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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cloaca!

Cloaca!, de Maria Goos.
Cloaca é excelente! Não tem outro termo que venha designar tão bem o que é essa peça! Escrita pela autora holandesa Maria Goos, Cloaca é uma verdadeira análise sobre o mundo masculino e seus variados objetivos. Na peça a autora conta a história de quatro amigos que se conheceram na época de faculdade e reencontram-se 18 anos depois, todos já quarentões, cada um com um caminho trilhado e problemas pessoais.
A peça nos dá uma boa idéia do universo masculino, quais são os verdadeiros interesses dos homens, o que os mesmos fazem para alcançar seus objetivos e como tratam seus semelhantes e companheiros. Podemos dizer que todo o contexto se resume em uma crítica, tanto que a única aparição feminina na peça é realizada por uma prostituta.
A peça conta a história de Pieter (Tony Giusti), um funcionário público que apropriou-se de obras de arte descartadas pela prefeitura, Jan (André Garolli), um político recém chutado de casa, Tom (Dalton Vigh), um advogado fracassado viciado em cocaína e Maarten (Brian Penido Ross), um diretor de teatro não muito bem sucedido.
Todos empenham-se em ajudar o amigo Pieter e resolver o problema familiar de Jan, aí entra o contexto de uma opinião feminina sobre o mundo masculino, esse meio tempo de ajudas um ao outro foca justamente nos principais problemas do homem seja como funcionário, patrão, marido, bohêmio... É uma crítica pesada e boa ao modo "simples" como o homem resolve seus problemas, pois não envolve seu lado emocional, Jan está de aniversário e fora de casa? Os amigos chamam uma prostituta. Maarteen tem a filha de Jan 18 anos mais nova no seu elenco e não hesita em transar com ela. Tom foge de seus problemas recorrendo a cocaína. Pieter não sabe como resolver seu problema, recorre aos amigos. Todos modos simples e sem muito peso ou consciência na hora de serem decididos, exceto por Pieter, o mais sentimental claro. A peça corre bem, chega a levar o espectador a pensar que o problema será resolvido, que Pieter terá a posse dos quadros e que todos terão um final feliz, até que chega Jan novamente e mostra o quanto a aspiração ao poder cega o homem, ele conseguira um cargo de ministro da cultura e não poderia se envolver no caso do amigo, o que ele faz então? Simplesmente abandona os antigos parceiros e com isso mata o sonho de conseguirem ganhar a causa. Daí em diante seguem-se problemas e novamente vemos o modo fácil de pensar do homem para resolver seus problemas, álcool, drogas e o suicídio.
 Fim! Simples assim, como um pensamento masculino, porém mostrando muitas vertentes do comportamento do homem e como sua ambição o destrói. Como tinha falado no início, é isso! Cloaca é excelente!  
 Sobre a questão técnica não tem muito a ser citado, a produção está fantástica, sem exageros nem falta de componentes, nada é demais, os atores são ótimos, levam muito bem seu papel até o fim e não transparecem artificialidade, exceto por Tony Giusti que interpreta Pieter, ele exerce muito bem o papel, porém seu modo de falar irrita, ninguém vai ao teatro para ouvir uma coloquialidade extrema do século passado, mas Tony insistiu a peça toda em seu modo coloquial, talvez pela história do personagem, formado em história da arte ou talvez por seu modo de atuar mesmo, fator indefinido e fato esse que foi o único inconveniente ao meu ver.
É isso, resumindo daria uma nota 10 pra peça, CLOACA!