domingo, 18 de abril de 2010

Making Musicals 2

 Making Musicals 2 - Direção: Hudson Glauber, Dir. Geral: Wolf Maya

 Ufa, finalmente estreiamos!
 Hoje quero falar mais no pessoal, não como uma abordagem crítica do espetáculo, mas sim dividir com vocês um pouco do que tem sido esses últimos 7 mêses de preparação para o espetáculo.
 Bom, pra começar tenho que confessar que foi a minha primeira experiência musical em palco, já tinha feito peças sim, mas nunca dançado, cantando e sapateando, foi muuuito louco! Mas vamos por partes....

 O Período de Aulas
 Esse foi o período mais light do processo, passamos por muitas experiências novas, ví pessoas que tinham vergonha de abrir a boca, de soltar um berro, cantarem, se jogarem, acho que foi muito bom, todos sem exceção deram um salto qualitativo gigantesco, aliás, todos que se esforçaram, pois nessa época já se apresentavam os primeiros "levando com a barriga".

 O Período de Montagem
 Esse foi o mais chato, com certeza! 
 Montar um espetácul é difícil, quando você resolve começar a montar um espetáculo no dia 04 de janeiro, pior ainda! Essa fase foi a mais chata não por tensões ou discussões, mas por ter sido a mais repetitiva sem crescimento, infelizmente nem todos que estavam presentes tinham real interesse ou ao menos se esforçavam para comparecer aos ensaios.

 O Período Final Pré-Wolf
 Esse sim foi tenso, começamos a correr contra o tempo, a trabalhar em ritmo profissional, a dobrar, triplicar ou até mesmo quadruplicar a carga horária de ensaios. Foi nesse período que começaram as fofocas, discussões e toda a bad que reinou por dias, botando a prova os ânimos de todo mundo e fazendo muito neguinho pedir pra sair. Depois de tanto ensaiar com nossos professores chegava a hora de ter um diretor mandando e desmandando tudo(Hudson), hora de assumir o compromisso profissional com o espetáculo e fazer nosso papel real, obedecer e fazer bem feito, só!

 O Período Final Pós Wolf, A Última Semana!
 E lá veio ele, a vinda dele era tão esperada e temida como a segunda vinda de Jesus Cristo, cada um tinha sua história própria que caracterizava Wolf Maya, o tirano, o promíscuo, o gente boa... Quando chegou acho que até ele mesmo tomou um susto com o espetáculo, aaah como teve trabalho esse diretor! 
 E pra ajudar a dar um tom mais caótico a história, ainda tinhamos uma equipe técnica com novos e antigos profissionais da escola, parecia que realmente a estréia seria adiada.

 Últimos Dias, Quinta Feira...
 Quinta feira, um dia para a volta do Wolf, será que estava tudo ok? Seguimos todas mudanças conforme ele queria? Estava a equipe agora familiarizada com o espetáculo? O que estava por vir? Esse foi o dia cruél, perdemos dois colegas de palco, DOIS DIAS ANTES DA ESTRÉIA, isso resultava em praticamente 14 horas de ensaio, para mim e para o manga! Tivemos que repor os papéis dos nossos colegas que saíram, decorar músicas, números, coreografias, tudo isso em menos de um dia para apresentar o geral final para o Wolf - TEEENSO - .

 Últimos Dias, Sexta-Feira...
 Começamos o dia bem, um geral logo cedo com o Mestre Huds para dar aquela esquentada e organizada no que estava meio termo, uns acertos e bora almoçar que depois do almoço o wolf ta aí ok? 20 minutinhos e quero vocês de volta! Hahaha... 
 Wolf chega, começamos o geral, ele vê e então começamos o último geral, decupando a peça e dando os retoques necessários, daí adiante passamos o dia nisso, repetindo números e mais números, arrumando coisas pequenas, mudando idéias, usamos nosso horário ao máximo, agora só nos restava o sábado!

 Sábado, A Estréia!
 Chegou o diaaaa!
 Eu sou sincero, estava louco! Não me sentia como antigamente, morrendo de ansiedade, com o coração acelerado, mas acordei as 4 da manhã e não consegui mais dormir, foi fooooda! Eu tinha tanta coisa para pensar que a cabeça estava a mil, minha preocupação era com o solo do final, a música Gold Digger, tinha pego a letra quinta feira a noite e a melodia só consegui na sexta feira a tarde, eu praticamente passei o dia só fazendo isso, cantando! Era Gold Digger de "bom dia", Gold Digger de "uma mc-oferta do quarteirão com queijo", Gold Digger pra tudo!
 Terminamos a limpeza dos números, isso já era mais ou menos uma hora da tarde, e agora? Bora passar mais um geral! Tio Wolf, tio Wolf, só você! Haha. Terminamos o geral, parece que tudo estava ok, então era hora de almoçar, relaxar para a estréia, certo? ERRADO! Era 2:50 da tarde, dentro de 10 minutos estávamos estreiando, nossos 7 mêses se resumiam a aquele momento, tensão, medo, crises pessoais, tudo acontecia naquele momento!
 Pois bem, nos arrumamos no palco, era a hora, as pessoas começavam a entrar, que frio na barriga! Acho que esse foi um dos momentos que mais gostei nesses tempos de São Paulo, apesar de todas desavenças e tensão que passamos, nos juntamos todos numa roda e rezamos, fizemos nossas preces, pedimos proteção e nos abraçamos, a energia foi ótima!
 Eis o terceiro sinal! Santo Cristo passam mil coisas na cabeça, batida, foot loose começa! Daí pra frente tudo segue maravilhosamente bem, o pior passou e tantos mêses de ensaio nos deram estofo suficiente para não fazer feio. Tudo corre super bem, até que chega a hora de terminar o espetáculo, vem o meu tão desejado mas tão temido Gold Digger!!!! O que posso dizer é que dei meu melhor, mas... ACERTEI! Huauhuahuahuahuahuahuahauhauhaua Graças A Deus e a toda minha nóia de ficar o dia todo encima dessa música, cheguei na hora e tudo correu maravilhosamente bem! Iiiiiiissa!
 Finalizamos nosso espetáculo maravilhosamente bem, nada deu errado, as pessoas amaram, já não consigo pensar em como vai ser a minha vida daqui pra frente, tudo isso que tanto me irritava,  preocupava e tirava o sono, vai me deixar um vazio tão grande, mas ótimas lembranças com certeza!

 Bom, aí vai umas fotos da nossa estréia:
Foot Loose
There's No Business Like Show Business
Roda Viva
 Gold Digger

 É isso galera, por tudo isso que acabei meio que dando um tempo do blog, mas como podem ver valeu muito a pena e ainda vale, estamos em cartaz, segue os dados:

Teatro Nair Bello, Shopping Frei Caneca - Sábados as 15hrs, Domingos e Segundas as 21hrs, Ingressos: R$: 15,00.

 Apareçam lá!
 Uma semana abençoada a todos!

domingo, 4 de abril de 2010

Ego

 Ontém assisti um pedaço de uma entrevista com a atriz Susana Vieira, onde ela falava sobre o fracasso que foi sua participação na encenação da Paixão de Cristo.
 Achei legal comentar aqui, pois para mim Susana Vieira é exatamente o modelo de tudo que repudio ultimamente, uma atriz televisiva decadente sem a menor qualidade e como já disse, interpretando sempre Susana Vieira, isso mesmo, não personagens específicos, é ela interpretando si mesma.
 Além de dar um novo tom a virgem maria, coisa que até então tudo bem, eu aceitaria de boa afinal cada ator constrói uma faceta diferente para seu personagem, o que me irritou muito foi o fato de ela errar todas falas pois o espetáculo era dublado e depois ter dado a desculpa de que não teve tempo de estudar as falas, então porque assumiu o compromisso? Pra piorar tudo, no dia ela machucou o olho, aí tudo cabe como desculpa não é? Falando que se fossem essas atrizes novinhas elas voltariam para São Paulo na hora, dando indiretas ao entrevistador e falando para ele voltar no outro dia que ela estaria melhor no papel.
 Isso me irrita profundamente, ela tem um ego tão grande que não consigo ficar quieto a tamanhas besteiras, quantas vezes a mídia vai ter que avisar ela que ela ja passou da idade, que está na hora de se comportar como uma senhora de 60 e tantos anos como ela é, e não como uma mocinha revoltada que parece querer provar mil coisas ao mundo. Seu comportamento é justamente a vaidade que eu mais ojerizo de nós atores, achar que somos bons o bastante para desprezar o mundo todo, aaah como eu espero ter juízo e pensar muitas vezes antes de abrir a boca em momentos assim.
 Deixo isso mais como um aviso a todos nós, nosso pior inimigo mora dentro de nós mesmos, nosso EGO, que todos tomem ela como exemplo e pensem bem como querem levar suas carreiras...

Ausência...

 Gente, sei que o blog está sendo atualizado menos, mas gostaria de explicar o porquê.
 O making musicals está para estreiar, a estréia foi adiada para daqui duas semanas, dia 17, e começamos a passar os ensaios gerais para definir entradas e saídas, luz, som, toda aquela parafernália que dá ao musical o tom de espetáculo necessário, isso leva tempo!
 Ultimamente ando ensaiando das 8 da manhã, o que significa acordar as 6, até as 4 da tarde, no mínimo, e isso no teatro, porque chego em casa e tenho mais uma maratona de exercícios para tentar acertar voz, acostumar o físico com coreografias rápidas e canto pesado, limpar os movimentos que estão muito inadequados, ou seja, abri mão até do meu curso regular, sim, nós (o elenco) tivemos uma "folga" de duas semanas do curso regular, visto que ninguém conseguia se dedicar por completo em nenhum dos dois, faremos em outro horário, outra turma, sei lá, mas enfim, se chegamos a esse ponto dá para imaginar o nível de dedicação que todos estão com o musical.
 Por essas e outras meu pouco tempo que tenho de "lazer" é dedicado a dormir, isso mesmo! Dormir, relaxar, descansar a mente, não dá para ensaiar e ficar focado em um trabalho praticamente 10 horas por dia e chegar em casa e ler Strindberg, é praticamente suicídio!
 Portanto, conforme for chegando mais próximo da estréia é bem provável que mais abandonado o blog fique, mas após passar toda essa turbulência deliciosa eu prometo que volto a regularidade ok?
 Um grande abraço a todos!

O Despertar da Primavera - Spring Awakening

"O Despertar da Primavera", de Charles Möeller e Claudio Botelho

  Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, O Despertar da Primavera chega a São Paulo causando um furor imenso, ouvi falar tanto desse musical que confesso que não aguentava mais esperar pra ver. Uma coisa era comum dentre os comentários, não ouvia nada de ruim, NADA mesmo! Nem pra ter um amigo recalcado que falasse "Ah eu canto melhor que o protagonista" ou "Nossa você viu o cabelo da fulana? É horrível!", parece que a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho pensaram em tudo mesmo!
 A adaptação brasileira de Spring Awakening tem uma particularidade boa, foi autorizada a ser dirigida ao nosso modo, ou melhor, ao modo dos mestres Charles e Claudio. Não tivemos aqui uma réplica da Broadway, como muitos outros espetáculos que já passaram pelo Brasil, temos uma atitude ousada e muito bem pensada, que merece ser reconhecida ao máximo, visto que temos excelentes diretores no Brasil que pararam no tempo, possuem condições, criatividade mas não ousam dar a cara a tapa para tentar algo novo.
 Na peça tudo tem a mais perfeita harmonia, não temos cenários espetaculares que se movem de um canto ao outro, giram ou explodem, somente jogos de iluminação, uns 3 ou 4 panos que fecham a cena de background, um pano de boca de cena e nesse intervalo entre eles uns andaimes simples que criam um segundo andar para o elenco contracenar ou dar suas intervenções. Também não existem figurinos monstruosos que tiveram que ser importados da conchinchina ou da escandinávia, se o elenco faz duas trocas de roupa é muito, exceto os adultos que fazem vários personagens. O que temos de mais monstruoso nesse espetáculo - e que deveria ser levado a mesmo ponto em TODOS espetáculos - é o trabalho dos atores, esses sim merecem uma salva de palmas em pé pelo seu trabalho - eles e a direção claro -, eles são de uma dramaticidade tão grande que não precisam - e nem existe no espetáculo - ficar sapateando, dançando horrores ou cantando ópera para chocar o público, eles estão tão dentro dos seus respectivos personagens que conquistam o público a cada entrada, sem fazer nada demais, somente viver o personagem dentro da sua complexidade, muito bem explorada por toda equipe que os preparou para a peça.
 Não digo isso criticando os espetáculos que tem todas essas abordagens e criações, seria muito controverso, até porque faço parte de um espetáculo que tem justamente tudo isso. Falo isso no sentido de que as coisas nem sempre precisam ser extraordinárias para serem maravilhosas, as vezes a beleza mora no simples e não nos damos conta, as vezes o menos é mais, e isso é o que acaba valendo no final. Digo com a maior convicção, amei o Despertar da Primavera mais do que qualquer Hairspray ou Cats e se tivesse opção dos três escolheria por estar no elenco do mesmo. Não temos grandes globais para trazer público ao teatro, as pessoas vão porque é bom mesmo, porque ao assistir você chora, se desliga do mundo, invés de ficar olhando o relógio impacientemente pensando quantas músicas a gordinha ainda vai cantar até que você possa ir embora. O elenco é composto de pessoas jovens, novas e pouco conhecidas, porém muito talentosas, isso é legal, é ousado! Chega de repetição, as pessoas não aguentam mais ver sempre os mesmos atores interpretando milhões de papéis, ou como a crítica já diz, o ator X interpretando o ator X, pois nem isso mais eles fazem questão de dar, um mero diferencial em cada trabalho, isso é bom para nós, novos artistas, serve de aviso aos rodados, "atenção, uma nova geração está chegando, talvez seja a hora de vocês também ousarem se quiserem se manter no seu respectivo lugar".
 No Brasil temos um sistema educacional ridículo que nos condiciona a repetição e memorização, o que importa é o 2+2=4 e não o caminho que você levou, o raciocínio que fez até chegar ao resultado, por isso criamos uma geração de repentistas que não possuem criatividade ou não tem culhão para criar e se expor, pois quando uma pessoa cria e apresenta sua idéia as outras pessoas ela se expõe ao ridículo, temos medo disso, sim, pois o público ama criticar, mesmo não tendo capacidade de criar 10% do que viu! Felizmente ainda temos uns bons corajosos que nos fazem acreditar em um futuro diferente ou pelo menos nos motivam a pensar diferente e criar o nosso caminho, a Charles Möeller e Claudio Botelho, eu tiro meu chapéu!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pérolas...


"É importante saber,compreender que existem pessoas com tamanha sensibilidade e essa influência positiva que sempre será Boal ficará presente como forma de transformação para os que desejam um mundo mais justo"

AUGUSTO BOAL
Dramaturgo, Diretor e Teórico de Teatro

Pérolas...


"O ator deve trabalhar a vida inteira, cultivar seu espírito, treinar sistematicamente os seus dons, desenvolver seu caráter; jamais deverá desesperar e nunca renunciar a este objetivo primordial: amar sua arte com todas as forças e amála sem egoísmo."


CONSTANTIN STANISLAVSKI
Ator, diretor, estudioso e criador de técnicas teatrais

Pérolas...


"Quando um personagem nasce, adquire imediatamente tal independência inclusive do seu próprio autor, que pode ser imaginado por todos em tantas outras situações em que o autor não pensou inseri-lo, e às vezes pode adquirir também um significado que o autor jamais sonhou em dar-lhe!"

LUIGI PIRANDELLO
Escritor Dramaturgo Literatura Moderna

terça-feira, 30 de março de 2010

Pérolas...

 A partir de hoje estarei postando sempre que possível algumas pérolas de grandes atores ou estudiosos de arte dramática no intuito de destacar um pouco de suas personalidades através de suas próprias palavras...


"A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade."   

FIÓDOR DOSTOIEVSKY - Escritor e filósofo russo

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Profissão da Senhora Warren

"A Profissão da Senhora Warren", de George Bernard Shaw.

 Procurando estudos sobre a peça, achei a frase que define a peça inteira: "Conhecer o passado para entender o presente". E é justamente no mais profundo sentido da frase que podemos definir A Profissão da Senhora Warren, uma das grandes peças de George Bernard Shaw que contribuíram para seu patamar de um dos maiores escritores do século XX.
 Assim como Brecht, Shaw trabalha uma crítica irreverente ao sistema e ampla em sua análise, porém satírica, não dramática a último grau mas também não escrachada. Vemos isso claramente nessa peça, que tem um tema até que não tão denso, uma mãe que forma uma filha nos centros educacionais elitistas de seu país, quase não convive com a mesma e forma um comportamento independente na garota, independente e um tanto quanto arrogante, até que vem a tona a origem do dinheiro que financiava a filha, uma rede de prostíbulos que a mãe mantém.
 Durante toda a peça mãe e filha tentam justificar seus pontos de vista e decisões, a mãe quer de todo modo explicar que não teve outra oportunidade na vida, que era aquilo ou viver como uma empregada ganhando trocados que mal dariam para comer, crítica pesada ao modo como eram tratadas as mulheres da época, ou ladies finas ou escravas operárias. Já a filha, durona e insensível, faz a linha mulher moderna, independente de sentimentos, trabalhadora ávida, a mulher que paga suas contas e não deve nada ao mundo, que faz jus a sua posição no concurso de cambridge e não exige nada mais do que consideração a isso e não-convecionalismos cotidianos de seus pretendentes e pessoas que a rodeiam, ojerizando cada vez mais a mãe enquanto seus tantos pretendentes revelam o passado dela.
 Dizem que a Irlanda, a primeira colônia inglesa e que até hoje tem marcos de sua dominação, gerou uma condição marginalizada que servia como combustível a Shaw, que motivava sua criatividade e seu modo ácido de criticar os comportamentos com tamanha sátira. De tal acidez pude aproveitar e pesquisar umas frases incríveis que Shaw escreveu em sua vida:
“Se nosso pequeno mundo não nos permite compreender o grande mundo que nos rodeia e nos cerca, é porque ou somos medíocres ou não conseguimos entender coisa alguma da vida. Ou as duas coisas.”
“Tem gente que sonha com realizações importantes, e há quem vai lá e realiza.”
“Traduções são como mulheres. As bonitas não são fiéis. E as fiéis não são bonitas.”
“Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização.”
“O problema dos pobres é a pobreza; o dos ricos é a sua inutilidade.”
“Alguns homens vêem as coisas como são e dizem: por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: por que não?”
“Tudo o que faço é jornalismo, e nada que não seja jornalismo sobreviverá.”
*Frases retiradas do acervo do Portal Sesc SP.

Boa terça a todos!

sábado, 27 de março de 2010

A Cor Púrpura

 "A Cor Púrpura", dirigido por Steven Spielberg.

 Acho que um dos filmes mais dramáticos que já assisti, esse filme de 1985 pode ser facilmente considerado uma "obra-prima", tem um tema denso e muito bem trabalhado: o racismo, tem a estréia de Whoopy Goldberg no cinema, como a protagonista Célie, Oprah Winfrey como Sofia e Denny Glover como o Sinhô.
 Sempre que definem temas para filmes os diretores correm o risco de caírem em clichês, como sempre considero nas abordagens do blog, porém A Cor Púrpura foi muito além do exterior, melhor do que isso, teve um trabalho dramático tão profundo que talvez se fosse refeito nos dias de hoje não teria tamanha grandeza.
 O filme - baseado no romance da escritora americana Alice Walker - se passa no início do século nos estados unidos. A história remete ao passado que nossos avós e pais nos contam, com uma veracidade incrível, nos sentimos familiarizados com tudo que se passa. Nela temos Célie e sua irmã Nettie, irmãs muito ligadas afetivamente, que são separadas após uma série de fatores.
 Célie desde então passa por humilhações cruéis impostas pelo marido, o que não foi muito diferente de nossas avós, apanhavam e tinham no marido um exemplo de carrasco. Whoopy trabalha muitíssimo bem, ela tem uma densidade, um conflito interior tão grande, que choca em todo momento que o close fecha nela, conforme a sua personagem vai criando coragem no filme, ela cresce de tal maneira que nem parece ser a mesma do começo da história, incrível demais! O que me impressionou muito também e foi o motivo pelo qual procurei o filme, foi o fato de Oprah Winfrey estar no elenco, juro que não fazia idéia de que ela era atriz, mais do que isso, uma excelente atriz!!! O trabalho desenvolvido por ela no filme é fácilmente comparável ao de Jennifer Hudson em Dreamgirls, se não melhor.
 Por se tratar de um filme só de negões americanos é claro que não podia faltar música, é de se arrepiar as poucas vezes que Shug Avery canta um blues, típico!
 A visão feminista do filme é clara desde o começo, Célie manda cartas a Deus, comunica-se com ele, pois não podia sequer dirigir a palavra ao marido que já era motivo de sobra para agressão; descobre através da amante do marido - Shug - o que é compaixão; admira Sofia, mesmo mandando Harpo bater nela; sonha com a volta da irmã Nettie, sua última esperança de família e carinho.
 É triste ver a tamanha indiferença com que o marido a trata, deixando claro seu interesse nos seus ofícios domésticos e no sexo, nada além disso. É de uma animalidade tão grande que choca! Sim, choca, pois quando o Sinhô encontra sua amante vemos nele o oposto de como ele é com Célie, triste realidade que até hoje muitas mulheres ainda enfrentam.
 Dirigido por Steven Spielberg, o filme teve 10 indicações ao Oscar mas infelizmente não ganhou nenhum prêmio, 5 indicações ao Globo de Ouro, ganhando na categoria melhor atriz - drama.