Mostrando postagens com marcador Filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filme. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um Bonde Chamado Desejo - Filme

"Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, dirigido por Elia Kazan;
 Estrelado pelos maiores astros da época, Um bonde chamado desejo tem no elenco ninguém menos que Vivian Leigh e Marlon Brando protagonizando o filme. Esse filme, um dos clássicos premiados de Tennesse Williams, poderia também ser chamado de Blanche, devido a proporção que a protagonista toma no decorrer da história.
 Blanche (Vivian Leigh), uma decadente professora de Mississipi, aparece logo no início do filme indo a casa de sua irmã Stella (Kim Hunter), dando ênfase a linha que a leva ao bairro da irmã, a linha Desejo. 

 Da chegada de Blanche a casa da irmã até o final do filme, a história toda se passa no mesmo cenário, o apartamento de Stanley (Marlon Brando) e Stella, o que já me faz considerar o filme como magnífico, simplesmente admiro a capacidade e a complexidade de dramaturgos desenvolverem uma história com base em um único cenário, com no máximo duas tomadas fora, isso para mim é de uma excelência enorme quando dá certo, pois se trata do trabalho dos atores em sua essência, como se fosse no teatro, um palco, um cenário.
 O filme instiga o espectador conforme avança. Os três tipos que são apresentados: Stanley, o operário bruto que faz contrapartida a Blanche, a refinada falida e Stella, a mulher submissa, servem um de combustível dramático ao outro, cada ato de um reverbera nos demais e cria consequências que levam a silêncios ou brigas memoráveis. Stanley e sua avidez em desmascarar Blanche e seu passado fazem com que Blanche enrole-se em suas mentiras e tropece cada vez mais, revelando sua loucura e seu anseio desesperado e infantil em conseguir um marido. Blanche por outro lado, mesmo sabendo do perigo que corre ao lado de Stanley, parece dar corda para suas investigações, sugerindo um interesse quase que sexual nele, visto que ela o toca em diversas vezes.
 Blanche parece não ter uma personalidade, mas sim dissimular várias. Quando é tocada a fundo todas suas máscaras caem e vemos uma mulher sem persona, um ser vazio que justifica seus atos através de lembranças, nem sempre verdadeiras, um caso interessante de uma complexidade psicológica violenta.
 Stanley, ou pelo menos o Stanley de Marlon Brando, é único, de uma mesma faceta que parece insistir durante o filme todo, sua raiva impera durante todo o tempo e seus caminhos sempre acabam em gritos e discussões. Sua complexidade psicológica talvez seja a menor dos três, seu caminho de pensamento após os 3 primeiros segundos está ligado a seus braços e a quebrar coisas, é assim o filme inteiro.
 Quando o filme se encerra, na hora em que o responsável pela internação de Blanche chega e se apresenta a ela, ela parece desferir mais uma de suas  pérolas, uma definitiva que ataca a nós mesmos, assim como aos personagens que a "ampararam" no começo da história, "Nunca duvidei da benfeitoria de estranhos", e nisso ela segue de braço dado com um estranho total a ela, mas que parece representar um bem maior do que sua própria irmã e todos que a receberam lhe deram, que parece representar maior carinho e afeto que teve desde que largou Belle Reve, que parece ser o que nós mesmos chamamos de auto-ajuda, consciência, o que nos tira do ponto zero e nos leva para algum lugar, mesmo que não seja esse o melhor, mesmo no auge de sua demência, Blanche não perde a pose e sai como quem iria viajar pelas ilhas do Caribe, de cabeça erguida e na pose. 

 Blanche é tão forte no filme, que mesmo depois que ele acaba ela continua na nossa cabeça, parece nos intrigar sobre seu fim, qual foi? Como se sucedeu? A que nível chegou a demente que talvez nem fosse tão demente assim, mas sim carente. Blanche tem várias faces, quanto mais a conhecemos mais faces ela nos mostra, seus olhos parecem ser um baú de segredos, um poço sem fundo... Talvez seja até essa a mensagem dos 3 personagens chave do filme, a necessidade de compreensão que falta a indivíduos atingidos pela marginalidade, violência, solidão, homossexualismo e o inconformismo pela realidade, fato esse que beirou a vida do autor Tennessee Williams a vida toda, acredito inclusive que o Stanley que vemos aqui seja um auto-retrato de seu pai, assim como a Blanche seria o da sua irmã esquizofrênica Rose, a qual Tennesse era fortemente ligado e inspirou outros personagens que ele veio a criar.
 A maestria de milhares de mulheres a uma só: Blanche Dubois! O filme é dela, sem dúvidas!

domingo, 22 de agosto de 2010

Filadélfia

"Filadélfia", por Jonathan Demme.

 A história de um promissor advogado que perde seu emprego repentinamente após uma grande conquista pode ser simples, mas e se fosse um jovem advogado com AIDS? É com essa situação que vamos conhecendo a história de Andrew Beckett (Tom Hanks), um promissor advogado de uma empresa de prestígio na Filadélfia e que tem seu emprego cortado da noite para o dia.
 Com uma atuação maravilhosa, verdadeira e muito intensa, Tom Hanks extrai a mais profunda comoção do espectador e apresenta a história de Andrew. Nesse filme, que foi rodado em 1993, somos apresentados a uma Filadélfia de preconceitos e homofobia onde um homem tenta restituir sua honra depois de um golpe em sua carreira.
 Desde o começo já nos é apresentada a doença de Andrew, sua luta para administrá-la e o rumo que o mesmo vai tomando por conta dela. Após sua demissão, Andrew certo de que foi vítima de um golpe resolve levar sua empresa a suprema corte, para isso conta com o apoio do advogado Joe Miller (Denzel Washington) e Miguel Alvare (Antonio Banderas), o namorado de Andrew.
 A intensidade com que a Tom Hanks trabalha é praticamente uma aula de interpretação, sua expressão, sua angústia, cada minuto que o filme avança vemos o sofrimento do personagem aumentar, e o melhor disso é ver que o ator embarcou nessa, temos uma cena onde Andrew descreve uma ópera que é arrebatadora! A profundidade que seu olhar nos leva desperta intrigas e nos prende a pensar o que faríamos na condição dele, um homem com a morte sentenciada! A troca que ele tem com o público é de uma intensidade que quebra qualquer convenção de comunicação, é de arrepiar! Denzel Washington também trabalha bem, mas não foge do seu tipo para o personagem, é durão, amargo, não foge disso, acho que trabalhou tendo consciência que a cena em quase todos momentos era do colega, o que demonstra uma bondade enorme, um saber se comportar em cena pensando no todo e não no seu próprio destaque. Quem também rouba a cena é Antonio Banderas, que por seu personagem ser o companheiro de Andrew ele contribuía com o clima da cena de uma maneira incrível, nos momentos de dor ou alegria o seu Miguel dava um toque único que gerava algo em Andrew e nos direcionava para algum lugar.
 O filme todo se passa na luta dos dois, no avanço da doença de Andrew e no julgamento do processo. Acho que por ser um filme de 1993, a caracterização mandou muito bem, pois as lesões que Andrew tinha eram muito reais sem beirar o exagero. 
 Olho tudo que escrevi e sinto um aperto, penso ter escrito pouco pelo tamanho que achei do filme, pelo tanto que me comoveu assistí-lo, mas o filme é basicamente o trabalho de Tom Hanks, o qual já comentei, os demais são acréscimos que só ajudaram a tornar o mesmo uma obra-prima, e como não quero cair no segmento sinopse do filme acho melhor ir parando por aqui. Foi indicado ao Oscar por: Melhor ator, melhor canção original, melhor maquiagem, melhor canção e melhor roteiro original.
Boa semana a todos!


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Vidente

"O Vidente", por Lee Tamahori.

 Tive a oportunidade de ver hoje em um dos meus poucos e raros momentos de lazer esse filme, protagonizado por Nicolas Cage, Juliane Moore e com uma pequena participação de Jessica Biel.
 Na trama Nicolas Cage é Cris Johnson, um cara normal que nasceu com a habilidade de prever o futuro 2 minutos além. Durante todo o filme vemos uma perseguição a Cris e uma série de erros que fizeram com que o filme fosse uma das desgraças de Hollywood.
  Cage foi muito criticado por esse trabalho, as críticas especializadas falam que ele vinha de uma série de fracassos, como "O Sacrifício" e "Motoqueiro Fantasma", não ouso ser tão severo, acredito mais que Cage simplesmente não ousou nesse trabalho, foi o mesmo Nicolas Cage que é em vários outros filmes e não conseguiu imprimir nenhuma característica do personagem que sobrepussesse sua imagem. 
 No desenrolar do filme, há uma incoerência enorme que contribui para seu fracasso. Não temos uma apresentação breve do passado do personagem e o filme parece que de uma hora para outra decide colocar suas idéias que foram apresentadas no sketch de pré-produção, temos o amor da vida de Cris que aparece do nada e com uma única noite se apaixona profundamente por ele, terroristas que sem a menor apresentação resolvem detonar uma ogiva nuclear em plena Los Angeles, não me perguntem o motivo pois esse também não foi explicado e uma ampliação instantânea dos poderes de Cris também sem explicação.
 Uma coisa que devo concordar com a crítica especializada é que Nicolas Cage já passou da idade de interpretar o mocinho, ele pode muito bem bancar um bom galã, mas chega a parecer ridículo ao lado de Jessica Biel, não há contraste, cada filme ele aparece mais careca e tentam esconder isso com penteados ou apliques, acho que passou da hora de aceitar o fato e trabalhar com o que se tem, o tal mocinho do filme não prende a platéia, pois de mocinho não tem nada.
 Com todas essas incoerências e com um final que parece "brincar com a inteligência" do espectador, só o que se salva é o trabalho de Juliane Moore, como uma agente do FBI que caça Cris para ajudar a encontrar a bomba, também tem seus exageros e uma referência a "Laranja Mecânica" que jamais poderia existir, mas trabalha bem e salva seu papel. 
 É bem provável que "O Vidente" teve um roteirista em crise, pois conforme conferi, o autor do qual se inspiraram para fazer o filme também inspirou "Minority Report", então o autor em sí deve ser muito bom, mas infelizmente o roteirista e toda equipe que trabalhou no filme pecou muito, por essas coisas que digo que não posso julgar a fundo o trabalho dos atores, acredito que principalmente no cinema, mais do que televisão e teatro, os atores e equipe são um conjunto que deve estar afinadíssimo para se obter um ótimo resultado final, e não é o que vemos nesse filme, vemos atores representando suas faces de sempre e erros que nos remetem a um filme de ação de 5ª categoria.
 Com efeitos pra lá de exagerados, "O Vidente" é um típico filme de Tela Quente que não merece lugar no seu final de semana!

domingo, 30 de maio de 2010

King Kong

"King Kong", de Peter Jackson.

Hoje tive a oportunidade de assistir a mais uma versão do clássico King Kong, dessa vez pela visão do super premiado Peter Jackson, diretor do clássico trash "Fome Animal" e da trilogia "Senhor Dos Anéis".
 Tive que dividir a minha opinião em várias partes, pois adorei em vários quesitos e em outros achei muito artificial. Quanto ao enredo do filme, dividi nas partes Ilha da Caveira e Nova Iorque; Em toda primeira parte, onde se passa toda aventura do grupo na ilha, achei de uma artificialidade e uma falta de sentido enorme, acho que pisaram na bola com a idéia dos dinossauros - sei que há em outras versões - mas o foco principal na parte da ilha pareciam ser os dinossauros, só eles que ganhavam a cena, salvo uma única cena onde o Kong luta com 3 Tiranossauros. Outro erro enorme é quase no fim dessa, onde quando os homens entram na selva com armas pesadas, em várias pessoas, existem perigos de todo lado, após morrerem quase todos e sobrar somente o mocinho para recuperar a donzela do kong, ele atravessa a selva quase que intacto, sem sofrer uma ameaça, muito falso.Isso é o que chamamos em aula de erros de lógica.
 Já a segunda parte foi boa, curta mas bem trabalhada, nada de novo que já não se tenha visto nos filmes do King Kong quando ele está em Nova Iorque, revolta, um macaco maluco correndo solto pela cidade até subir em um arranha-céu que normalmente é o Empire State Building e ser fuzilado por aviõezinhos do mal.
 Quanto ao trabalho dos atores, me surpreendi quando ví no elenco um dos atores que eu admiro e observo sempre ótimos trabalhos, Adrien Brody, esse cara é de uma versatilidade e profundidade incrível, acho que se parar e pensar nas palavras "verticalização de um personagem" vou ter ele como referência. Adrien é um dos destaques do filme e faz muito bem o papel de mocinho iludido que luta contra tudo e todos pelo seu amor. Outra surpresa foi ver Jack Black não fazendo piadas, tudo bem, ele trabalha uma linha engraçada mas muito longe do que estamos acostumados a pensar quando ouvimos falar de Jack Black, nesse filme ele interpreta um cineasta obcecado pelo seu filme, que deposita todas suas esperanças e arma tudo que pode para terminar o mesmo, é legal vê-lo em um papel que não seja um estúpido, gosto de conhecer as outras faces de atores e atrizes que estão acostumados a um estilo de papel. 
 Fiquei em dúvida se a fotografia do filme realmente merece créditos pois o filme é um matrix da vida, 90% digital, mas se não merecer um pontinho a mais pelo menos merece ser notada, é, digamos que, interessante.
 Esse é o tipo de filme que indico pra quem quer ver algo legal e enrolar o sono, pois tem 3 horas de duração, não chegam a ser 3 maravilhosas horas de tensão e emoção mas digamos que dá pra aguentar umas 2:50 antes de pegar no sono... :D
 Boa semana a todos!

domingo, 23 de maio de 2010

Cães De Aluguel

"Cães De Aluguel", de Quentin Tarantino;

 Tenho que começar dizendo que Cães De Aluguel é uma das idéias que eu mais gosto de cinema e sempre que posso paro e penso em algum roteiro que se encaixe nisso: pegar um cenário fixo, nesse caso um galpão onde se passa a história, ter poucas externas e um conteúdo dramático super bem bolado.
 Logo no início do filme fiquei empolgadíssimo, pois além de um elenco forte, tinha duas promessas, a de assistir ao primeiro filme de Quentin Tarantino na direção e a de ver ele mesmo no elenco, atuando! Tarantino faz uma pequena participação logo no início do filme, onde vemos os 7 mafiosos protagonistas da trama divagando sobre o significado da música "Like A Virgin" de Madonna, cult e nada óbvio, uma das marcas de Tarantino. O veterano Mr. White de Harvey Keitel, o misterioso Mr. Orange de Tim Roth, o falador Mr. Pink de Steve Buscemi, o sádico Mr. Blonde de Michael Madsen são fantásticos, conforme o filme anda vamos conhecendo um pouco de cada personagem através de flashback's que interferem em momentos que o clima pesa no galpão. O galpão é o ponto de encontro dos bandidos após um assalto a uma joalheria que acabou não dando certo pois a polícia já sabia - um dos bandidos era policial e avisou a polícia, que os esperou na saída, gerando um tiroteio e morte de alguns dos integrantes do grupo - os que conseguiram escapar foram para o galpão,  que agora é o palco de uma série de acusações sobre qual dos bandidos teria sido o traidor que avisou a polícia.
 Outra marca clássica de Tarantino no filme é o sangue. Sim! Há muito sangue no filme, não tanto quanto em Kill Bill mas o suficiente para umas poças no chão e para umas orelhas voarem, hehe... A violência presente no filme gerou uma revolução no modo como era retratada a violência nos filmes da época. Cães de Aluguel é um filme forte, intrigante, delicioso, agradável e com uma história consistente e o final não poderia ter sido melhor, sem dúvida um dos melhores filmes dos anos 90!

domingo, 2 de maio de 2010

P.S. Eu Te Amo

 "P.S. Eu Te Amo", de Richard LaGravenese.
 Ta aí um filme que eu queria ver há tempos, não só pelo fato de ter Hilary Swank, que já tem dois merecidos Oscar na estante, mas por Gerard Butler, o eterno Leônidas de 300, que vem me surpreendendo a cada filme que vejo. Já não acreditava quando o vi no Fantasma da Ópera, agora ele aparece na pele de um irlândes de meia idade super de bem com a vida.
 Os dois formam o casal protagonista da trama, um casal jovem, cheios de ambições e problemas, mas que ainda tem um amor maior que resolve tudo, o foco central se resume em mostrar a vida de Holly (Hilary) após a morte de seu marido Gerry (Gerard), visto que ele mesmo planejou tudo através de cartas para que ela conseguisse enfrentar e passar pelo período triste que é a perca de uma pessoa querida.
 Gerard aparece relativamente pouco no filme, mas sempre nas ocasiões mais dramáticas revelando um pouco de cada momento que deixou escrito nas suas cartas antes de morrer, é muito legal ver seu trabalho pois esse filme é o avesso de 300, onde ele era bruto e ignorante, aqui ele trabalha o lado romântico e faz muito bem feito, é com certeza o tipo de homem que qualquer mulher se apaixonaria, tem um carisma espetacular e uma sensualidade que domina, não falando em padrões estéticos, mas em padrões técnicos mesmo, ele sabe a hora de fechar algo mais tenso no olhar, a hora de ter liberdade de movimentos no plano, é tudo muito bem trabalhado.
 Hilary também não deixa pra trás, aliás, acho até que mais intenso o trabalho dela, pois além de trabalhar praticamente 75% do filme a tristeza e suas vertentes, ainda tinha que trabalhar sozinha, pois seu "marido" havia morrido, enquanto Gerard sempre tinha ela como partner de cena. Ela tem uma presença forte, que junto da trilha sonora, essa muito bem escolhida, com participações de grandes nomes como James Blunt, faz qualquer mocinha apaixonada chorar aos montes.
 Recomendo aos "casais quase perfeitos" esse filme e a todas pessoas que querem ver um outro lado do ator Gerard Butler. Boa semana!

sábado, 27 de março de 2010

A Cor Púrpura

 "A Cor Púrpura", dirigido por Steven Spielberg.

 Acho que um dos filmes mais dramáticos que já assisti, esse filme de 1985 pode ser facilmente considerado uma "obra-prima", tem um tema denso e muito bem trabalhado: o racismo, tem a estréia de Whoopy Goldberg no cinema, como a protagonista Célie, Oprah Winfrey como Sofia e Denny Glover como o Sinhô.
 Sempre que definem temas para filmes os diretores correm o risco de caírem em clichês, como sempre considero nas abordagens do blog, porém A Cor Púrpura foi muito além do exterior, melhor do que isso, teve um trabalho dramático tão profundo que talvez se fosse refeito nos dias de hoje não teria tamanha grandeza.
 O filme - baseado no romance da escritora americana Alice Walker - se passa no início do século nos estados unidos. A história remete ao passado que nossos avós e pais nos contam, com uma veracidade incrível, nos sentimos familiarizados com tudo que se passa. Nela temos Célie e sua irmã Nettie, irmãs muito ligadas afetivamente, que são separadas após uma série de fatores.
 Célie desde então passa por humilhações cruéis impostas pelo marido, o que não foi muito diferente de nossas avós, apanhavam e tinham no marido um exemplo de carrasco. Whoopy trabalha muitíssimo bem, ela tem uma densidade, um conflito interior tão grande, que choca em todo momento que o close fecha nela, conforme a sua personagem vai criando coragem no filme, ela cresce de tal maneira que nem parece ser a mesma do começo da história, incrível demais! O que me impressionou muito também e foi o motivo pelo qual procurei o filme, foi o fato de Oprah Winfrey estar no elenco, juro que não fazia idéia de que ela era atriz, mais do que isso, uma excelente atriz!!! O trabalho desenvolvido por ela no filme é fácilmente comparável ao de Jennifer Hudson em Dreamgirls, se não melhor.
 Por se tratar de um filme só de negões americanos é claro que não podia faltar música, é de se arrepiar as poucas vezes que Shug Avery canta um blues, típico!
 A visão feminista do filme é clara desde o começo, Célie manda cartas a Deus, comunica-se com ele, pois não podia sequer dirigir a palavra ao marido que já era motivo de sobra para agressão; descobre através da amante do marido - Shug - o que é compaixão; admira Sofia, mesmo mandando Harpo bater nela; sonha com a volta da irmã Nettie, sua última esperança de família e carinho.
 É triste ver a tamanha indiferença com que o marido a trata, deixando claro seu interesse nos seus ofícios domésticos e no sexo, nada além disso. É de uma animalidade tão grande que choca! Sim, choca, pois quando o Sinhô encontra sua amante vemos nele o oposto de como ele é com Célie, triste realidade que até hoje muitas mulheres ainda enfrentam.
 Dirigido por Steven Spielberg, o filme teve 10 indicações ao Oscar mas infelizmente não ganhou nenhum prêmio, 5 indicações ao Globo de Ouro, ganhando na categoria melhor atriz - drama.

domingo, 21 de março de 2010

"Contos Proibidos do Marquês de Sade"

"Contos Proibidos do Marquês de Sade", dirigido por Philip Kaufman.


 Bom, muitos só de lerem o título do filme já esperam algo chocante, pelo menos eu quando comprei o filme... E realmente tive! Diferente do que esperava, algo chapado, expresso ao extremo ou digamos que estereotipado.
  Felizmente a única coisa que não temos nos "Contos Proibidos do Marquês de Sade" são estereótipos, pelo contrário, temos arquétipos e uma história acima do próprio Marquês, temos as nossas histórias, a história do mundo que vive lutando contra a moral e os desejos mais profundos do ser humano, dos que vivem tentando manter a "normalidade" e escondendo os considerados "diferentes" da sociedade.
  Diferente da vida do verdadeiro Marquês de Sade, que acabou em um asilo, temos no filme o nosso Marquês em um sanatório, preso do mundo e livre somente a seus pensamentos e suas preciosas penas para escrever, preso do mundo mas livre do julgamento de morte por correr risco de virar um revolucionário. Estamos em plena época da revolução francesa, o rei e a sociedade chocam-se com os escritos do Marquês, que escreve sobre as maiores perversões humanas, sexo, falsidade, jogos.... Sade era incrível, horas brilhante e sensível, horas egoísta e demoníaco. Tão contraditório quanto atual! Os personagens do filme são os personagens das nossas vidas, nós somos Sade, nós somos o padre bonzinho, nós somos o médico-monstro, nós somos a lavadeira virgem fascinada pelo desconhecido, com tanta vontade de viver e de amar que é capaz de desobedecer as regras e manter Sade produzindo, porque a sua ficção representa a vida, enquanto o sanatório representa a morte. Esse desconhecido que motiva cada um dos personagens é o desconhecido que nos motiva, agimos por impulsos, por natureza, assim como Sade, que momento algum negou suas intenções ou impulsos, apenas citava: "É apenas ficção!" mas não deixava de expressar o mais profundo desejo humano seja ele mais perverso que fosse. Assim como todos personagens tambem faziam. Sade via nos seus escritos uma libertação do tormento que o assolava e da razão que o fazia enchergar além do catolicismo pregado pelo Padre diretor do sanatório.
  Ví críticas sobre o filme não ser tão sádico quanto o sentido da palavra, mas desconsidero-as pois acredito que se passasse do ponto que foi feito já seria exagero, o filme tem como essência a mensagem, a história e o impacto que ambas causam no espectador, não pornografia e crueldade.
 O incrível embate dessas tantas personalidades junto com suas ambições e crenças leva o filme a patamares invejáveis, é incrível como conseguiu ser um filme comercial com um elenco hollywoodiano sem perder sua essência.
 Após assistirmos o filme é interessante parar para analisar, Sade não defendia justamente a falta de moral? Então não seria ele o espelho da mesma, logo fazendo sentido a presença da moral? Interessante não? Pois é, só sei que o Marquês está dentro de nós... E quer escrever! Maldito! Ele quer escrever... 

sexta-feira, 12 de março de 2010

My Fair Lady

"My Fair Lady", de George Cukor.

 Um musical que surpreende, do início ao fim, sem dúvidas!
 Temos aqui um musical de 1964, época em que os musicais começavam a ficar massantes por seu formato. Os estúdios Warner fizeram a mais pomposa de suas apostas e faturaram alto com "My Fair Lady", foi vencedor em 8 prêmios Oscar, 3 prêmios Globo de Ouro, 1 NYFCC Award e ocupa atualmente a 8ª posição na lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos.
 No filme temos a história de Eliza Doolittle, uma florista de rua que trabalha por centavos vendendo violetas e acaba conhecendo Henry Higgins, um renomado professor de fonética que tem uma capacidade incrível de identificar as pessoas por suas vozes. Através de uma aposta proposta por um amigo, Higgins tem 6 meses para transformar aquela garota que praticamente é uma mendiga vulgar em uma dama da mais alta classe.
 A comédia reina o tempo todo, Eliza, interpretada por Audrey Hepburn, é super temperamental e histérica, mas tem um toque de boa moça que dá um ar cômico gostoso as suas discussões com o professor Higgins. Cenários bonitos e bem trabalhados nos fazem até pensar que esse filme pudera ter sido gravado em 1980 ou algo em torno disso, a qualidade é de tal tamanho que fiquei surpreso quando lí a ficha técnica do filme e ví se tratar de 1964. O enredo do filme não foge muito do desafio proposto ao professor e o desenrolar do progresso de Eliza. O engraçado foram os detalhes propostos, que de tão minimalitas passam quase despercebidos, desde a corrida de cavalos onde todo o cenário e o figurino de cena é composto de preto, branco e cinza - traduzindo perfeitamente a frieza das pessoas daquela época - até mesmo os sentimentos dos personagens, no filme todo não aparece uma única vez um "eu te amo" nem mesmo do garoto apaixonado por Eliza. Quando começamos a ter uma pequena noção de algum sentimento entre Eliza e o professor Higgins já nos damos por conta da última cena do filme e o mesmo acaba nessa incógnita dos dois.
 Ainda não acredito que aguentei duas horas e quarenta e três minutos assistindo o musical, tenho que enfatizar que é excelente mesmo, pois não tenho paciência nem para filmes de mais de uma hora e meia, quem dera para quase três horas então! E fiquei preso do começo ao fim do filme, enfeitiçado! Recomendo para quem assim como eu acha que os musicais antigos são todos monocordes, bobos e massantes, nos faz mudar de opinião, My Fair Lady é diferente, com toda certeza!
 Uma curiosidade: 
 Recusaram Julie Andrews (de A Noviça Rebelde), que protagonizara a peça na Broadway, pelo simples fato de ela ainda não ser muito conhecida, substituindo-a por Audrey Hepburn, um dos nomes mais consagrados de Hollywood. No fim, Julie Andrews levou a estatueta de Melhor Atriz por Mary Poppins, seu primeiro filme, enquanto que Audrey Hepburn nem sequer chegou a ser indicada.
 Rede Globo, fica a dica! :D

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Fita Branca

 "A Fita Branca", de Michael Haneke.
 Tive a recomendação de um amigo para ver esse filme e posso lhes dizer que me espantei e muito.
 A Fita Branca é um filme que impressiona em vários aspectos, ele intriga, assusta, joga idéias aos montes, de modo que o espectador mal tem tempo de juntá-las e compreender o sentido do filme. Logo no início na primeira narração já nos dão um dado importante - o que acontecerá naquele vilarejo, no início do século, seria de extrema importância para o entendimento do que aconteceria na Alemanha anos depois - ou seja, o nazismo, o holocausto.
 Mas o interessante é que o filme não cai no sentido documentário, ele procura explicar o modo de vida da época do outro lado da moeda, invés de serem contados, os fatos são vividos: início de século, um vilarejo pequeno com um barão que emprega metade da cidade, cultura opressora dos pais aos filhos, um autoritarismo extremo e uma sequência de eventos cruéis que ocorrem misteriosamente e causam medo na população local.
 Vemos no filme a vida de cinco famílias, do Barão, do Pastor, do Administrador, do Médico e de um Camponês, isso além dos personagens-chave que não podemos chamar de família por estrutura, mas formam as suas respectivas famílias também. O nome do filme deriva de uma fita branca que o Pastor amarra no braço de seus filhos, após açoitá-los por terem aprontado e comprometido a confiança que o pai lhes depositou, a fita branca significa pureza, que eles após o castigo voltariam a ser puros e usariam a fita amarrada consigo para sempre lembrarem-se do castigo e que agora eram puros. Assim como na família do Pastor, nas demais famílias os pais são muitíssimos agressivos e repreendem os filhos sempre de maneiras brutais, o que gera um sentimento de revolta incubado que mais tarde se entende, sendo que as crianças locais acabam por ser as principais suspeitas dos crimes ocorridos.
 Com as informações que temos no filme conseguimos entender o porque daquela geração de crianças mais tarde terem abraçado Hitler como seu pai, terem seguido seus ideais e feito tudo que fizeram, era a hora de aparecer os sintomas provocados por toda aquela revolta incubada anos atrás.
 Acho interessante também a resposta do diretor Michael Haneke quando falaram que o filme era um relato sobre o holocausto e o nazismo, sendo que essa interpretação em partes é errônea, o filme é um relato sobre o momento anterior, a crise e o autoritarismo extremo, após lermos a resposta podemos entender que o filme poderia ser feito sobre os dias de hoje.
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”
 Entenderam? Pois é, A Fita Branca faz pensar! Bom final de semana.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Segredo dos Seus Olhos

 Primeiro queria justificar a baixa frequência de postagens, como já disse anteriormente, venho lendo vários livros técnicos, mas agora entrou outro fator em jogo, o meu musical está para estreiar, então venho ensaiando como louco todos os dias e mal tenho tempo e cabeça para postar aqui, estou cheio de conteúdo e coisas novas que quero vir debater com todos, mas no momento não consigo fazer tudo ao mesmo tempo.

 O segredo dos seus olhos acho que foi o melhor filme que já ví esse ano, porque conquistou algo que eu sonho há muito tempo para o Brasil e infelizmente estamos longe de conseguir, que é ser um filme sul-americano, bem feito e com um enredo maravilhoso, nada de vários bandidos e marginais trocando tiros em favelas, quem me conhece sabe o quanto odeio isso e brigo contra, para mim cineastas como Sérgio Rezende e José Padilha perdem todo o respeito da minha parte por terem feito essas "merdas nacionais".
 O filme é muito bem bolado, não consegui perder o foco um minuto sequer e tudo que ví adorei, foi feito em película, coisa que pra mim não deveria mudar, pois toda qualidade de imagem do padrão internacional de cinema é a mesma da película, cinema digital dificilmente possui as câmeras adequadas para um resultado similar e quando possui não é no Brasil que vão usar.
 Com um enredo pequeno, porém monstruoso em questão de talento, o filme conta toda uma história de um ex-funcionário público, Benjamin Espósito (Ricardo Darin) que após a aposentadoria vira romancista e quer escrever sobre um caso que trabalhou muito tempo de sua vida e que tem consequências atuais na sua vida. A dramaturgia é incrível, não acontece nada do óbvio como sempre esperamos, pelo contrário, tudo que se desenrola no filme é muito bem pensado e engana o espectador até o momento de sua revelação. Além da indicação de melhor filme estrangeiro no Oscar, espero que o ator Guillermo Frandella, que interpreta Sandorval - o melhor amigo e companheiro de escritório do protagonista - receba indicações pelo melhor trabalho coadjuvante, sua interpretação é maravilhosa e ele trabalha numa linha muito perigosa e viciosa, que é a linha do bêbado, porém faz com uma magnitude e verdade que até seu último momento é maravilhosa e muito verossímel.
 Nunca gostei da Argentina, os hermanos sempre vão para a minha cidade no verão e destroem tudo por lá, mas a partir de agora lhes dou um crédito por terem feito o que eu sempre sonhei para o nosso cinema, Gracias Muchachos...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Anticristo

Anticristo, de Lars Von Trier. 
 
É um filme complicado, não dá pra começar sem esclarecer isso! Um filme que gerou um furor gigantesco, comentários e matérias, cria uma expectativa gigante pra quem ainda não viu... Aí mora o problema: o filme não corresponde às expectativas, mas sim um estudo sobre o seu contexto.
Ouvi muitos relatos sobre o filme mais polêmico do ano, um ótimo suspense, um ótimo terror, mas o que vi foi uma série de exageros e enigmas, encima de um tema, esse sim, muito polêmico.   
Acabei por dividir a opinião em duas partes, técnica e contextual.
A parte contextual é incrível, quanto mais você discute mais cria possibilidades sobre a história, quanto mais analiso a idéia de anticristo, cristianismo, idealismo, mais hipóteses iam surgindo. É interessante o filme tratar da inquisição, sobre a natureza e sua maldade, o modo como a mulher se auto-flagelava para se redimir dos pecados, até aceitar que a natureza é má, esquecer os princípios mesmo que por um pequeno período, aceitá-los, sentir-se curada e voltar a paranóia cristã de sofra para alcançar a paz novamente. O significado da bruxaria, sobre a qual a mulher formulou sua tese. Se entendermos esses símbolos conseguimos entender um pouco da base da história, o veado com o filho morto seria o animal caça, medroso, sensível, que foge, como a mulher em um senso geral, e interrompido pois tem seu filho morto meio-nascido. O legal desses três fatores é que cada um antecede um medo a ser superado, nesse caso a fêmea e seu filho morto, que no capítulo posterior será superado. A natureza auto-destrutiva é o que se explica no próprio filme, a totalidade, a natureza que cria a vida e a destrói a partir de si mesmo, por isso da raposa, um animal carnívoro, comendo a si mesmo. Essa visão se liga a descoberta do marido sobre os estudos da mulher, bruxaria e genocídio. Essa por sua vez por lidar ao mesmo tempo com esses estudos e com o abandono do marido, começou a deixar aflorar em si mesma a “natureza má” das mulheres e aí começa a maltratar o próprio filho, isso significava para ela a totalidade da natureza, a causa da maldade que se fazia as mulheres naquela época estava nelas mesmas. Aí entra uma dúvida, se os maltratos ao garoto eram um modo de descontar o sentimento de abandono e destruir-se a si mesma ou uma mulher de natureza má dando o troco ao lado masculino do marido por meio do filho. Já o corvo tem a meu ver o homem, o homem nada mais é do que o Adão da história, o grande EU que estava no topo da pirâmide, a razão, ou seja, o corvo significa o auto relacionar-se consigo mesmo, para entendê-lo precisei recorrer ao poema de Edgar Allan Poe: “Ele experimenta um prazer frenético em modelar de tal formas seus questionamentos para que receba do esperado “Nunca-mais” o mais delicioso, porque o mais intolerável, dos sofrimentos.”, e era justamente o que o homem queria ouvir quando o corvo apareceu pela primeira vez, nunca mais, ele queria a fuga da mulher, que ele amava mas temia, ela era o seu contraponto, a sua falta de razão e natureza assassina, mas ele entendeu a primeira aparição como ameaça, somente na segunda é que ele compreendeu seu significado, se auto-relacionou e libertou-se de sua inconsciência assassina, a mulher. Num resumo, em primeiro lugar os gritos do corvo são o motivo de quase a inconsciência assassinar o homem, em segundo são o motivo de o homem assassinar a inconsciência. Quanto mais se analisa mais se vê o homem como o anticristo, ao contrário da primeira opinião que num consenso geral é a mulher.
Porém na parte técnica não consigo ter uma classificação pessoal específica para o filme, pois o que vi foi uma série de truques para chegar a um efeito, como se criassem um filme estereótipo... Divisão de capítulos, prólogo, epílogo, morte, dor, pra que tudo isso? Pra mostrar que o filme é sofrido, pesado? Acho que se fosse bom, não precisaria, nunca vi um “O Exorcista” com prólogos, epílogos e divisões assim. Até o trabalho dos atores, o qual deu a atriz Charlotte Gainsbourg o prêmio de melhor atriz em Cannes, não me contentou, gostei de ver pontos que trabalhamos na montagem de personagens, como o invisível, que lhe ajudou a fazer a personagem tão sofrida quanto era, a buscar algo que lhe concebesse tamanha dor. E o ponto de criar muitas coisas distantes, como um professor meu falou, coisas inverossímeis, como a hora que o ator Willem Dafoe desmaia após teu seus órgãos baixos esmagados, uma situação de desmaio, com certeza, mas não a tamanho ponto que ele teria sua perna perfurada pouco depois, parafusada a uma pedra de afiar e não acordaria gritando ou entraria em convulsão por estado de choque, isso sem contar à hora que Charlotte corta seu clitóris, extremamente simples, como cortar uma unha pelo jeito...
Acho que não teria como analisar um lado e deixar o outro de fora, pois a idéia foi muito bem formulada, talvez o modo como foi expressado não tenha sido tão bem pensado, ou tenha sido bem pensado demais para fazer as pessoas chegarem a um ponto como este que fiz, um estudo encima do mesmo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

R.E.N.T. - Os Boêmios

 Ufa, finalmente sobrou um tempinho! E nada melhor do que falar sobre o RENT, meu musical preferido em todos aspectos!

 Acho que Rent foi um dos musicais que mais me despertou a curiosidade de estudá-lo, é complexo de tal modo que quanto mais informações você encontra, mais informações você precisa para complementá-las e compreender todo o contexto.
 Rent trata de uma polêmica forte na época em que se passa o filme, a aids, e cria todo um drama trágico encima desse tema. Musicalmente falando, tanto as composições para personagens como para momentos fecham 100%, é uma coisa de louco! Se analisarmos a história de cada personagem, veremos que sua voz é 100% de acordo com sua história, sua psique, exemplo: Maureen, com todo seu comportamento ousado, seu estilo sapa-pega-todas, tem a voz concordante, aquela voz estridente, aguda de puta pobre, e é exatamente a personagem, e Collins então, o negro evangélico criado no bronks, acostumado a corais de igreja e a muita repressão, sua voz é outro exemplo de como o filme foi trabalhado pedaço por pedaço sem esquecer de nada, a voz grave, ovalada, condiz exatamente com o personagem Collins.
  Como falei de vozes tenho que falar também das músicas, e são essas a marca forte de Rent, nada de músicas copiadas de algum lugar, como Moulin Rouge, são composições originais que transmitem a mensagem do filme e suas respectivas situações com uma exatidão inigualável. Se falarmos de qualquer música lembraremos de um personagem específico, do momento específico, tudo foi trabalhado aos mínimos detalhes.
 Adorei todo o filme, todos atores são excelentes, com destaque para Wilson Jermaine Heredia, que interpreta a drag queen Angel, seu trabalho ultrapassa qualquer outro trabalho de ator fazendo um transformista, a perfeição que Wilson passa com a Angel é algo fora do normal, muito emocionante. 
 O musical Rent ficou 12 anos em cartaz na Broadway, e o filme foi lançado em 2006, para comemorar os 10 anos da estréia da peça.
 Termino a postagem com a música tema do filme, Seasons Of Love, boa quinta-feira!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinema Paradiso

 "Cinema Paradiso" de Giuseppe Tornatore.

 Está aí um filme que eu considero clássico, maravilhoso e muito emocionante! Acho que Cinema Paradiso foi até hoje um dos melhores presentes que eu ganhei, não sei descrever ao certo a sensação que é assistir esse filme de tão tocante que ele é.
 Tenho que começar falando que Cinema Paradiso não é americano, é italiano! Só isso já vale uns 3 pontos numa escala de 5! O filme conta a história de Salvatore di Vita, um cineasta que vive em roma e logo no início do filme atende uma ligação de sua mãe avisando que "Alfredo" está morto. O filme então desenrola-se nas lembranças do passado de Salvatore, o qual era um garotinho humilde que sonhava em ser projetista de cinema e vivia acompanhando o projetista do cinema-igreja de sua cidade, isso mesmo, cinema-igreja, o cinema era improvisado numa igreja e todos filmes eram censurados em certas partes pelo padre antes de serem apresentados. Após um grande incêndio que destruiu o cinema, Alfredo fica cego e todos imaginam que o cinema acabou, fato que não acontece pois um morador da cidade ganha na loteria e reconstrói o cine paradiso. Só que agora Alfredo não pode mais trabalhar e quem assume é Salvatore. Daí pra frente Salvatore vive bons tempos até que se apaixona por uma garota, tem seu amor frustrado, serve o exército e depois decide abandonar a sua cidadela, jurando ao seu amigo Alfredo nunca mais voltar a por os pés lá.
 Desconheço o ator que fez Salvatore na sua infância, Salvatore Cascio, mas nem por isso tiro créditos do trabalho do garoto, penso que na época que o filme foi filmado e ainda por cima por se tratar de itália, o trabalho dele é melhor do que de muitos atores de hoje em dia, até me instiga saber quais métodos o garoto usou na sua abordagem.
 O filme recebeu o Oscar de "Melhor filme estrangeiro", o Globo de Ouro também por "Melhor filme estrangeiro", o "Grande Prêmio do Júri" e a "Palma de Ouro" no Festival de Cannes e mais um monte de prêmios de menor escala.
Uma curiosidade do filme: O diretor, Giuseppe Tornatore, fez o filme como um obituário das salas de cinema, acreditando que elas iriam acabar, após o sucesso do filme ele nunca mais comentou sobre isso.

Moulin Rouge

 Moulin Rouge, Amor em Vermelho.


 Esse é mais um dos filmes que eu listo como obrigatório! Tanto para quem gosta de musicais como para quem gosta de romances, o filme é um misto dos dois muito bem feito. Estrelado por Ewan McGregor e Nicole Kidman, já é de se esperar um trabalho esplêndido e é justamente o que os dois nos mostram. O elenco variado que os acompanha nos dá um ar de um verdadeiro "conto romântico", com direito a todos os tipos, situações e peripécias que acontecem em todo romance. 
 No filme Ewan é um poeta que briga com o pai para mudar para Montmartre, uma zona bohêmia de paris, onde fica o bordel - clube de dança Moulin Rouge, onde ele conhece Satine, a cortesã do local. Daí por diante o romance dos dois desenvolve-se a medida de que os problemas são colocados no seu caminho, e tudo isso claro com uma musicalidade incrível, Ewan tem um timbre bonito e canta músicas muito boas também, como "Your Song" do Elton John, entre outras e até mesmo um medley com várias músicas super conhecidas.
 Quanto ao trabalho dos dois, Ewan e Nicole, não há dúvidas a se levantar, fizeram muito bem feito e junto com o conjunto final, que agrupa toda equipe envolvida no filme, resultou em 6 indicações ao Oscar, ganhando em 2.
 Minha única decepção é que Moulin Rouge não tenha sido levado a Broadway, não sei o motivo mas acredito que deve ser algo relacionado aos direitos autorais de todas músicas, pois todas presentes no filme já eram bem conhecidas.
 Bom pra assistir, se emocionar e até para cantar! Recomendadíssimo!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Procura Da Felicidade

 O filme que consolidou Will Smith como um dos meus ídolos, vinha acompanhando os trabalhos dele há um tempo mas depois de ver esse filme passei a ter total admiração pelo cara.

 Quem conhece um pouco sobre a carreira de Will Smith, sabe que ele tem uma veia cômica e praticamente fixou sua imagem encima do doidão de "Um Maluco No Pedaço" e do agente J de "MIB - Men In Black". Desde então ele vem trabalhando em outros gêneros e surpreendendo pela sua atuação quase sempre impecável. É o que pode-se notar em "Eu, Robô" e "Eu Sou A Lenda", e que agora fica praticamente incontestável, Will Smith não é mais o bobão de seriados americanos, e sim um ótimo ator!
 É incrível como Will demonstra todo o sentimento de impotência e culpa que o seu personagem Chris sente. Ele trabalha totalmente contido, o que é muito mais difícil, pois é mais fácil de cair numa linha monótona, e surpreende muito! Merece ainda mais crédito pois seu partner de cena em praticamente todo o filme é um garoto de 5 anos, seu filho Jaden Smith, o que gera uma tensão e uma dificuldade maior na concepção da cena, tanto pelo fato de lidar com uma criança quanto pela ligação dos dois, o que poderia ter gerado um conforto ao garoto, e prejudicado o trabalho de Will.
 Chris Gardner, interpretado por Will Smith, é um pai de família que vive um momento de crise financeira, após seu casamento com Linda (Thandie Newton), ele investiu a poupança dos dois em um aparelho médico que foi dado inicialmente como incrível e um mês depois como ultrapassado, um fracasso da tecnologia médica, e agora é o motivo da tensão que vive o casal e seu filho, Christopher (Jaden Smith), por mais que Chris corra e vire o dia tentando vender o aparelho não há quem queira comprá-lo e as contas cada dia pesam mais.
 Por mais que Chris se esforce muito, chega um momento que sua mulher Linda decide partir para outra cidade trabalhar, e deixa Chris com seu filho Christopher. Eis que a situação piora, agora além de tudo Chris tem mais responsabilidades com o filho de apenas 5 anos.
 Chris batalha muito e se inscreve num programa de estagiário da bolsa de valores, nesse meio tempo dedica-se a vender os aparelhos que restaram para sobreviver, estudar para a prova final e conseguir futuros clientes para a corretora que irá trabalhar. A situação piora ao ponto de Chris e Christopher mudarem-se para abrigos de mendigos da prefeitura, banheiros e estações de metrô. 
 A história comove, mas ao fim mostra o amor que um pai tem pelo filho, a força e a superação que o amor aos nossos sonhos nos dá e serve de lição as pessoas que muito tem e acabam por reclamar sem nem ter motivos. Melhor que um filme de auto-ajuda esse filme é sim um filme de auto-conhecimento, nos põe no nosso lugar e mostra que devemos as vezes pensar com o Chris que há dentro de nós.

Footloose


  É um filme que não me gerou uma grande tensão, um enredo simples e nada de grande trabalho por parte dos atores, quem ganha destaque é o coreógrafo que montou as coreografias do filme, mas por parte do elenco posso até dizer que é tão manjado quanto Grease, bem superficial, o que o Kevin Bacon tem de bom os outros atores tem de superficial, sendo assim há um contraste, mas nada que o tire da linha mediana como qualquer filme.
 O filme conta a história de Ren McCormick, interpretado por Kevin Bacon. Ren foi criado na cidade grande e muda-se para uma cidade do interior que não é muito bem evoluída e é cuidadosamente administrada pelo padre Shaw Moore, que proibiu a dança, músicas e bailes alegando que os mesmos são rituais do demônio.
 Conforme o filme desenrola e o jogo vai ficando limpo descobre-se que o padre Moore luta pelas proibições desde que seu filho morreu, em virtude de um acidente em um agito de formatura. Cabe a Ren mobilizar os estudantes e lutar por um baile de formatura, coisa que não é fácil pois muitas pessoas influentes estão do lado do padre Moore e fazem de tudo para fechar o caminho do rapaz.
 Indicado ao Oscar pelas canções Footloose e Let's Hear It For The Boy, concorrendo na categoria melhor canção original.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cadillac Records

O último antes da minha soneca, afinal são 05:25 da madrugada e eu ainda estou acordado.
Pra terminar essa sequência guardei o melhor, um musical claro, com uma cantora/atriz que vem sendo destaque em tudo que faz, e quando digo tudo não é exagero, ela simplesmente bota pra quebrar with everything!
Estou falando do “Cadillac Records”, com a Beyoncé e o Adrien Brody, do filme “O Pianista”, outro grande ator da atualidade.

O filme é biográfico, conta a história da gravadora, da era musical dos anos 40 até o final dos anos 60, e conta também a história das grandes personalidades que passaram lá, o executivo Leornad Chess, interpretado por Adrien, e o incrível Muddy Watters, interpretado por Jeffrey Wright, outro ator maravilhoso também.
É uma história emocionante, pois se trata da história de vida de um judeu pobre e um negro lavrador, mais pobre ainda, nos estados unidos em 1940, época que a segregação falava alto!
Toda história se desenrola na vida dos dois, os sonhos da música, os altos e baixos, novos lançamentos, aquela velha história do sucesso musical, muito sexo, drogas e rock’n roll, ou nesse caso, blues :D hehehe
O filme marca pela atuação, pela sinceridade e os trejeitos de cada personagem, me chamou muito atenção assim como no livro do Górki, cada um deles tinha uma linha, um trejeito, algo que denunciava a sua personalidade, e era justamente esse trejeito que levava eles ao sucesso ou a falência, picos que no mundo musical da época eram extremamente grandes.
Nesse filme a Beyonce fez uma participação, mas nem por isso deixou de mandar muito bem, ví o making off depois e ela conta toda história do seu trabalho para montar a gigante Etta James.
O filme fala das grandes personalidades negras da época, Muddy Watters, Chuck Berry, Willie Dixon, Howlin’ Wolf, Little Walter entre outros.
Por ser biográfico também não preciso nem recomendar não é? É obrigatório!

Hairspray

HAIRSPRAY!

Poxa vida, que feio, comprei esse dvd e levei uns 3 mêses pra assistir, todo dia me enrolava, e sabem de uma? Eu que estava perdendo! É simplesmente maravilhoso!!!
Curti muito, um musical legal, animado, com um elenco bom,  no geral um trabalho muito bom. As vezes formam elencos maravilhosos e pecam no enredo, ou o contrário, já no caso do Hairspray não posso dizer isso, está tudo fechando.
O que eu mais curti no filme foi sem dúvida o John Travolta como a mãe da Tracy, ficou praticamente irreconhecível, tanto que só fiquei sabendo que era ele porque um amigo me falou, pra mim era uma big momma de primeira mesmo hahahaha
Merece atenção também a grande Queen Latifah, ví ela no Chicago e no clipe Lady Marmalade do Moulin Rouge, e estava louco pra vê-la em ação de novo, nesse filme ela não deixou por menos!
O filme conta toda trajetória do sonho de uma garotinha digamos que “gordinha” que sonha em dançar num programa de tv, o programa do ciclope, auhauhauhauhauahuah FALEI!… Tá bom, o Corny Collins Show, é que o ator que faz o Corny é James Marsden, o ciclope do x-men. Voltando ao filme, essa garota vê a sua oportunidade quando uma menina do elenco de dançarinas anuncia que vai sair do programa e abrem testes para uma nova dançarina. A história se desenrola toda com base na aventura que a gordinha Tracy Turnblad vive, desde os testes até o concurso final da miss Hairspray.
Se fosse só pelo Travolta já valeria a pena, com todo esse elenco incrível junto, é mais que obrigatório. Recomendo! (y)