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quarta-feira, 28 de março de 2012

Judy Garland - O Fim do Arco Íris

 Tive o prazer de assistir a última apresentação de Judy Garland aqui no Rio. A qual comento agora com vocês.


Judy Garland não é uma biografia narrativa como tantas outras, não tem a obrigação de ser didática muito menos educada com o espectador, é uma peça que simplesmente lhe convida para um passeio nos últimos dias de Judy Garland, considerada por muitos uma das maiores estrelas cantoras da "Era de Ouro" de Hollywood.
Com uma produção proporcional a estrela que protagoniza, Charles Moeller e Claudio Botelho acertaram mais uma vez, o espetáculo foi o segundo com mais indicações ao Prêmio Shell de Teatro. Tudo em Judy Garland funciona em perfeita sintonia, atores, luz, som, cenário, músicas... É um espetáculo de fato!
 Sem grandes dramas introdutivos ou qualquer estrutura clichê de musical com aquela primeira musica inicial, seguido de cena/música, cena/música, aqui temos um bom drama, aonde os momentos musicais são reduzidos em número, mas grandes em qualidade. Podemos ver de fato uma PEÇA, o que tem sido raro ultimamente, espetáculos musicais tendem a pender mais para a vertente "show espetacular" e esquecer a parte "teatro", fato esse que Moeller e Botelho tem salvo muito bem, vide "O Despertar da Primavera".
 Claudia Netto brilha como Judy, ela é uma atriz de qualidade gigantesca, tanto dramática como vocal, e nos emociona a cada entrada inusitada de Judy em seus mais ambíguos estados psicológicos. Com parceiros de tamanha grandeza - Igor Rickli e Francisco Cuoco - temos a mais franca e intensa trocação em cena, nada de exageros ou momentos desiguais, cada um completa o outro e o resultado é claro nos olhos dos espectadores, não há quem desgrude o foco da cena um minuto sequer.
 Cuoco, que já vem rotulado por seus trabalhos televisivos mostra uma vertente totalmente contrária e maravilhosa de seu trabalho, sendo um coadjuvante, substituto, generoso, artista! Anthony - seu personagem - emociona, diverte e narra quase que diretamente o desfecho da protagonista com todo carinho que se pode ter ao assunto. Ele cativa tanto Judy como o público, virando o confidente de ambos.
 Rickli também é gigante, contraponto de Judy e Anthony, cabe a ele ser a mão que bate e que ajuda, dando a continuidade a história e garantindo seu brilho ao lado dessas duas feras. Seu trabalho é cuidadoso, intenso, ele e Cuoco excitam a platéia em cada discussão, e isso é bom! O que precisamos é disso, trocas, seja em cena como com o público, ponto mais que merecido para os três.
 Com um cenário maravilhoso, cuidadoso aos detalhes, forte e impactante, temos a parte "espetáculo", o último show de Judy, o "The Talk Of The Town" surge repentinamente em cena e sua grandeza e sutileza encantam, é possível se sentir dentro dos palcos e shows antigos e delirar com as incríveis musicas que Judy nos apresenta.
 Vendo um contexto geral, o que parece é que esse espetáculo foi feito com todo carinho possível aos detalhes, como se fosse um presente. Talvez um sonho antigo do diretor ou um meio de se mostrar que no Brasil também podemos criar obras primas, mas o que não pode se deixar de perceber é isso, os detalhes, os detalhes de cada ator, de cada objeto de cena, de cada acorde tocado, Judy Garland ganha o público por ser poético, delicado mas avassalador. Tal como o furacão que leva Dorothy a um mundo que ela nunca ouviu falar, Judy nos leva a um outro patamar de observação, sentir e emocionar.

domingo, 27 de junho de 2010

"Olhe para trás com raiva", de John Osborne por Ulysses Cruz

 "Olhe para trás com raiva", de John Osborne, dirigido por Ulysses Cruz e adaptação de texto por Marcos Daud.

 Um drama intenso e bem elaborado, é isso que Ulysses Cruz nos oferece de bandeja através dessa excelente adaptação de Look Back In Anger. Temos uma peça realista e densa do início ao fim, onde os conflitos principais dos personagens não batem de frente com antagonistas como de praxe nos milhares de dramas espalhados pela cena teatral. Os conflitos estabelecidos na peça são de modo geral contra a época, a Inglaterra pós-guerra que encerrava qualquer plano de jovens dotados de talento e ambição de realizar-se.
 Conhecemos o protagonista Jimmy Porter (Sérgio Abreu), um cara pra lá de revoltado que desenha muito bem esse sentimento de impotência contra o sistema, que parece lhe acorrentar desde pequeno e lhe mostrar as piores dores do mundo logo cedo. Jimmy tem consigo sua esposa Alisson (Karen Coelho), seu amigo Cliff (Thiago Mendonça) e a amiga de Alisson Helena (Maria Manoella), outros personagens - "tipos" - que nos retratam essa mesma impotência mas de outro ângulo.
 Sérgio Abreu merece os parabéns pelo excelente Jimmy, o ator trabalha a revolta e impotência do  mesmo sem exagerar, ele nos joga a sua realidade na época, discutindo consigo como se discutisse com a platéia seus questionamentos sobre o futuro do homem e seus sonhos, e o próprio decorrer das cenas o corta e nos faz perceber que nada que fosse feito mudaria, que essa é a realidade dele. Thiago Mendonça também trabalha bem, seu Cliff já aceita mais a realidade, sabe da sua ignorância e de certo modo parece gostar um pouco da vida, como ele mesmo diz, é um "amortecedor"  das brigas que acontecem entre Jimmy e Alisson e pouco mais anseia do que isso, só perto do fim da peça que vemos Cliff indo embora e tentando viver sozinho.
 No decorrer da peça vemos a história como se fossemos parte da mesma, em meio a cenas na platéia e questionamentos feitos por Jimmy que nos tiram da zona de conforto e nos fazem pensar muito, nos vemos também impossibilitados de agir, vemos que a peça avança e que os personagens parecem não se libertar daquela prisão que os rodeia, tanto que a peça não é uma espécie de folhetim que leva o bem contra o mal e o bem acaba vencendo, no fim as coisas estão no mesmo ponto do começo. Acontecimentos relevantes se sucedem ao decorrer da mesma mas no fim a peça parece não ter saído do lugar, os personagens continuam com seus mesmos destinos cruéis do início.
 Com um cenário impecável e uma produção pra lá de competente, "Olhe para trás com raiva" vale muito a pena, nos faz entender a história e olhar pra trás com muita raiva, fato! Mais um trabalho impecável de Ulysses Cruz e Marcos Daud, desde os meus tempos de Globe acompanho e quanto mais vejo mais anseio por ver, valeu o fim de semana, com certeza!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Profissão da Senhora Warren

"A Profissão da Senhora Warren", de George Bernard Shaw.

 Procurando estudos sobre a peça, achei a frase que define a peça inteira: "Conhecer o passado para entender o presente". E é justamente no mais profundo sentido da frase que podemos definir A Profissão da Senhora Warren, uma das grandes peças de George Bernard Shaw que contribuíram para seu patamar de um dos maiores escritores do século XX.
 Assim como Brecht, Shaw trabalha uma crítica irreverente ao sistema e ampla em sua análise, porém satírica, não dramática a último grau mas também não escrachada. Vemos isso claramente nessa peça, que tem um tema até que não tão denso, uma mãe que forma uma filha nos centros educacionais elitistas de seu país, quase não convive com a mesma e forma um comportamento independente na garota, independente e um tanto quanto arrogante, até que vem a tona a origem do dinheiro que financiava a filha, uma rede de prostíbulos que a mãe mantém.
 Durante toda a peça mãe e filha tentam justificar seus pontos de vista e decisões, a mãe quer de todo modo explicar que não teve outra oportunidade na vida, que era aquilo ou viver como uma empregada ganhando trocados que mal dariam para comer, crítica pesada ao modo como eram tratadas as mulheres da época, ou ladies finas ou escravas operárias. Já a filha, durona e insensível, faz a linha mulher moderna, independente de sentimentos, trabalhadora ávida, a mulher que paga suas contas e não deve nada ao mundo, que faz jus a sua posição no concurso de cambridge e não exige nada mais do que consideração a isso e não-convecionalismos cotidianos de seus pretendentes e pessoas que a rodeiam, ojerizando cada vez mais a mãe enquanto seus tantos pretendentes revelam o passado dela.
 Dizem que a Irlanda, a primeira colônia inglesa e que até hoje tem marcos de sua dominação, gerou uma condição marginalizada que servia como combustível a Shaw, que motivava sua criatividade e seu modo ácido de criticar os comportamentos com tamanha sátira. De tal acidez pude aproveitar e pesquisar umas frases incríveis que Shaw escreveu em sua vida:
“Se nosso pequeno mundo não nos permite compreender o grande mundo que nos rodeia e nos cerca, é porque ou somos medíocres ou não conseguimos entender coisa alguma da vida. Ou as duas coisas.”
“Tem gente que sonha com realizações importantes, e há quem vai lá e realiza.”
“Traduções são como mulheres. As bonitas não são fiéis. E as fiéis não são bonitas.”
“Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização.”
“O problema dos pobres é a pobreza; o dos ricos é a sua inutilidade.”
“Alguns homens vêem as coisas como são e dizem: por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: por que não?”
“Tudo o que faço é jornalismo, e nada que não seja jornalismo sobreviverá.”
*Frases retiradas do acervo do Portal Sesc SP.

Boa terça a todos!

quarta-feira, 17 de março de 2010

As Troianas - Vozes Da Guerra

"As Troianas - Vozes Da Guerra", livremente inspirada na peça "As Troianas" de Eurípedes, dirigida por Zé Henrique de Paula.

 Tive a oportunidade de ir ao Festival Ibero-Americano de Teatro semana passada e ver várias pérolas do teatro sul-americano e entre elas estava essa magnífica peça! "As Troianas" nos dá um paralelo entre a Guerra de Tróia e a Segunda Guerra Mundial de um modo muito diferente do rotineiro: um trabalho excepcional de corpo e um texto em ALEMÃO. É incrível como o não entendimento auditivo do texto não atrapalha em nada no entendimento da peça. Temos uma carga dramática muito bem trabalhada, uma história já conhecida e uma execução muito bem elaborada.
 Na peça vemos a história de um grupo de mulheres judias que são transportadas para um campo de concentração alemão e lá passam pelos piores sofrimentos do ser humano, desde o descaso até a privação dos direitos mais primitivos. As situações de cena são muito complexas - os atores praticamente não saem de cena um minuto - nos fazem refletir se há alguma esperança em um campo de concentração, a dor da opressão e crueldade das pessoas que tem o poder, o que é muito atual, infelizmente.  
 Existem vários fatores diferenciais da peça - além do texto em alemão - as mulheres troianas comunicam-se quase que todas as vezes pelo canto, quase sempre tristes, mas tambem a situação não permite outro estilo. Outra proposta muito difícil e que foi bem trabalhada na peça é a presença de uma criança em cena, temos uma criança vivendo a situação real, nada infantilizado ou ridículo como vemos em infantis e sim super dramático, a ponto da criança representar o filho de Heitor, o último dos troianos, ser morta para simbolizar o fim dos guerreiros troianos e termos seu corpo em cena caído enrolado em panos, inerte da morte até o fim da peça, difícil isso para uma criança.
 Dou os meus mais sinceros parabéns aos atores, pois na ocasião que assisti um ignorante levantou-se da platéia e reclamou DIRETAMENTE em alto e bom tom aos atores pelo texto ser em alemão e os mesmos continuaram a execução de cena como se nada tivesse acontecido, não moveram um olhar que fosse. Isso foi uma das coisas que me fez sentir mal naquele dia, me irrita ver como temos a arte desvalorizada no Brasil, sendo o festival todo gratuito e mal aproveitado por parte do público, enquanto temos jogos de futebol a valores altíssimos, é triste ver a ignorância de um povo que não pensa no seu futuro e em um crescimento cultural. Acrescento a minha crítica aos colegas da minha escola, a qual é uma das escolas de maior nível aquisitivo de alunos de São Paulo e que os mesmos tem condição de frequentarem teatros, cinemas e não levam a sério o que dizem ser a sua futura profissão, porém na madrugada anterior estavam todos no "Gambiarra" fazendo a festa. É um descaso enorme, afinal, fama se ganha, mas sem talento, esforço e comprometimento, não se sustenta...

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Casa de Bonecas

"A Casa de Bonecas", de Henrik Ibsen.

 A Casa de Bonecas trata-se de uma peça na qual Ibsen critica a burguesia, retratando valores morais da época e desvalorizando o amor, tudo se baseia nos valores.
 Na peça temos a protagonista Nora, esposa de Helmer, como uma mulher servil, submissa e uma verdadeira bonequinha de Helmer. Por amor a Helmer, em seu passado Nora cometeu um crime, falsificou uma assinatura para conseguir um empréstimo, pois precisava de dinheiro para salvar a saúde do marido. O engraçado disso é que ela esconde até os dias em que se passa a peça esse segredo, pois a moral da época é severa e uma mulher que falsifica uma assinatura e pede um empréstimo em nome do amor é a maior desgraça para a honra de seu marido. É interessante notar o comportamento de Nora e o final da história, que levam o espectador a enteder o título da peça, Nora nunca passou de uma boneca pra Helmer, quando Helmer pede a Nora se ela foi feliz e ela responde: "Nunca, apenas alegre", aí conseguimos entender o parâmetro que Ibsen estabeleceu, segundo ele não somos eternamente felizes, apaixonados, essa felicidade eterna são momentos, coisa que é real até hoje! O que realmente somos é alegres, cabisbaixos em relação a realidade mas com aquele orgulho ignóbil que nos motiva a continuar mesmo sem esperar nada do futuro.
 O bom de Ibsen e que lhe rendeu tamanho reconhecimento foi o seu realismo, seu modo de criar, não vemos nessa peça uma Nora que morre de amores e que sofre a peça inteira por um pecado carnal, mas sim uma Nora como tantas outras que podem existir na platéia, uma Nora real. Ibsen destrói o sacríficio feito por Nora em nome do amor, mostra as reais consequências do que teríamos visto caso o seu segredo fosse revelado a sociedade, o marido a abandonaria, assim como a humilhou e dispensou quando soube do que ela fez. Vemos então uma Nora frágil, de olhos abertos e sem defesa alguma, encarando sua fraqueza e infantilidade de boneca, porém confirmando que isso não se trata de um romance e que para viver "feliz" não é ao lado do príncipe que ela deve continuar, mas sim seguir sozinha e como diz na própria peça: "educar-se".
 Quebra muitos parâmetros que estamos acostumados a antecipar, nos dá possibilidades que não pensamos na hora que assistimos e nos faz analisar Ibsen como um divisor de águas moderno. Muito boa!

terça-feira, 9 de março de 2010

O Ensaio

 "O Ensaio", de Jean Anouilh.

 Me decepcionei ao ver esse espetáculo, sinceramente nem sei como abordar o mesmo pois só de lembrar já me desanima. Tive a indicação de um professor que considero um mestre e acolho sua palavra como verdade absoluta, ele me indicou essa peça pois me disse se tratar de um bom trabalho do Tapa abordando um importante dramaturgo francês e não os autores que costumam retratar, além de nunca ter sido montado no país.
 Porém o que tive foi uma verdadeira sequência de choques, confesso que uns até bons, mas outros horríveis! Um grupo como o Tapa, que tem uma história de respeito e um público já conquistado não se pode dar ao luxo de cometer certos erros como os que irei comentar.
 Nunca ví uma peça começar, parar sua execução por um contra-regras e ser reiniciada, ainda por cima dentro de um texto não contemporâneo no qual um ator em específico tentou fazer piadinhas para "aliviar" o clima, mas de nada adiantou. Não culpo o ator, nessa hora temos que tentar de tudo, não dá para deixar passar como se fosse despercebido tamanho erro. Mas uma coisa me irritou ainda mais - uma coisa que um amigo e praticamente meu mestre e exemplo me disse uma vez e é o seguinte: "Nós, atores, nos damos o nosso TAMANHO, a magnitude do nosso trabalho, o que criamos, vivemos e lutamos tem a proporção que nós mesmos damos.", e podem me chamar do que for, obcecado, sacana, mas quando me surge uma oportunidade procuro fazer o meu melhor, principalmente se valer algo como um papel, o que é uma substituição temporária pode vir a ser fixa! A culpa não é sua se as pessoas não levam a sério seu trabalho e lhe deixaram escapar a oportunidade pelas mãos - e foi bem isso que ví em outra personagem, uma atriz que só depois do fim da peça fui saber que estava de stand-in, trabalhava digamos que bem, mas errava demais! Chegou a confundir nomes e chamar a partner de cena pelo nome da sua própria personagem! Tudo bem, lá vão os puritanos falar que o Vinicius é babaca e não poupa comentários críticos, mas os racionais hão de convencionar comigo que a vida funciona como disse anteriormente, era a chance da mesma de fazer o seu melhor e pegar o papel, garantir o seu espaço! 
 Mas também houveram surpresas boas, nunca tinha visto uma peça no formato de arena, com o público em todos lados do teatro, isso foi uma experiência interessantíssima. Outro trabalho que merece destaque é o do ator que interpreta o personagem Héroi, o bêbado, seu trabalho está excepcional, não cai em estereótipos e tem uma linha crescente invejável.
 Quanto a história, é a mais pura verdade, o texto é uma obra-prima, por ter sido escrito há muito tempo atrás e identificar problemas que vemos até hoje, a ilusão do amor e da paixão pelos mais novos e a astúcia dos mais velhos, o desejo de "carne fresca", de juventude e todos seus caminhos de conquista e sedução. A aceitação do desejo sexual fora da relação, a procura por esse mesmo sem toda dramaticidade e tragédia das antigas "Lavagens de Honra".
 Enfim, texto bem interessante, não desmereço o Tapa por levar em conta todos outros espetáculos que assisti deles, mas vejo como um sinal amarelo, pois tão rápido quanto o público ama uma companhia ele pode também odiá-la. 
 Boa semana!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Dança da Morte

"A Dança da Morte", de August Strindberg.

 Para começar a abordagem dessa peça, tenho que antes fazer uma pequena introdução ao autor, para que o entendimento seja maior depois.
 August Strindberg é o precursor de toda modernidade do teatro de hoje em dia. Filho de um burguês com uma criada, desenvolveu desde pequeno um complexo de inferioridade que mais tarde se expressaria no seu primeiro romance: "O Filho da Criada". Suas obras tem um traço revolucionista, não contra o sistema, mas contra os comportamentos do homem em relação a sua família, religião, crença... Strindberg teve uma história um tanto quanto derradeira em relação as mulheres e a sua vida pessoal, tendo por fim uma crise de paranóia e expressando um misogenismo extremo. Suas obras tem um tom naturalista e expressionista.
 Com base nisso podemos começar a nossa abordagem a peça.
 A peça é tensa, tem um clima denso do qual um minuto perdido pode significar a perda de todo um conflito. Nos mostra o convívio gasto de um capitão de artilharia e uma ex-atriz que culpam um ao outro por ter perdido suas vidas e suas ambições em nome do casal, vivendo há 25 anos numa torre de guarda em uma ilha, isolados do mundo e das outras pessoas. Todo desenrolar da peça segue esse conceito base, o comportamento dos personagens e todos conflitos derivam desse tema e não se desgrudam do mesmo um minuto. Por se tratar de Strindberg já é de se esperar que a mulher não seja uma flor, e realmente ela não é, conforme a peça avança vemos a mulher cada vez mais venenosa, geniosa e diabólica enquanto o homem cresce num misto de avareza e consciência caótica inigualável. 
 A crise do casal vem a tona e explode com a entrada de um terceiro personagem que fora quem os casou há tempos atrás, fazendo com que os dois criem uma força gigantesca, mas em função de rivalidade e destruição de um ao outro, fato que tem uma pausa após um infarto de Edgar, o capitão, que muda um pouco seu ver da vida, pois não o mata, e nos dá fatores atuais como o medo da morte, o arrependimento. Daí em diante vemos uma trama pra lá de diabólica acontecer entre o casal sempre com o terceiro personagem como ponto de equilíbrio, horas pendendo mais para um lado, horas para o outro, até que a história tome seu devido fim.
 Strindberg levanta uma série de questionamentos, seja eles o porque da existência, a vida de casal, a violência doméstica e até mesmo a incrível disputa de poderes entre homem e mulher - a briga mais antiga da história - e nos faz pensar sobre a peça, sobre nossas relações, como abordamos nossas prioridades, de modo que gera uma série de questionamentos saudáveis e suas devidas conclusões, tal como o filme anticristo.
 Indico para quem tenha tempo de lê-lo e interpretá-lo, uma simples leitura deixa passar muitos fatores em branco, deixando depois uma série de incógnitas sobre a peça. Agora que conheci sua obra pretendo todas outras, nota 10!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cloaca!

Cloaca!, de Maria Goos.
Cloaca é excelente! Não tem outro termo que venha designar tão bem o que é essa peça! Escrita pela autora holandesa Maria Goos, Cloaca é uma verdadeira análise sobre o mundo masculino e seus variados objetivos. Na peça a autora conta a história de quatro amigos que se conheceram na época de faculdade e reencontram-se 18 anos depois, todos já quarentões, cada um com um caminho trilhado e problemas pessoais.
A peça nos dá uma boa idéia do universo masculino, quais são os verdadeiros interesses dos homens, o que os mesmos fazem para alcançar seus objetivos e como tratam seus semelhantes e companheiros. Podemos dizer que todo o contexto se resume em uma crítica, tanto que a única aparição feminina na peça é realizada por uma prostituta.
A peça conta a história de Pieter (Tony Giusti), um funcionário público que apropriou-se de obras de arte descartadas pela prefeitura, Jan (André Garolli), um político recém chutado de casa, Tom (Dalton Vigh), um advogado fracassado viciado em cocaína e Maarten (Brian Penido Ross), um diretor de teatro não muito bem sucedido.
Todos empenham-se em ajudar o amigo Pieter e resolver o problema familiar de Jan, aí entra o contexto de uma opinião feminina sobre o mundo masculino, esse meio tempo de ajudas um ao outro foca justamente nos principais problemas do homem seja como funcionário, patrão, marido, bohêmio... É uma crítica pesada e boa ao modo "simples" como o homem resolve seus problemas, pois não envolve seu lado emocional, Jan está de aniversário e fora de casa? Os amigos chamam uma prostituta. Maarteen tem a filha de Jan 18 anos mais nova no seu elenco e não hesita em transar com ela. Tom foge de seus problemas recorrendo a cocaína. Pieter não sabe como resolver seu problema, recorre aos amigos. Todos modos simples e sem muito peso ou consciência na hora de serem decididos, exceto por Pieter, o mais sentimental claro. A peça corre bem, chega a levar o espectador a pensar que o problema será resolvido, que Pieter terá a posse dos quadros e que todos terão um final feliz, até que chega Jan novamente e mostra o quanto a aspiração ao poder cega o homem, ele conseguira um cargo de ministro da cultura e não poderia se envolver no caso do amigo, o que ele faz então? Simplesmente abandona os antigos parceiros e com isso mata o sonho de conseguirem ganhar a causa. Daí em diante seguem-se problemas e novamente vemos o modo fácil de pensar do homem para resolver seus problemas, álcool, drogas e o suicídio.
 Fim! Simples assim, como um pensamento masculino, porém mostrando muitas vertentes do comportamento do homem e como sua ambição o destrói. Como tinha falado no início, é isso! Cloaca é excelente!  
 Sobre a questão técnica não tem muito a ser citado, a produção está fantástica, sem exageros nem falta de componentes, nada é demais, os atores são ótimos, levam muito bem seu papel até o fim e não transparecem artificialidade, exceto por Tony Giusti que interpreta Pieter, ele exerce muito bem o papel, porém seu modo de falar irrita, ninguém vai ao teatro para ouvir uma coloquialidade extrema do século passado, mas Tony insistiu a peça toda em seu modo coloquial, talvez pela história do personagem, formado em história da arte ou talvez por seu modo de atuar mesmo, fator indefinido e fato esse que foi o único inconveniente ao meu ver.
É isso, resumindo daria uma nota 10 pra peça, CLOACA!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Noite de Reis

 "Noite de Reis", de William Shakespeare.

 Hoje fui ao Globe-Sp, minha antiga escola, onde ví essa peça montada pelos alunos do curso avançado do Globe.
 Praticamente remodelada pela turma, essa comédia de Shakespeare saiu do que podemos chamar de "normal" para Shakespeare e teve uma releitura bem ousada. Os alunos decidiram por estabelecer uma musicalidade constante na peça, com traços dos anos 80 e um aspecto bem moderno para o figurino.
 Por se tratar de uma peça de alunos achei muito boa, não posso julgar como julgaria uma peça profissional, não desmerecendo os alunos, mas é um outro mundo uma montagem profissional, em todos aspectos, produção, preparação... Como em todas peças de curso, é obrigatório que todos alunos participem, coisa que fica visível, pois há uns personagens digamos que "sobrando" em cena. Isso sem contar na superficialidade que certos personagens tiveram, fato que ficou confuso, pois no final das contas não consegui distinguir se era proposital o exagero ou era mal trabalhado, pois haviam grandes oscilações entre o natural e o exagerado.
 Uma coisa que sempre acho legal é optar por outros caminhos, tirar fora o comum e colocar o inusitado, porém, também acredito que quando se opta pelo inusitado, deve-se ser ousado! Uma coisa que achei maravilhosa foi quando certo personagem após dado momento resolve mudar completamente seu modo de ser, vestir-se e agir, sai de cena e volta completamente outro e com sapatos de sapateado, pensei comigo: ta aí uma boa sacada, lá vem show! E quando o garoto faz sua sequência desanimei, uma idéia tão bem sacada no mínimo merecia um aprofundamento melhor, a sequência feita pelo ator está longe de ser algo difícil, posso dizer até que em audições para musicais existem sequências mais complexas, coisa que me chateou, pois era uma ótima oportunidade de dar um show e ganhar a cena, fato esse que não é culpa do ator, deixo isso bem claro pois as pessoas costumam culpar sempre os atores, porém quando dada ação é bem feita pelo mesmo as primeiras pessoas a levantarem-se são seus preparadores, diretores e tais.
 Quando a peça em sí, a história, acho parecida com "A Comédia dos Erros", também de Shakespeare, pra não dizer uma cópia fiél, mesma história, irmãos separados num acidente de navio, muito semelhantes, que causam uma série de problemas quando se encontram na mesma cidade, nada demais.
 Eu indico a peça pela abordagem diferente que foi feita e pelo fato social, o ingresso cobrado é um kilo de alimento não-perecível, o que acho muito legal, ajudar o próximo é sempre bom! Então é isso, assistam e um ótimo final de semana.

Em Cartaz:
Globe-SP
Rua Capitão Prudente, 173
São Paulo - SP, 05422-050
(0xx)11 3097-9933

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

As Viúvas

 "As Viúvas" de Arthur de Azevedo.

 O legal que hoje foi tudo surpresa! Não sabia que a peça era uma comédia, achei que a maratona do tapa ia ser vários dramas e tragédias, nada de comédia, isso sem contar a presença de dois professores meus, um que já me dá aulas há um bom tempo, Sir Paulo Marcos :D e o meu futuro professor Sir Brian Pennido Ross...
 Tive que me segurar para não rir o tempo todo, a peça é composta de três atos independentes, três histórias que não relacionam-se entre si, mas que são pra lá de engraçadas, cada uma com sua particularidade.
 Começamos pela história da primeira viúva e um velho solteirão, apaixonado por anexins, provérbios, e que só se expressa por meio deles, o que o torna extremamente engraçado e simpático, pena dele a viúva estar apaixonada por um garotão e só dar bola para ele após ser chutada pelo rapaz.
 Já a segunda história chama-se "Uma Consulta", nela uma segunda viúva vai ao consultório de um advogado por engano, sendo que ela procurava o médico que é seu vizinho do andar de cima, e o mesmo, um homem aborrecido com a vida, clamando por uma esposa, usa de todos artifícios possíveis e impossíveis para conquistar a dama.
 A terceira história é "O Oráculo", um comendador que lê muito Balzac, e acredita ser este o melhor escritor do mundo e suas escritas serem o essencial para o ser humano, dá conselhos a seu amigo mais novo, um advogado, que pretende se livrar de uma mulher praticamente perfeita, a terceira viúva, porém a mesma o esperava no quarto, tivera chego antes dos dois, e presencia toda a conversa. Então eis que ela vai embora e volta com a história virada contra o advogado, usando de inteligência e botando ele a seus pés!
 Uma sequência de histórias muito boas, pena hoje não ter conseguido assistir a peça seguinte, mas amanhã volto lá e assisto mais umas se possível!

Em cartaz:
VIGA Espaço Cênico (74 lugares)
Rua Capote Valente, 1323 (Pinheiros)
Tel: (11) 3801-1843

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pedreira das Almas

 “Pedreira das Almas” de Jorge Amado, com direção de Brian Penido Ross.

 Não me agradou! Não teve nada de diferente, nem incrível, mais um drama normal como muitos que temos em cartaz pela cidade toda, portanto fiz uma sinopse técnica mesmo para quem tiver interesse em assistir.
 A peça retrata a época da decadência do ouro em minas gerais, onde está acontecendo uma revolução e um revolucionário em específico é procurado pelas forças do governo, esse revolucionário se chama Gabriel. Gabriel é “noivo” de Mariana, filha de Urbana, a matriarca da cidade. Aí entra o primeiro embate da peça, Gabriel e muitas pessoas querem deixar a cidade, pois a escassez tomou conta do lugar, só existem cemitérios, e Urbana teima que todos devem ficar e honrar os mortos, e jura a sua filha que não lhe dará a benção para a mesma sair da cidade com Gabriel.
Após a chegada do Delegado Vasconcellos, que foi enviado junto de uma força militar relativamente significante para prender Gabriel, a cidade vira no caos, após uma longa discussão com Urbana, Vasconcellos revela que seu filho, Martiniano, fora preso como sendo seguidor de Gabriel e após uma série de discussões e tumultos ele acaba morto, o que faz a mãe jurar que nunca contará onde está escondido Gabriel.
Um drama trágico se desenrola daí para a frente, cada vez deixando a situação mais pesada, até que se resolve com um caro preço.

Em cartaz:
VIGA Espaço Cênico (74 lugares)
Rua Capote Valente, 1323 (Pinheiros)
Tel: (11) 3801-1843

Valsa Nº 6

Valsa Nº 6″ de Nelson Rodrigues.
Outra peça que merece muita atenção, pois é uma série de coisas boas, começando por Clara Carvalho, estreiando na direção, seguido da atriz, muito boa por sinal, Marina Ballarin, do fato do texto ser um monólogo e não ter sido jogado fora em momento algum, e da estética adotada em palco, por elásticos amarrados nas pernas e braços da atriz, também idéia dela! ;D

Caramba, como era de se esperar, por ser um texto de Nelson, é chocante! Muito chocante inclusive, a menina Sônia, conta sua história de vida, curta aliás, pois foi morta aos 15 anos com uma punhalada nas costas, diante de várias faces. A garota foi dada como demente, então assume diversas personalidades enquanto conta a história, num cenário bem fúnebre e ao melhor estilo purgatório.
 O bom é que a atriz separa muito bem essas facetas, cada versão da Sônia tem um trejeito específico, o que a torna assustadora, acredito eu que era essa a intenção, assustadora e muito fúnebre. Achei uma experiência muito legal, gosto de coisas novas no teatro e essa idéia mórbida e bem executada me valeu o dia.
Segue um pedaço do texto retirado do folheto da peça:
“Quem é Sônia? Não sabemos. Com seus ecos radiofônicos de novela policial, o texto é uma colagem quase cubista de suas muitas facetas. Temos várias Sônias: a Sônia menina-de-família; a Sônia mulher, com suas frases de folhetim; a Sônia narradora, irônica e distanciada; a Sônia-coro, que arremeda vizinhos, empregados e até pessoas de seu próprio velório e até a “Sônia-Cavalo”, que a certa altura recebe uma entidade agressiva.”
Ou seja, são várias Sônias, o que dá uma gama incrível de possibilidades que a atriz aborda muito bem. Outra que merece recomendação, como todas até agora… :D

Em cartaz:
VIGA Espaço Cênico (74 lugares)
Rua Capote Valente, 1323 (Pinheiros)
Tel: (11) 3801-1843

Mão Na Luva

Hoje fui assistir uma maratona de peças, ooo alegria! :D
Vou pela sequência que assisti! Começando por “Mão na Luva” de Oduvaldo Vianna Filho.

Mão na Luva é um espetáculo bem diferente, idealizado pelo núcleo de estudos do grupo tapa, tem uma execução parecida com a peça “A Moratória”, onde sucedem-se cenas do presente e do passado.
O foco da peça é o conflito de um casal, que após 9 anos decide acabar seu casamento, em meio a discussões a peça mostra o lado frágil do homem, seus problemas, defeitos e fraquezas. Conforme a peça anda ambos vão revelando seus segredos, suas traições e suas ambições ou sacrifícios que fizeram pela vida do “casal”.
Muito legal, muito legal meeesmo, as brigas, os picos de alegria, tudo é muito bem vivido por Isabella Lemos e Marcelo Pacífico. Adorei! :D

Um Bonde Chamado Desejo

Também lí a peça, “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tenesse Williams.

Bom, é da mesma coleção que o meu “Pequenos Burgueses”, então já era de se esperar algo muito bom não é?! E realmente foi, já havia assistido uma leitura de cenas da peça mas ainda não tinha a lido por completo, coisa que fiz ontem, fissurado, e que as 200 páginas do livro não me fizeram desistir hehehe
A peça conta a história de Blanche Dubois, uma professora, moça fina que conforme o tempo foi perdendo os entes queridos e a propriedade na qual foi criada junto da irmã Stella, a fazenda de Belle Rêve. O desenrolar da peça acontece após a chegada de Blanche no apartamento humilde da irmã Stella, o qual Blanche de cara repugna e muito. A família de Blanche foi muito rica na sua infância, daí vem o seu nojo com o local e com os modos das pessoas, coisa que a irmã nem liga, afinal saiu de Belle Rêve para casar-se e voltava somente nos funerais dos entes queridos.
Conforme a peça vai avançando o conflito vai ficando cada vez mais tenso, Blanche tende a cada vez ficar mais psicótica e o marido de Stella, Stanley, a ficar cada vez mais rude, até o final da peça quando todo o jogo de Blanche é desmascarado e a mesma tem um fim um tanto quanto triste.
Gostei muito da peça, mas vou me segurar para não contá-la se não perde a graça para quem não leu, mas recomento também, uma boa pedida sem dúvidas! :D

Concerto de Ispinho e Fulô

Concerto de Ispinho e Fulô”.
Maravilhosa!!! Não é a toa que recebeu duas indicações ao prêmio Shell (Direção Musical e Categoria especial, pela pesquisa e montagem do espetáculo) e duas ao prêmio CPT (Direção Musical e melhor espetáculo em espaço não-convencional).
A peça retrata uma rádio-conexão, um programa de rádio, entre São Paulo, SP e Assaré, Ceará, uma cidadezinha pra lá de pequena do nordeste brasileiro. No espetáculo a galera da Companhia do Tijolo procura e entrevista o poeta Patativa do Assaré, figura conhecida da região e personagem com muitas histórias pra lá de emocionantes.
O que mais me emocionou foi a parte que ele conta da filha, sabem, foi muito bom assistir a peça, pra mim pelo menos, pois temos um pensamento que exclui muito o nordeste, posso dizer até um pensamento sulista, e a região não tem culpa pelo clima que tem e as dificuldades que enfrenta. Todo o decorrer da peça me mostrou o quanto o povo de lá é forte, o quanto é fiél as suas tradições e como superam todas essas adversidades que COM CERTEZA se nós tivéssemos que passar, não conseguiríamos…
Com certeza nenhuma dessas indicações aos prêmios veio de graça, acho que foi um dos espetáculos mais diferentes que já ví, quebra todas convenções de palco, platéia, e transforma a peça numa experiência magnífica. Eu que particularmente tinha um preconceito de que a sala 1 do teatro coletivo não era bem uma sala “decente”, tomei uma porrada nos dedos pra lá de merecida, já tava na hora de largar um pouco o vício de peças dramáticas e a falta de interesse por qualquer outra fora do convencional. No coletivo, dado o espaço diferenciado da sala 1, a peça fluiu maravilhosamente bem, sem dúvidas parece que foi criada para aquele teatro, o público participava, o elenco dava essas oportunidades as pessoas, foi sem dúvida uma experiência pra lá de gostosa!
E o melhor, ainda me fizeram tomar um copo americano INTEIRO de cachaça nordestina!!! Pensem em um louco que já achava que era do elenco e tava querendo entrar no palco, pois é, quase fiz dessa! uhauahuahuahuahu... Sem contar o maluco que interpreta o Patativa que saiu uma hora chutando e quebrando todo cenário, porque disse que não existe teatro sem conflito! hahahaha :D
Mas o espetáculo em sí vale muito a pena, sou meio enrolado ainda com as palavras, pois não acho umas realmente boas pra descrever essa experiência, ou para contar mais sobre a peça, mas espero que quem tiver a oportunidade não perca pois vai ser uma experiência única!

Pequenos Burgueses - Máximo Górki

Pequenos Burgueses” de Máximo Górki. 
Uma peça incrível, achei que não ia ter paciência de ler suas 231 páginas numa só vez, o livro assusta no tamanho, mas o texto é tão rápido e atual que nem parece que foi escrita em 1901, dá pra ler num instante! :D
Ela retrata uma família em crise, que muito me lembrou a peça “A Moratória” de Jorge Andrade, talvez seja só essa idéia de família problemática e cada familiar personificar um tipo, mas não saía da minha cabeça momento algum. Toda história se passa no casarão da família de Bessemenov, um velho avarento pra lá de reclamão e muito frustrado com a situação que a sua família se encontra, no casarão vivem seus dois
filhos, Tatiana, uma mulher de 28 recém formada, a qual é importunada a peça inteira por não ter se casado ainda, e seu irmão Piotr, um ex-estudante que fora suspenso após participar de um movimento revolucionário na sua faculdade.
 Todos conflitos tem foco nos três, por mais que existam outros 10 personagens, qualquer problema que ocorre em cena tem ligação a um desses três personagens-chave.
É um ótimo drama, recomendo para quem quiser ter uma idéia dos textos de Górki, que refletia muito sobre a burguesia da época numa visão meio humanista.
Em suma, muuuito bom!