nos cerca, é porque ou somos medíocres ou não conseguimos entender coisa alguma da vida. Ou as duas coisas.”
“Tem gente que sonha com realizações importantes, e há quem vai lá e realiza.”
“Traduções são como mulheres. As bonitas não são fiéis. E as fiéis não são bonitas.”
“Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização.”
“O problema dos pobres é a pobreza; o dos ricos é a sua inutilidade.”
“Alguns homens vêem as coisas como são e dizem: por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: por que não?”
“Tudo o que faço é jornalismo, e nada que não seja jornalismo sobreviverá.”
*Frases retiradas do acervo do Portal Sesc SP.

Boa terça a todos!

sábado, 27 de março de 2010

A Cor Púrpura

 "A Cor Púrpura", dirigido por Steven Spielberg.

 Acho que um dos filmes mais dramáticos que já assisti, esse filme de 1985 pode ser facilmente considerado uma "obra-prima", tem um tema denso e muito bem trabalhado: o racismo, tem a estréia de Whoopy Goldberg no cinema, como a protagonista Célie, Oprah Winfrey como Sofia e Denny Glover como o Sinhô.
 Sempre que definem temas para filmes os diretores correm o risco de caírem em clichês, como sempre considero nas abordagens do blog, porém A Cor Púrpura foi muito além do exterior, melhor do que isso, teve um trabalho dramático tão profundo que talvez se fosse refeito nos dias de hoje não teria tamanha grandeza.
 O filme - baseado no romance da escritora americana Alice Walker - se passa no início do século nos estados unidos. A história remete ao passado que nossos avós e pais nos contam, com uma veracidade incrível, nos sentimos familiarizados com tudo que se passa. Nela temos Célie e sua irmã Nettie, irmãs muito ligadas afetivamente, que são separadas após uma série de fatores.
 Célie desde então passa por humilhações cruéis impostas pelo marido, o que não foi muito diferente de nossas avós, apanhavam e tinham no marido um exemplo de carrasco. Whoopy trabalha muitíssimo bem, ela tem uma densidade, um conflito interior tão grande, que choca em todo momento que o close fecha nela, conforme a sua personagem vai criando coragem no filme, ela cresce de tal maneira que nem parece ser a mesma do começo da história, incrível demais! O que me impressionou muito também e foi o motivo pelo qual procurei o filme, foi o fato de Oprah Winfrey estar no elenco, juro que não fazia idéia de que ela era atriz, mais do que isso, uma excelente atriz!!! O trabalho desenvolvido por ela no filme é fácilmente comparável ao de Jennifer Hudson em Dreamgirls, se não melhor.
 Por se tratar de um filme só de negões americanos é claro que não podia faltar música, é de se arrepiar as poucas vezes que Shug Avery canta um blues, típico!
 A visão feminista do filme é clara desde o começo, Célie manda cartas a Deus, comunica-se com ele, pois não podia sequer dirigir a palavra ao marido que já era motivo de sobra para agressão; descobre através da amante do marido - Shug - o que é compaixão; admira Sofia, mesmo mandando Harpo bater nela; sonha com a volta da irmã Nettie, sua última esperança de família e carinho.
 É triste ver a tamanha indiferença com que o marido a trata, deixando claro seu interesse nos seus ofícios domésticos e no sexo, nada além disso. É de uma animalidade tão grande que choca! Sim, choca, pois quando o Sinhô encontra sua amante vemos nele o oposto de como ele é com Célie, triste realidade que até hoje muitas mulheres ainda enfrentam.
 Dirigido por Steven Spielberg, o filme teve 10 indicações ao Oscar mas infelizmente não ganhou nenhum prêmio, 5 indicações ao Globo de Ouro, ganhando na categoria melhor atriz - drama.

domingo, 21 de março de 2010

"Contos Proibidos do Marquês de Sade"

"Contos Proibidos do Marquês de Sade", dirigido por Philip Kaufman.


 Bom, muitos só de lerem o título do filme já esperam algo chocante, pelo menos eu quando comprei o filme... E realmente tive! Diferente do que esperava, algo chapado, expresso ao extremo ou digamos que estereotipado.
  Felizmente a única coisa que não temos nos "Contos Proibidos do Marquês de Sade" são estereótipos, pelo contrário, temos arquétipos e uma história acima do próprio Marquês, temos as nossas histórias, a história do mundo que vive lutando contra a moral e os desejos mais profundos do ser humano, dos que vivem tentando manter a "normalidade" e escondendo os considerados "diferentes" da sociedade.
  Diferente da vida do verdadeiro Marquês de Sade, que acabou em um asilo, temos no filme o nosso Marquês em um sanatório, preso do mundo e livre somente a seus pensamentos e suas preciosas penas para escrever, preso do mundo mas livre do julgamento de morte por correr risco de virar um revolucionário. Estamos em plena época da revolução francesa, o rei e a sociedade chocam-se com os escritos do Marquês, que escreve sobre as maiores perversões humanas, sexo, falsidade, jogos.... Sade era incrível, horas brilhante e sensível, horas egoísta e demoníaco. Tão contraditório quanto atual! Os personagens do filme são os personagens das nossas vidas, nós somos Sade, nós somos o padre bonzinho, nós somos o médico-monstro, nós somos a lavadeira virgem fascinada pelo desconhecido, com tanta vontade de viver e de amar que é capaz de desobedecer as regras e manter Sade produzindo, porque a sua ficção representa a vida, enquanto o sanatório representa a morte. Esse desconhecido que motiva cada um dos personagens é o desconhecido que nos motiva, agimos por impulsos, por natureza, assim como Sade, que momento algum negou suas intenções ou impulsos, apenas citava: "É apenas ficção!" mas não deixava de expressar o mais profundo desejo humano seja ele mais perverso que fosse. Assim como todos personagens tambem faziam. Sade via nos seus escritos uma libertação do tormento que o assolava e da razão que o fazia enchergar além do catolicismo pregado pelo Padre diretor do sanatório.
  Ví críticas sobre o filme não ser tão sádico quanto o sentido da palavra, mas desconsidero-as pois acredito que se passasse do ponto que foi feito já seria exagero, o filme tem como essência a mensagem, a história e o impacto que ambas causam no espectador, não pornografia e crueldade.
 O incrível embate dessas tantas personalidades junto com suas ambições e crenças leva o filme a patamares invejáveis, é incrível como conseguiu ser um filme comercial com um elenco hollywoodiano sem perder sua essência.
 Após assistirmos o filme é interessante parar para analisar, Sade não defendia justamente a falta de moral? Então não seria ele o espelho da mesma, logo fazendo sentido a presença da moral? Interessante não? Pois é, só sei que o Marquês está dentro de nós... E quer escrever! Maldito! Ele quer escrever... 

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Casa de Bonecas

"A Casa de Bonecas", de Henrik Ibsen.

 A Casa de Bonecas trata-se de uma peça na qual Ibsen critica a burguesia, retratando valores morais da época e desvalorizando o amor, tudo se baseia nos valores.
 Na peça temos a protagonista Nora, esposa de Helmer, como uma mulher servil, submissa e uma verdadeira bonequinha de Helmer. Por amor a Helmer, em seu passado Nora cometeu um crime, falsificou uma assinatura para conseguir um empréstimo, pois precisava de dinheiro para salvar a saúde do marido. O engraçado disso é que ela esconde até os dias em que se passa a peça esse segredo, pois a moral da época é severa e uma mulher que falsifica uma assinatura e pede um empréstimo em nome do amor é a maior desgraça para a honra de seu marido. É interessante notar o comportamento de Nora e o final da história, que levam o espectador a enteder o título da peça, Nora nunca passou de uma boneca pra Helmer, quando Helmer pede a Nora se ela foi feliz e ela responde: "Nunca, apenas alegre", aí conseguimos entender o parâmetro que Ibsen estabeleceu, segundo ele não somos eternamente felizes, apaixonados, essa felicidade eterna são momentos, coisa que é real até hoje! O que realmente somos é alegres, cabisbaixos em relação a realidade mas com aquele orgulho ignóbil que nos motiva a continuar mesmo sem esperar nada do futuro.
 O bom de Ibsen e que lhe rendeu tamanho reconhecimento foi o seu realismo, seu modo de criar, não vemos nessa peça uma Nora que morre de amores e que sofre a peça inteira por um pecado carnal, mas sim uma Nora como tantas outras que podem existir na platéia, uma Nora real. Ibsen destrói o sacríficio feito por Nora em nome do amor, mostra as reais consequências do que teríamos visto caso o seu segredo fosse revelado a sociedade, o marido a abandonaria, assim como a humilhou e dispensou quando soube do que ela fez. Vemos então uma Nora frágil, de olhos abertos e sem defesa alguma, encarando sua fraqueza e infantilidade de boneca, porém confirmando que isso não se trata de um romance e que para viver "feliz" não é ao lado do príncipe que ela deve continuar, mas sim seguir sozinha e como diz na própria peça: "educar-se".
 Quebra muitos parâmetros que estamos acostumados a antecipar, nos dá possibilidades que não pensamos na hora que assistimos e nos faz analisar Ibsen como um divisor de águas moderno. Muito boa!

terça-feira, 9 de março de 2010

O Ensaio

 "O Ensaio", de Jean Anouilh.

 Me decepcionei ao ver esse espetáculo, sinceramente nem sei como abordar o mesmo pois só de lembrar já me desanima. Tive a indicação de um professor que considero um mestre e acolho sua palavra como verdade absoluta, ele me indicou essa peça pois me disse se tratar de um bom trabalho do Tapa abordando um importante dramaturgo francês e não os autores que costumam retratar, além de nunca ter sido montado no país.
 Porém o que tive foi uma verdadeira sequência de choques, confesso que uns até bons, mas outros horríveis! Um grupo como o Tapa, que tem uma história de respeito e um público já conquistado não se pode dar ao luxo de cometer certos erros como os que irei comentar.
 Nunca ví uma peça começar, parar sua execução por um contra-regras e ser reiniciada, ainda por cima dentro de um texto não contemporâneo no qual um ator em específico tentou fazer piadinhas para "aliviar" o clima, mas de nada adiantou. Não culpo o ator, nessa hora temos que tentar de tudo, não dá para deixar passar como se fosse despercebido tamanho erro. Mas uma coisa me irritou ainda mais - uma coisa que um amigo e praticamente meu mestre e exemplo me disse uma vez e é o seguinte: "Nós, atores, nos damos o nosso TAMANHO, a magnitude do nosso trabalho, o que criamos, vivemos e lutamos tem a proporção que nós mesmos damos.", e podem me chamar do que for, obcecado, sacana, mas quando me surge uma oportunidade procuro fazer o meu melhor, principalmente se valer algo como um papel, o que é uma substituição temporária pode vir a ser fixa! A culpa não é sua se as pessoas não levam a sério seu trabalho e lhe deixaram escapar a oportunidade pelas mãos - e foi bem isso que ví em outra personagem, uma atriz que só depois do fim da peça fui saber que estava de stand-in, trabalhava digamos que bem, mas errava demais! Chegou a confundir nomes e chamar a partner de cena pelo nome da sua própria personagem! Tudo bem, lá vão os puritanos falar que o Vinicius é babaca e não poupa comentários críticos, mas os racionais hão de convencionar comigo que a vida funciona como disse anteriormente, era a chance da mesma de fazer o seu melhor e pegar o papel, garantir o seu espaço! 
 Mas também houveram surpresas boas, nunca tinha visto uma peça no formato de arena, com o público em todos lados do teatro, isso foi uma experiência interessantíssima. Outro trabalho que merece destaque é o do ator que interpreta o personagem Héroi, o bêbado, seu trabalho está excepcional, não cai em estereótipos e tem uma linha crescente invejável.
 Quanto a história, é a mais pura verdade, o texto é uma obra-prima, por ter sido escrito há muito tempo atrás e identificar problemas que vemos até hoje, a ilusão do amor e da paixão pelos mais novos e a astúcia dos mais velhos, o desejo de "carne fresca", de juventude e todos seus caminhos de conquista e sedução. A aceitação do desejo sexual fora da relação, a procura por esse mesmo sem toda dramaticidade e tragédia das antigas "Lavagens de Honra".
 Enfim, texto bem interessante, não desmereço o Tapa por levar em conta todos outros espetáculos que assisti deles, mas vejo como um sinal amarelo, pois tão rápido quanto o público ama uma companhia ele pode também odiá-la. 
 Boa semana!

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Fita Branca

 "A Fita Branca", de Michael Haneke.
 Tive a recomendação de um amigo para ver esse filme e posso lhes dizer que me espantei e muito.
 A Fita Branca é um filme que impressiona em vários aspectos, ele intriga, assusta, joga idéias aos montes, de modo que o espectador mal tem tempo de juntá-las e compreender o sentido do filme. Logo no início na primeira narração já nos dão um dado importante - o que acontecerá naquele vilarejo, no início do século, seria de extrema importância para o entendimento do que aconteceria na Alemanha anos depois - ou seja, o nazismo, o holocausto.
 Mas o interessante é que o filme não cai no sentido documentário, ele procura explicar o modo de vida da época do outro lado da moeda, invés de serem contados, os fatos são vividos: início de século, um vilarejo pequeno com um barão que emprega metade da cidade, cultura opressora dos pais aos filhos, um autoritarismo extremo e uma sequência de eventos cruéis que ocorrem misteriosamente e causam medo na população local.
 Vemos no filme a vida de cinco famílias, do Barão, do Pastor, do Administrador, do Médico e de um Camponês, isso além dos personagens-chave que não podemos chamar de família por estrutura, mas formam as suas respectivas famílias também. O nome do filme deriva de uma fita branca que o Pastor amarra no braço de seus filhos, após açoitá-los por terem aprontado e comprometido a confiança que o pai lhes depositou, a fita branca significa pureza, que eles após o castigo voltariam a ser puros e usariam a fita amarrada consigo para sempre lembrarem-se do castigo e que agora eram puros. Assim como na família do Pastor, nas demais famílias os pais são muitíssimos agressivos e repreendem os filhos sempre de maneiras brutais, o que gera um sentimento de revolta incubado que mais tarde se entende, sendo que as crianças locais acabam por ser as principais suspeitas dos crimes ocorridos.
 Com as informações que temos no filme conseguimos entender o porque daquela geração de crianças mais tarde terem abraçado Hitler como seu pai, terem seguido seus ideais e feito tudo que fizeram, era a hora de aparecer os sintomas provocados por toda aquela revolta incubada anos atrás.
 Acho interessante também a resposta do diretor Michael Haneke quando falaram que o filme era um relato sobre o holocausto e o nazismo, sendo que essa interpretação em partes é errônea, o filme é um relato sobre o momento anterior, a crise e o autoritarismo extremo, após lermos a resposta podemos entender que o filme poderia ser feito sobre os dias de hoje.
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”
 Entenderam? Pois é, A Fita Branca faz pensar! Bom final de semana.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Segredo dos Seus Olhos

 Primeiro queria justificar a baixa frequência de postagens, como já disse anteriormente, venho lendo vários livros técnicos, mas agora entrou outro fator em jogo, o meu musical está para estreiar, então venho ensaiando como louco todos os dias e mal tenho tempo e cabeça para postar aqui, estou cheio de conteúdo e coisas novas que quero vir debater com todos, mas no momento não consigo fazer tudo ao mesmo tempo.

 O segredo dos seus olhos acho que foi o melhor filme que já ví esse ano, porque conquistou algo que eu sonho há muito tempo para o Brasil e infelizmente estamos longe de conseguir, que é ser um filme sul-americano, bem feito e com um enredo maravilhoso, nada de vários bandidos e marginais trocando tiros em favelas, quem me conhece sabe o quanto odeio isso e brigo contra, para mim cineastas como Sérgio Rezende e José Padilha perdem todo o respeito da minha parte por terem feito essas "merdas nacionais".
 O filme é muito bem bolado, não consegui perder o foco um minuto sequer e tudo que ví adorei, foi feito em película, coisa que pra mim não deveria mudar, pois toda qualidade de imagem do padrão internacional de cinema é a mesma da película, cinema digital dificilmente possui as câmeras adequadas para um resultado similar e quando possui não é no Brasil que vão usar.
 Com um enredo pequeno, porém monstruoso em questão de talento, o filme conta toda uma história de um ex-funcionário público, Benjamin Espósito (Ricardo Darin) que após a aposentadoria vira romancista e quer escrever sobre um caso que trabalhou muito tempo de sua vida e que tem consequências atuais na sua vida. A dramaturgia é incrível, não acontece nada do óbvio como sempre esperamos, pelo contrário, tudo que se desenrola no filme é muito bem pensado e engana o espectador até o momento de sua revelação. Além da indicação de melhor filme estrangeiro no Oscar, espero que o ator Guillermo Frandella, que interpreta Sandorval - o melhor amigo e companheiro de escritório do protagonista - receba indicações pelo melhor trabalho coadjuvante, sua interpretação é maravilhosa e ele trabalha numa linha muito perigosa e viciosa, que é a linha do bêbado, porém faz com uma magnitude e verdade que até seu último momento é maravilhosa e muito verossímel.
 Nunca gostei da Argentina, os hermanos sempre vão para a minha cidade no verão e destroem tudo por lá, mas a partir de agora lhes dou um crédito por terem feito o que eu sempre sonhei para o nosso cinema, Gracias Muchachos...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Dança da Morte

"A Dança da Morte", de August Strindberg.

 Para começar a abordagem dessa peça, tenho que antes fazer uma pequena introdução ao autor, para que o entendimento seja maior depois.
 August Strindberg é o precursor de toda modernidade do teatro de hoje em dia. Filho de um burguês com uma criada, desenvolveu desde pequeno um complexo de inferioridade que mais tarde se expressaria no seu primeiro romance: "O Filho da Criada". Suas obras tem um traço revolucionista, não contra o sistema, mas contra os comportamentos do homem em relação a sua família, religião, crença... Strindberg teve uma história um tanto quanto derradeira em relação as mulheres e a sua vida pessoal, tendo por fim uma crise de paranóia e expressando um misogenismo extremo. Suas obras tem um tom naturalista e expressionista.
 Com base nisso podemos começar a nossa abordagem a peça.
 A peça é tensa, tem um clima denso do qual um minuto perdido pode significar a perda de todo um conflito. Nos mostra o convívio gasto de um capitão de artilharia e uma ex-atriz que culpam um ao outro por ter perdido suas vidas e suas ambições em nome do casal, vivendo há 25 anos numa torre de guarda em uma ilha, isolados do mundo e das outras pessoas. Todo desenrolar da peça segue esse conceito base, o comportamento dos personagens e todos conflitos derivam desse tema e não se desgrudam do mesmo um minuto. Por se tratar de Strindberg já é de se esperar que a mulher não seja uma flor, e realmente ela não é, conforme a peça avança vemos a mulher cada vez mais venenosa, geniosa e diabólica enquanto o homem cresce num misto de avareza e consciência caótica inigualável. 
 A crise do casal vem a tona e explode com a entrada de um terceiro personagem que fora quem os casou há tempos atrás, fazendo com que os dois criem uma força gigantesca, mas em função de rivalidade e destruição de um ao outro, fato que tem uma pausa após um infarto de Edgar, o capitão, que muda um pouco seu ver da vida, pois não o mata, e nos dá fatores atuais como o medo da morte, o arrependimento. Daí em diante vemos uma trama pra lá de diabólica acontecer entre o casal sempre com o terceiro personagem como ponto de equilíbrio, horas pendendo mais para um lado, horas para o outro, até que a história tome seu devido fim.
 Strindberg levanta uma série de questionamentos, seja eles o porque da existência, a vida de casal, a violência doméstica e até mesmo a incrível disputa de poderes entre homem e mulher - a briga mais antiga da história - e nos faz pensar sobre a peça, sobre nossas relações, como abordamos nossas prioridades, de modo que gera uma série de questionamentos saudáveis e suas devidas conclusões, tal como o filme anticristo.
 Indico para quem tenha tempo de lê-lo e interpretá-lo, uma simples leitura deixa passar muitos fatores em branco, deixando depois uma série de incógnitas sobre a peça. Agora que conheci sua obra pretendo todas outras, nota 10!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cloaca!

Cloaca!, de Maria Goos.
Cloaca é excelente! Não tem outro termo que venha designar tão bem o que é essa peça! Escrita pela autora holandesa Maria Goos, Cloaca é uma verdadeira análise sobre o mundo masculino e seus variados objetivos. Na peça a autora conta a história de quatro amigos que se conheceram na época de faculdade e reencontram-se 18 anos depois, todos já quarentões, cada um com um caminho trilhado e problemas pessoais.
A peça nos dá uma boa idéia do universo masculino, quais são os verdadeiros interesses dos homens, o que os mesmos fazem para alcançar seus objetivos e como tratam seus semelhantes e companheiros. Podemos dizer que todo o contexto se resume em uma crítica, tanto que a única aparição feminina na peça é realizada por uma prostituta.
A peça conta a história de Pieter (Tony Giusti), um funcionário público que apropriou-se de obras de arte descartadas pela prefeitura, Jan (André Garolli), um político recém chutado de casa, Tom (Dalton Vigh), um advogado fracassado viciado em cocaína e Maarten (Brian Penido Ross), um diretor de teatro não muito bem sucedido.
Todos empenham-se em ajudar o amigo Pieter e resolver o problema familiar de Jan, aí entra o contexto de uma opinião feminina sobre o mundo masculino, esse meio tempo de ajudas um ao outro foca justamente nos principais problemas do homem seja como funcionário, patrão, marido, bohêmio... É uma crítica pesada e boa ao modo "simples" como o homem resolve seus problemas, pois não envolve seu lado emocional, Jan está de aniversário e fora de casa? Os amigos chamam uma prostituta. Maarteen tem a filha de Jan 18 anos mais nova no seu elenco e não hesita em transar com ela. Tom foge de seus problemas recorrendo a cocaína. Pieter não sabe como resolver seu problema, recorre aos amigos. Todos modos simples e sem muito peso ou consciência na hora de serem decididos, exceto por Pieter, o mais sentimental claro. A peça corre bem, chega a levar o espectador a pensar que o problema será resolvido, que Pieter terá a posse dos quadros e que todos terão um final feliz, até que chega Jan novamente e mostra o quanto a aspiração ao poder cega o homem, ele conseguira um cargo de ministro da cultura e não poderia se envolver no caso do amigo, o que ele faz então? Simplesmente abandona os antigos parceiros e com isso mata o sonho de conseguirem ganhar a causa. Daí em diante seguem-se problemas e novamente vemos o modo fácil de pensar do homem para resolver seus problemas, álcool, drogas e o suicídio.
 Fim! Simples assim, como um pensamento masculino, porém mostrando muitas vertentes do comportamento do homem e como sua ambição o destrói. Como tinha falado no início, é isso! Cloaca é excelente!  
 Sobre a questão técnica não tem muito a ser citado, a produção está fantástica, sem exageros nem falta de componentes, nada é demais, os atores são ótimos, levam muito bem seu papel até o fim e não transparecem artificialidade, exceto por Tony Giusti que interpreta Pieter, ele exerce muito bem o papel, porém seu modo de falar irrita, ninguém vai ao teatro para ouvir uma coloquialidade extrema do século passado, mas Tony insistiu a peça toda em seu modo coloquial, talvez pela história do personagem, formado em história da arte ou talvez por seu modo de atuar mesmo, fator indefinido e fato esse que foi o único inconveniente ao meu ver.
É isso, resumindo daria uma nota 10 pra peça, CLOACA!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Anticristo

Anticristo, de Lars Von Trier. 
 
É um filme complicado, não dá pra começar sem esclarecer isso! Um filme que gerou um furor gigantesco, comentários e matérias, cria uma expectativa gigante pra quem ainda não viu... Aí mora o problema: o filme não corresponde às expectativas, mas sim um estudo sobre o seu contexto.
Ouvi muitos relatos sobre o filme mais polêmico do ano, um ótimo suspense, um ótimo terror, mas o que vi foi uma série de exageros e enigmas, encima de um tema, esse sim, muito polêmico.   
Acabei por dividir a opinião em duas partes, técnica e contextual.
A parte contextual é incrível, quanto mais você discute mais cria possibilidades sobre a história, quanto mais analiso a idéia de anticristo, cristianismo, idealismo, mais hipóteses iam surgindo. É interessante o filme tratar da inquisição, sobre a natureza e sua maldade, o modo como a mulher se auto-flagelava para se redimir dos pecados, até aceitar que a natureza é má, esquecer os princípios mesmo que por um pequeno período, aceitá-los, sentir-se curada e voltar a paranóia cristã de sofra para alcançar a paz novamente. O significado da bruxaria, sobre a qual a mulher formulou sua tese. Se entendermos esses símbolos conseguimos entender um pouco da base da história, o veado com o filho morto seria o animal caça, medroso, sensível, que foge, como a mulher em um senso geral, e interrompido pois tem seu filho morto meio-nascido. O legal desses três fatores é que cada um antecede um medo a ser superado, nesse caso a fêmea e seu filho morto, que no capítulo posterior será superado. A natureza auto-destrutiva é o que se explica no próprio filme, a totalidade, a natureza que cria a vida e a destrói a partir de si mesmo, por isso da raposa, um animal carnívoro, comendo a si mesmo. Essa visão se liga a descoberta do marido sobre os estudos da mulher, bruxaria e genocídio. Essa por sua vez por lidar ao mesmo tempo com esses estudos e com o abandono do marido, começou a deixar aflorar em si mesma a “natureza má” das mulheres e aí começa a maltratar o próprio filho, isso significava para ela a totalidade da natureza, a causa da maldade que se fazia as mulheres naquela época estava nelas mesmas. Aí entra uma dúvida, se os maltratos ao garoto eram um modo de descontar o sentimento de abandono e destruir-se a si mesma ou uma mulher de natureza má dando o troco ao lado masculino do marido por meio do filho. Já o corvo tem a meu ver o homem, o homem nada mais é do que o Adão da história, o grande EU que estava no topo da pirâmide, a razão, ou seja, o corvo significa o auto relacionar-se consigo mesmo, para entendê-lo precisei recorrer ao poema de Edgar Allan Poe: “Ele experimenta um prazer frenético em modelar de tal formas seus questionamentos para que receba do esperado “Nunca-mais” o mais delicioso, porque o mais intolerável, dos sofrimentos.”, e era justamente o que o homem queria ouvir quando o corvo apareceu pela primeira vez, nunca mais, ele queria a fuga da mulher, que ele amava mas temia, ela era o seu contraponto, a sua falta de razão e natureza assassina, mas ele entendeu a primeira aparição como ameaça, somente na segunda é que ele compreendeu seu significado, se auto-relacionou e libertou-se de sua inconsciência assassina, a mulher. Num resumo, em primeiro lugar os gritos do corvo são o motivo de quase a inconsciência assassinar o homem, em segundo são o motivo de o homem assassinar a inconsciência. Quanto mais se analisa mais se vê o homem como o anticristo, ao contrário da primeira opinião que num consenso geral é a mulher.
Porém na parte técnica não consigo ter uma classificação pessoal específica para o filme, pois o que vi foi uma série de truques para chegar a um efeito, como se criassem um filme estereótipo... Divisão de capítulos, prólogo, epílogo, morte, dor, pra que tudo isso? Pra mostrar que o filme é sofrido, pesado? Acho que se fosse bom, não precisaria, nunca vi um “O Exorcista” com prólogos, epílogos e divisões assim. Até o trabalho dos atores, o qual deu a atriz Charlotte Gainsbourg o prêmio de melhor atriz em Cannes, não me contentou, gostei de ver pontos que trabalhamos na montagem de personagens, como o invisível, que lhe ajudou a fazer a personagem tão sofrida quanto era, a buscar algo que lhe concebesse tamanha dor. E o ponto de criar muitas coisas distantes, como um professor meu falou, coisas inverossímeis, como a hora que o ator Willem Dafoe desmaia após teu seus órgãos baixos esmagados, uma situação de desmaio, com certeza, mas não a tamanho ponto que ele teria sua perna perfurada pouco depois, parafusada a uma pedra de afiar e não acordaria gritando ou entraria em convulsão por estado de choque, isso sem contar à hora que Charlotte corta seu clitóris, extremamente simples, como cortar uma unha pelo jeito...
Acho que não teria como analisar um lado e deixar o outro de fora, pois a idéia foi muito bem formulada, talvez o modo como foi expressado não tenha sido tão bem pensado, ou tenha sido bem pensado demais para fazer as pessoas chegarem a um ponto como este que fiz, um estudo encima do mesmo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinema Paradiso

 "Cinema Paradiso" de Giuseppe Tornatore.

 Está aí um filme que eu considero clássico, maravilhoso e muito emocionante! Acho que Cinema Paradiso foi até hoje um dos melhores presentes que eu ganhei, não sei descrever ao certo a sensação que é assistir esse filme de tão tocante que ele é.
 Tenho que começar falando que Cinema Paradiso não é americano, é italiano! Só isso já vale uns 3 pontos numa escala de 5! O filme conta a história de Salvatore di Vita, um cineasta que vive em roma e logo no início do filme atende uma ligação de sua mãe avisando que "Alfredo" está morto. O filme então desenrola-se nas lembranças do passado de Salvatore, o qual era um garotinho humilde que sonhava em ser projetista de cinema e vivia acompanhando o projetista do cinema-igreja de sua cidade, isso mesmo, cinema-igreja, o cinema era improvisado numa igreja e todos filmes eram censurados em certas partes pelo padre antes de serem apresentados. Após um grande incêndio que destruiu o cinema, Alfredo fica cego e todos imaginam que o cinema acabou, fato que não acontece pois um morador da cidade ganha na loteria e reconstrói o cine paradiso. Só que agora Alfredo não pode mais trabalhar e quem assume é Salvatore. Daí pra frente Salvatore vive bons tempos até que se apaixona por uma garota, tem seu amor frustrado, serve o exército e depois decide abandonar a sua cidadela, jurando ao seu amigo Alfredo nunca mais voltar a por os pés lá.
 Desconheço o ator que fez Salvatore na sua infância, Salvatore Cascio, mas nem por isso tiro créditos do trabalho do garoto, penso que na época que o filme foi filmado e ainda por cima por se tratar de itália, o trabalho dele é melhor do que de muitos atores de hoje em dia, até me instiga saber quais métodos o garoto usou na sua abordagem.
 O filme recebeu o Oscar de "Melhor filme estrangeiro", o Globo de Ouro também por "Melhor filme estrangeiro", o "Grande Prêmio do Júri" e a "Palma de Ouro" no Festival de Cannes e mais um monte de prêmios de menor escala.
Uma curiosidade do filme: O diretor, Giuseppe Tornatore, fez o filme como um obituário das salas de cinema, acreditando que elas iriam acabar, após o sucesso do filme ele nunca mais comentou sobre isso.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Procura Da Felicidade

 O filme que consolidou Will Smith como um dos meus ídolos, vinha acompanhando os trabalhos dele há um tempo mas depois de ver esse filme passei a ter total admiração pelo cara.

 Quem conhece um pouco sobre a carreira de Will Smith, sabe que ele tem uma veia cômica e praticamente fixou sua imagem encima do doidão de "Um Maluco No Pedaço" e do agente J de "MIB - Men In Black". Desde então ele vem trabalhando em outros gêneros e surpreendendo pela sua atuação quase sempre impecável. É o que pode-se notar em "Eu, Robô" e "Eu Sou A Lenda", e que agora fica praticamente incontestável, Will Smith não é mais o bobão de seriados americanos, e sim um ótimo ator!
 É incrível como Will demonstra todo o sentimento de impotência e culpa que o seu personagem Chris sente. Ele trabalha totalmente contido, o que é muito mais difícil, pois é mais fácil de cair numa linha monótona, e surpreende muito! Merece ainda mais crédito pois seu partner de cena em praticamente todo o filme é um garoto de 5 anos, seu filho Jaden Smith, o que gera uma tensão e uma dificuldade maior na concepção da cena, tanto pelo fato de lidar com uma criança quanto pela ligação dos dois, o que poderia ter gerado um conforto ao garoto, e prejudicado o trabalho de Will.
 Chris Gardner, interpretado por Will Smith, é um pai de família que vive um momento de crise financeira, após seu casamento com Linda (Thandie Newton), ele investiu a poupança dos dois em um aparelho médico que foi dado inicialmente como incrível e um mês depois como ultrapassado, um fracasso da tecnologia médica, e agora é o motivo da tensão que vive o casal e seu filho, Christopher (Jaden Smith), por mais que Chris corra e vire o dia tentando vender o aparelho não há quem queira comprá-lo e as contas cada dia pesam mais.
 Por mais que Chris se esforce muito, chega um momento que sua mulher Linda decide partir para outra cidade trabalhar, e deixa Chris com seu filho Christopher. Eis que a situação piora, agora além de tudo Chris tem mais responsabilidades com o filho de apenas 5 anos.
 Chris batalha muito e se inscreve num programa de estagiário da bolsa de valores, nesse meio tempo dedica-se a vender os aparelhos que restaram para sobreviver, estudar para a prova final e conseguir futuros clientes para a corretora que irá trabalhar. A situação piora ao ponto de Chris e Christopher mudarem-se para abrigos de mendigos da prefeitura, banheiros e estações de metrô. 
 A história comove, mas ao fim mostra o amor que um pai tem pelo filho, a força e a superação que o amor aos nossos sonhos nos dá e serve de lição as pessoas que muito tem e acabam por reclamar sem nem ter motivos. Melhor que um filme de auto-ajuda esse filme é sim um filme de auto-conhecimento, nos põe no nosso lugar e mostra que devemos as vezes pensar com o Chris que há dentro de nós.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pedreira das Almas

 “Pedreira das Almas” de Jorge Amado, com direção de Brian Penido Ross.

 Não me agradou! Não teve nada de diferente, nem incrível, mais um drama normal como muitos que temos em cartaz pela cidade toda, portanto fiz uma sinopse técnica mesmo para quem tiver interesse em assistir.
 A peça retrata a época da decadência do ouro em minas gerais, onde está acontecendo uma revolução e um revolucionário em específico é procurado pelas forças do governo, esse revolucionário se chama Gabriel. Gabriel é “noivo” de Mariana, filha de Urbana, a matriarca da cidade. Aí entra o primeiro embate da peça, Gabriel e muitas pessoas querem deixar a cidade, pois a escassez tomou conta do lugar, só existem cemitérios, e Urbana teima que todos devem ficar e honrar os mortos, e jura a sua filha que não lhe dará a benção para a mesma sair da cidade com Gabriel.
Após a chegada do Delegado Vasconcellos, que foi enviado junto de uma força militar relativamente significante para prender Gabriel, a cidade vira no caos, após uma longa discussão com Urbana, Vasconcellos revela que seu filho, Martiniano, fora preso como sendo seguidor de Gabriel e após uma série de discussões e tumultos ele acaba morto, o que faz a mãe jurar que nunca contará onde está escondido Gabriel.
Um drama trágico se desenrola daí para a frente, cada vez deixando a situação mais pesada, até que se resolve com um caro preço.

Em cartaz:
VIGA Espaço Cênico (74 lugares)
Rua Capote Valente, 1323 (Pinheiros)
Tel: (11) 3801-1843