domingo, 27 de junho de 2010

"Olhe para trás com raiva", de John Osborne por Ulysses Cruz

 "Olhe para trás com raiva", de John Osborne, dirigido por Ulysses Cruz e adaptação de texto por Marcos Daud.

 Um drama intenso e bem elaborado, é isso que Ulysses Cruz nos oferece de bandeja através dessa excelente adaptação de Look Back In Anger. Temos uma peça realista e densa do início ao fim, onde os conflitos principais dos personagens não batem de frente com antagonistas como de praxe nos milhares de dramas espalhados pela cena teatral. Os conflitos estabelecidos na peça são de modo geral contra a época, a Inglaterra pós-guerra que encerrava qualquer plano de jovens dotados de talento e ambição de realizar-se.
 Conhecemos o protagonista Jimmy Porter (Sérgio Abreu), um cara pra lá de revoltado que desenha muito bem esse sentimento de impotência contra o sistema, que parece lhe acorrentar desde pequeno e lhe mostrar as piores dores do mundo logo cedo. Jimmy tem consigo sua esposa Alisson (Karen Coelho), seu amigo Cliff (Thiago Mendonça) e a amiga de Alisson Helena (Maria Manoella), outros personagens - "tipos" - que nos retratam essa mesma impotência mas de outro ângulo.
 Sérgio Abreu merece os parabéns pelo excelente Jimmy, o ator trabalha a revolta e impotência do  mesmo sem exagerar, ele nos joga a sua realidade na época, discutindo consigo como se discutisse com a platéia seus questionamentos sobre o futuro do homem e seus sonhos, e o próprio decorrer das cenas o corta e nos faz perceber que nada que fosse feito mudaria, que essa é a realidade dele. Thiago Mendonça também trabalha bem, seu Cliff já aceita mais a realidade, sabe da sua ignorância e de certo modo parece gostar um pouco da vida, como ele mesmo diz, é um "amortecedor"  das brigas que acontecem entre Jimmy e Alisson e pouco mais anseia do que isso, só perto do fim da peça que vemos Cliff indo embora e tentando viver sozinho.
 No decorrer da peça vemos a história como se fossemos parte da mesma, em meio a cenas na platéia e questionamentos feitos por Jimmy que nos tiram da zona de conforto e nos fazem pensar muito, nos vemos também impossibilitados de agir, vemos que a peça avança e que os personagens parecem não se libertar daquela prisão que os rodeia, tanto que a peça não é uma espécie de folhetim que leva o bem contra o mal e o bem acaba vencendo, no fim as coisas estão no mesmo ponto do começo. Acontecimentos relevantes se sucedem ao decorrer da mesma mas no fim a peça parece não ter saído do lugar, os personagens continuam com seus mesmos destinos cruéis do início.
 Com um cenário impecável e uma produção pra lá de competente, "Olhe para trás com raiva" vale muito a pena, nos faz entender a história e olhar pra trás com muita raiva, fato! Mais um trabalho impecável de Ulysses Cruz e Marcos Daud, desde os meus tempos de Globe acompanho e quanto mais vejo mais anseio por ver, valeu o fim de semana, com certeza!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Paralelo sobre "O tempo e a personificação do ator em relação as outras profissões"

 Esse é um assunto que há tempos vem pulsando para sair da minha cabeça e vir para o texto, então hoje como tive tempo, coisa que cada vez está mais rara - por isso a falta de atualizações frequentes do blog - resolvi escrevê-lo.

 Primeiramente, esse texto tem dedicatória, dedico esse texto aos pais e as pessoas que zelam pela carreira dos que saem de suas casas em busca da profissão ator/atriz em busca do sucesso na mesma. Mais a frente vocês entenderão o porquê da dedicatória, de momento só confiem e leiam sem preconceitos...

 Temos vivido uma síndrome na sociedade atual, que se baseia segundo Augusto Cury na SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado), ou como eu trato, crise de ansiedade. No mundo de hoje as pessoas estão sendo acomodadas a cobrar um imediatismo em tudo, nunca tivemos tantas opções de entretenimento e tratamentos alternativos para o ser humano afim de lhe dar o tão precioso "descanso, prazer". 

 E o que tem a ver o ator com isso?
 Tem a ver o processo, desde sua saída de sua cidade natal até o começo de seu trabalho e aprimoramento na profissão.
 Tirando nossos futuros-atores-modelo-fracasso-gambiarra-series, os reais atores sabem que o aprofundamento da profissão é algo muito demorado. Quando começamos a estudar o ser ator, estudar os métodos, acho eu que nos deparamos com o maior problema do ser humano, sua auto reflexão sem o intermédio da vaidade. Me atrevo a dizer que a profissão ator é a mais complexa de todas, não menosprezo as demais, mas gostaria que o leitor compreendesse o seguinte:

 Se decupássemos o processo MÍNIMO para se tornar um ator de pequena qualidade, teríamos aí uma média de 5 anos. Destes 5 anos, teríamos os 3 primeiros para:
* Uma primeira abordagem ao método; 
* Estudo das diversas abordagens propostas pelos mais diversos diretores;
* Leitura da dramaturgia considerada essencial ao ator (uma pequena parte dela claro)
* Um auto conhecimento das suas limitações;
* Um pequeno avanço dramático em cena;
* Uma concepção muito rasa do que é "estar em cena;
 Isso como eu disse, para se ter uma base mínima para estudo, daí em seguida, teríamos mais 2 anos que chamo de "Processo de Desconstrução", na minha opinião a melhor parte do processo, vulgarmente eu chamaria da hora do "Pede pra sair!".

 Dentro dos 2 anos do processo de descontrução do ator, o mesmo entra na sua fase de instropecção mais profunda, é aí que o mesmo vai começar a lapidar seu trabalho através do repertório que adquiriu através dos 3 anos de estudos e experimentos. 

 Nesse período o ator vai testar sua capacidade psicológica, sim, capacidade, pois o processo de descontrução é rígido, é onde a garota bonitinha que quer ser atriz da globo vai perceber que seu peitão e seu bundão não vão lhe dar a dramaticidade necessária para a personagem russa do início do século, por isso disse que é o período do "pede pra sair!". Quem realmente não tem interesse na arte, na masterização do ofício ator, vai sair logo no início, vai SE considerar pronto para o mercado, SE considerar competente e no máximo vai fazer uma peça amadora lá no espaço que acabaram de abrir embaixo da lanchonete do terminal de ônibus do taboão da serra ou uma pontinha na globo antes de voltar para sua terrinha lá nos confins do Judas. O mercado pode até dar abertura, mas o público é rígido, a crítica é severa, essas pessoas não duram.

 Já as que continuaram estão para passar pela parte onde perderão todas suas bases, se pegarem um diretor que tem métodos muito rígidos é capaz até de instigar a pessoa a uma depressão, pois o que vai ser cobrado é muito mais difícil do que uma simples leitura inicial, é onde a pessoa vai descobrir o arquétipo do personagem. Agora, se a pessoa tem estrutura para ir até o arquétipo sem enlouquecer, aí é de cada um.

Cheguei ao momento de falar porquê dedico esse texto aos pais e responsáveis pelos nossos aventureiros-futuros-artistas. Esse período como eu já disse é mínimo, um período considerável talvez seria de 7 a 10 anos para se tornar um bom ator, um excelente ator. Então lhes peço meus caros: "Por que somos cobrados a sermos bons atores, ricos, famosos em pouco mais de 2 anos?" Digo porque cansei de ver não só da minha parte mas também de colegas cobranças de familiares e responsáveis, mas que acho um pouco infundadas.

 Infudadas? Mas em que sentido? 
 No sentido real da vida, um estudante de medicina pode estudar 6,7 anos enquanto que sua família acredita que tudo está ok e somente acompanha e o apóia no processo. Qualquer outro universitário tem um prazo mínimo de 5 anos antes de uma cobrança real.

 Isso me entristece muito, pois vejo que a arte não é tão valorizada quanto deveria no Brasil, vejo e ouço comentários que desprezam o ofício como se um ator fosse um vagabundo, um prostituto sem ambição na vida, quando o mesmo deveria ser valorizado e reconhecido pelo seu trabalho. Vejo que o que importa nesse "país do futebol" é o canudo, é a formação resumida a um pedaço de papel, mesmo que os formandos não passem de meras máquinas de repetição de fórmulas e não seres pensantes, o que importa é o que se e não o que esta no interior.

 Graças a Deus o autor que aqui vos fala não tem esse problema - já ultrapassou tal barreira - mas gostaria de registrar para que os que ainda enfrentam esse desafio possam levar adiante esse texto e tentar mesmo que em vão conscientizar seus "superiores" de que:

"Arte também é vida, viver da arte é tão nobre quando morrer pelo que se acredita, então que se tivermos que morrer disso, que nos dêem nosso tempo para escrever nossa história com nossa própria assinatura..."
Vinicius Olivo


domingo, 30 de maio de 2010

King Kong

"King Kong", de Peter Jackson.

Hoje tive a oportunidade de assistir a mais uma versão do clássico King Kong, dessa vez pela visão do super premiado Peter Jackson, diretor do clássico trash "Fome Animal" e da trilogia "Senhor Dos Anéis".
 Tive que dividir a minha opinião em várias partes, pois adorei em vários quesitos e em outros achei muito artificial. Quanto ao enredo do filme, dividi nas partes Ilha da Caveira e Nova Iorque; Em toda primeira parte, onde se passa toda aventura do grupo na ilha, achei de uma artificialidade e uma falta de sentido enorme, acho que pisaram na bola com a idéia dos dinossauros - sei que há em outras versões - mas o foco principal na parte da ilha pareciam ser os dinossauros, só eles que ganhavam a cena, salvo uma única cena onde o Kong luta com 3 Tiranossauros. Outro erro enorme é quase no fim dessa, onde quando os homens entram na selva com armas pesadas, em várias pessoas, existem perigos de todo lado, após morrerem quase todos e sobrar somente o mocinho para recuperar a donzela do kong, ele atravessa a selva quase que intacto, sem sofrer uma ameaça, muito falso.Isso é o que chamamos em aula de erros de lógica.
 Já a segunda parte foi boa, curta mas bem trabalhada, nada de novo que já não se tenha visto nos filmes do King Kong quando ele está em Nova Iorque, revolta, um macaco maluco correndo solto pela cidade até subir em um arranha-céu que normalmente é o Empire State Building e ser fuzilado por aviõezinhos do mal.
 Quanto ao trabalho dos atores, me surpreendi quando ví no elenco um dos atores que eu admiro e observo sempre ótimos trabalhos, Adrien Brody, esse cara é de uma versatilidade e profundidade incrível, acho que se parar e pensar nas palavras "verticalização de um personagem" vou ter ele como referência. Adrien é um dos destaques do filme e faz muito bem o papel de mocinho iludido que luta contra tudo e todos pelo seu amor. Outra surpresa foi ver Jack Black não fazendo piadas, tudo bem, ele trabalha uma linha engraçada mas muito longe do que estamos acostumados a pensar quando ouvimos falar de Jack Black, nesse filme ele interpreta um cineasta obcecado pelo seu filme, que deposita todas suas esperanças e arma tudo que pode para terminar o mesmo, é legal vê-lo em um papel que não seja um estúpido, gosto de conhecer as outras faces de atores e atrizes que estão acostumados a um estilo de papel. 
 Fiquei em dúvida se a fotografia do filme realmente merece créditos pois o filme é um matrix da vida, 90% digital, mas se não merecer um pontinho a mais pelo menos merece ser notada, é, digamos que, interessante.
 Esse é o tipo de filme que indico pra quem quer ver algo legal e enrolar o sono, pois tem 3 horas de duração, não chegam a ser 3 maravilhosas horas de tensão e emoção mas digamos que dá pra aguentar umas 2:50 antes de pegar no sono... :D
 Boa semana a todos!

domingo, 23 de maio de 2010

Paradoxo Sobre Os "Futuros Atores"...

 Faz tempo que eu queria escrever isso, porém não tive mais a oportunidade de parar, graças a Deus minha vida tem sido muito corrida e tenho até deixado o blog um pouco as moscas, mas vamos ao que interessa:
 Faço parte de uma nova geração de atores, que serão o futuro artístico do nosso país, um fardo grande se considerado devidamente e acho que um pouco além do que podemos carregar.
 Não tenho uma carreira considerável ainda, são poucos mais de 4 anos estudando e uns 20 cursos esporádicos/regulares, oficinas e experiências do gênero, mas cada vez mais venho percebendo uma coisa que me preocupa, essa minha geração não tem real interesse em ser os melhores no que escolheram para a vida, simplesmente aceitam tirar um registro e se consideram "atores, atrizes". Nunca na vida ví tantos futuros profissionais despreparados culturalmente e tão disponíveis a baladas, agitos e festas. 
 Hoje nos corredores da minha escola, uma das que eu já fiz, pois há também no ramo isso, a generalização, os alunos da escola x são ruins e os da y não, MENTIRA, passei por várias e em todas existe esse mesmo caso. Os "futuros atores" não sabem falar de nada além de si mesmo, de seu péssimo desempenho em cena e como fotografam bem ou mal no vídeo, não conseguem entender que o tempo presente em aula é muito pouco para se aprender a construir um personagem, a criar uma dramática, obter um estofo necessário para dar embasamento ao seu trabalho. 
 Vejo claramente a ignorância cultural e o desinteresse no que deveria de ser essencial ao ator, a pesquisa, os "maravilhosos" alunos sempre com suas mesmas desculpas nunca tem tempo para pesquisas, sempre aparecem contratempos ou morrem parentes imaginários, mas é incrível como nunca perdem um gambiarra da vida. Digo isso pois sinceramente odeio e não faço questão de ter amizade com esse tipo de gente, esses meros pretendentes a atores, fúteis e vazios que acreditam já estarem preparados o suficiente; Sim, pois não condeno a pessoa se ela realmente é boa no que faz, então ela pode ter direito a um lazer, mas sinceramente, se temos tantos atores hoje em dia, mais de 10, 100 mil só em São Paulo, ou temos uma horda de maravilhosos seres que já atingiram o apogeu artístico ou então temos uma horda de egocêntricos que desconhecem seu trabalho. 
 Acho mais incrível que essas mesmas pessoas que estavam no dia anterior na balada, provavelmente bêbadas, loucas, ainda acham que tem embasamento para opinar no seu trabalho, sério, se tem uma coisa que odeio no ser ator é isso, na maioria só sabe dar pitaco, só o seu trabalho é excelente, o dos outros é em geral horrível, digo como um excelente ouvinte, juro, ouço o que os meus colegas dizem e filtro, acontece que o excelente "futuro-ator-de-ontem-na-balada" não possui embasamento, fala sobre o estético, sobre o superficial, não sabe expor sua idéia realmente e quando expõe a mesma não tem profundidade.
 Considero triste, mas por outro lado gosto um pouco, pois quem realmente se dedica e procura seguir a carreira de ator com amor e cobrança vai se destacar, vai passar dessa seara de coitados e vai atingir um patamar mais alto, talvez possamos então olhar pra trás e como o tempo já terá passado possamos ver o que mudou, quem sabe uma próxima geração que já tem teatro e música no ensino básico seja mais interessada e menos fútil não?! Quem sabe numa próxima geração iremos ter menos covardes que comentam o que não gostam pelas costas e mais seres inteligentes que desafiam e expõem sua opinião frente-a-frente, debatendo e defendendo suas idéias ao invés de se esconderem no cantinho da vergonha e chorar a sua turminha mais tarde...
 Deixo claro aqui meu desabafo sobre o que vejo e convivo, repugno a levianidade com a qual levam a vida e sua futura carreira, se é que vão chegar lá, eis a questão...

Cães De Aluguel

"Cães De Aluguel", de Quentin Tarantino;

 Tenho que começar dizendo que Cães De Aluguel é uma das idéias que eu mais gosto de cinema e sempre que posso paro e penso em algum roteiro que se encaixe nisso: pegar um cenário fixo, nesse caso um galpão onde se passa a história, ter poucas externas e um conteúdo dramático super bem bolado.
 Logo no início do filme fiquei empolgadíssimo, pois além de um elenco forte, tinha duas promessas, a de assistir ao primeiro filme de Quentin Tarantino na direção e a de ver ele mesmo no elenco, atuando! Tarantino faz uma pequena participação logo no início do filme, onde vemos os 7 mafiosos protagonistas da trama divagando sobre o significado da música "Like A Virgin" de Madonna, cult e nada óbvio, uma das marcas de Tarantino. O veterano Mr. White de Harvey Keitel, o misterioso Mr. Orange de Tim Roth, o falador Mr. Pink de Steve Buscemi, o sádico Mr. Blonde de Michael Madsen são fantásticos, conforme o filme anda vamos conhecendo um pouco de cada personagem através de flashback's que interferem em momentos que o clima pesa no galpão. O galpão é o ponto de encontro dos bandidos após um assalto a uma joalheria que acabou não dando certo pois a polícia já sabia - um dos bandidos era policial e avisou a polícia, que os esperou na saída, gerando um tiroteio e morte de alguns dos integrantes do grupo - os que conseguiram escapar foram para o galpão,  que agora é o palco de uma série de acusações sobre qual dos bandidos teria sido o traidor que avisou a polícia.
 Outra marca clássica de Tarantino no filme é o sangue. Sim! Há muito sangue no filme, não tanto quanto em Kill Bill mas o suficiente para umas poças no chão e para umas orelhas voarem, hehe... A violência presente no filme gerou uma revolução no modo como era retratada a violência nos filmes da época. Cães de Aluguel é um filme forte, intrigante, delicioso, agradável e com uma história consistente e o final não poderia ter sido melhor, sem dúvida um dos melhores filmes dos anos 90!

sábado, 8 de maio de 2010

Besouro - O Filme

 "Besouro -O Filme", de João Daniel Tikhomiroff.
 Faz dias que queria ver esse filme, a ansiedade sem dúvida era gigante, e posso dizer feliz: Adorei!
 Besouro é um filme que eu já depositava toda minha expectativa antes mesmo de ser lançado. Pela primeira vez estava vendo uma produção digna de Hollywood feita 100% no Brasil, e melhor, com um enredo que indicava não ter o estereótipo de filme brasileiro, ou seja, não ter tiroteios, favelas, 75% do palavreado baseado em palavrões e toda aquela história que já estamos cansados de assistir nos épicos "Tropa de Elite" ou "Salve Geral".
 Com um enredo muito bem bolado, o filme conta a história de Besouro, um capoeirista que foi criado desde novo por seu tutor, o Mestre Alípio, e após a morte dele Besouro decide enfrentar os diversos preconceitos que os negros sofriam mesmo após a abolição da escravidão.
 Conforme o filme corre, vamos conhecendo a história do candomblé, os orixás que protegem Besouro são muito bem representados pelos elementos da natureza e com uma fotografia muito próxima as ilustrações originais do candomblé.
 Besouro também teve uma participação especial atrás das câmeras, que foi o preparador Huen Chiu Ku, ele preparou todas cenas de lutas que se vê no filme, com todos aqueles efeitos maravilhosos usados nos filmes "Matrix" e "O Tigre E O Dragão". Uma das cenas que merece muitíssimo crédito é a da luta de Besouro e do Exu na feira livre dos negros, não perde em nada para os dois outros filmes que Huen preparou.
 Os atores também merecem crédito, são em geral novos no cinema, até participaram de uma ou outra produção global mas não são aquelas figurinhas clichês que tentam reproduzir seu papel marcante da novela no filme, pelo contrário, vivem muito bem os personagens que tomaram partido.
 A fotografia do filme é de um conceito interessante, segundo o diretor, ele contratou um especialista de fora, o equatoriano Enrique Chediak, e teve uma explicação muito boa para isso, "Quem está fora vê o Brasil com outros olhos...", tenho que dizer que ele acertou em cheio, é bom ter aquele olhar maravilhoso que nós brasileiros temos somente com os Estados Unidos e muitas pessoas de fora tem com o nosso país, o filme tem cores quentes, é "caliente", retrata bem o nosso Brasil Tropical!
 Com sequências de ação muito bem filmadas, planos sequênciais e abertos muito complexos, o diretor impressiona, pois este foi seu primeiro longa, sua especialidade eram filmes publicitários e logo de primeira acertou muito bem, sua direção foi impecável, claro que ví várias críticas sobre o filme, mas brasileiro ainda sofre desse mal, critica muito aquilo que não compreende ou não consegue fazer melhor, mas eu digo de boca cheia, dentro de todos meus sonhos de filmagens, câmeras, planos, equipamentos e roteiros que essa é uma obra-prima do cinema nacional.
Quando estou terminando uma postagem como essa me pergunto se não esqueci de nada várias e várias vezes, pois quero dividir com vocês a felicidade que sinto em ver que nosso cinema caminha para um futuro melhor, onde faremos filmes de conteúdo e com qualidade, e isso com toda certeza é o cinema do qual eu espero fazer parte!
 Boa semana a todos, abraços!

domingo, 2 de maio de 2010

P.S. Eu Te Amo

 "P.S. Eu Te Amo", de Richard LaGravenese.
 Ta aí um filme que eu queria ver há tempos, não só pelo fato de ter Hilary Swank, que já tem dois merecidos Oscar na estante, mas por Gerard Butler, o eterno Leônidas de 300, que vem me surpreendendo a cada filme que vejo. Já não acreditava quando o vi no Fantasma da Ópera, agora ele aparece na pele de um irlândes de meia idade super de bem com a vida.
 Os dois formam o casal protagonista da trama, um casal jovem, cheios de ambições e problemas, mas que ainda tem um amor maior que resolve tudo, o foco central se resume em mostrar a vida de Holly (Hilary) após a morte de seu marido Gerry (Gerard), visto que ele mesmo planejou tudo através de cartas para que ela conseguisse enfrentar e passar pelo período triste que é a perca de uma pessoa querida.
 Gerard aparece relativamente pouco no filme, mas sempre nas ocasiões mais dramáticas revelando um pouco de cada momento que deixou escrito nas suas cartas antes de morrer, é muito legal ver seu trabalho pois esse filme é o avesso de 300, onde ele era bruto e ignorante, aqui ele trabalha o lado romântico e faz muito bem feito, é com certeza o tipo de homem que qualquer mulher se apaixonaria, tem um carisma espetacular e uma sensualidade que domina, não falando em padrões estéticos, mas em padrões técnicos mesmo, ele sabe a hora de fechar algo mais tenso no olhar, a hora de ter liberdade de movimentos no plano, é tudo muito bem trabalhado.
 Hilary também não deixa pra trás, aliás, acho até que mais intenso o trabalho dela, pois além de trabalhar praticamente 75% do filme a tristeza e suas vertentes, ainda tinha que trabalhar sozinha, pois seu "marido" havia morrido, enquanto Gerard sempre tinha ela como partner de cena. Ela tem uma presença forte, que junto da trilha sonora, essa muito bem escolhida, com participações de grandes nomes como James Blunt, faz qualquer mocinha apaixonada chorar aos montes.
 Recomendo aos "casais quase perfeitos" esse filme e a todas pessoas que querem ver um outro lado do ator Gerard Butler. Boa semana!

Acabou!

 Não! Não é o blog que está acabando, é o musical que chegou ao fim!
 Depois dessa jornada de ensaios, apresentações e toda loucura que fazia parte, acabamos o "Making Musicals 2".
 Confesso que essa semana agora foi uma das mais difíceis dos meus últimos tempos, fazia tempo que uma sensação de vazio não preenchia tanto a minha pessoa. Corri muito, fiz várias coisas, mas parecia que tudo era em vão, que não tinha um sentido concreto ou que fosse valer a pena.
 A saudade tem batido forte, saudade da rotina, do bom e mal humor matinal de cada um, das versões não autorizadas feitas por nós, de todo o processo em si. Agora que terminou o relógio parece não andar, parece que faltam tantas horas para o ensaio ou que o final de semana não chega para apresentar logo e "se ver livre" hehehe. Agora pretendo voltar a rotina normal do blog, não essa semana já, pois ainda tenho muitas coisas pra botar em dia e o meu curso regular exige uma boa dedicação agora, visto que faltei as últimas 3 semanas, mas logo logo.
 Com esse post eu encerro um ciclo, vou olhar pra trás mais tarde e lembrar com muito carinho dessa fase, então queria deixar aqui os meus mais profundos agradecimentos a todas pessoas que fizeram parte dessa etapa da minha vida, a minha família por me apoiar SEMPRE, ao meu amigo-irmão Cicero pelo senso crítico que sempre me fez buscar o melhor e no final obtive um excelente resultado e a todos que conviveram comigo esses 7 meses, me ensinaram muitas coisas boas e acrescentaram algo no meu modo de ver a vida...

 É isso gente, "The Show Must Go On", vamos que vamos que atrás vem gente! hehehe

domingo, 18 de abril de 2010

Making Musicals 2

 Making Musicals 2 - Direção: Hudson Glauber, Dir. Geral: Wolf Maya

 Ufa, finalmente estreiamos!
 Hoje quero falar mais no pessoal, não como uma abordagem crítica do espetáculo, mas sim dividir com vocês um pouco do que tem sido esses últimos 7 mêses de preparação para o espetáculo.
 Bom, pra começar tenho que confessar que foi a minha primeira experiência musical em palco, já tinha feito peças sim, mas nunca dançado, cantando e sapateando, foi muuuito louco! Mas vamos por partes....

 O Período de Aulas
 Esse foi o período mais light do processo, passamos por muitas experiências novas, ví pessoas que tinham vergonha de abrir a boca, de soltar um berro, cantarem, se jogarem, acho que foi muito bom, todos sem exceção deram um salto qualitativo gigantesco, aliás, todos que se esforçaram, pois nessa época já se apresentavam os primeiros "levando com a barriga".

 O Período de Montagem
 Esse foi o mais chato, com certeza! 
 Montar um espetácul é difícil, quando você resolve começar a montar um espetáculo no dia 04 de janeiro, pior ainda! Essa fase foi a mais chata não por tensões ou discussões, mas por ter sido a mais repetitiva sem crescimento, infelizmente nem todos que estavam presentes tinham real interesse ou ao menos se esforçavam para comparecer aos ensaios.

 O Período Final Pré-Wolf
 Esse sim foi tenso, começamos a correr contra o tempo, a trabalhar em ritmo profissional, a dobrar, triplicar ou até mesmo quadruplicar a carga horária de ensaios. Foi nesse período que começaram as fofocas, discussões e toda a bad que reinou por dias, botando a prova os ânimos de todo mundo e fazendo muito neguinho pedir pra sair. Depois de tanto ensaiar com nossos professores chegava a hora de ter um diretor mandando e desmandando tudo(Hudson), hora de assumir o compromisso profissional com o espetáculo e fazer nosso papel real, obedecer e fazer bem feito, só!

 O Período Final Pós Wolf, A Última Semana!
 E lá veio ele, a vinda dele era tão esperada e temida como a segunda vinda de Jesus Cristo, cada um tinha sua história própria que caracterizava Wolf Maya, o tirano, o promíscuo, o gente boa... Quando chegou acho que até ele mesmo tomou um susto com o espetáculo, aaah como teve trabalho esse diretor! 
 E pra ajudar a dar um tom mais caótico a história, ainda tinhamos uma equipe técnica com novos e antigos profissionais da escola, parecia que realmente a estréia seria adiada.

 Últimos Dias, Quinta Feira...
 Quinta feira, um dia para a volta do Wolf, será que estava tudo ok? Seguimos todas mudanças conforme ele queria? Estava a equipe agora familiarizada com o espetáculo? O que estava por vir? Esse foi o dia cruél, perdemos dois colegas de palco, DOIS DIAS ANTES DA ESTRÉIA, isso resultava em praticamente 14 horas de ensaio, para mim e para o manga! Tivemos que repor os papéis dos nossos colegas que saíram, decorar músicas, números, coreografias, tudo isso em menos de um dia para apresentar o geral final para o Wolf - TEEENSO - .

 Últimos Dias, Sexta-Feira...
 Começamos o dia bem, um geral logo cedo com o Mestre Huds para dar aquela esquentada e organizada no que estava meio termo, uns acertos e bora almoçar que depois do almoço o wolf ta aí ok? 20 minutinhos e quero vocês de volta! Hahaha... 
 Wolf chega, começamos o geral, ele vê e então começamos o último geral, decupando a peça e dando os retoques necessários, daí adiante passamos o dia nisso, repetindo números e mais números, arrumando coisas pequenas, mudando idéias, usamos nosso horário ao máximo, agora só nos restava o sábado!

 Sábado, A Estréia!
 Chegou o diaaaa!
 Eu sou sincero, estava louco! Não me sentia como antigamente, morrendo de ansiedade, com o coração acelerado, mas acordei as 4 da manhã e não consegui mais dormir, foi fooooda! Eu tinha tanta coisa para pensar que a cabeça estava a mil, minha preocupação era com o solo do final, a música Gold Digger, tinha pego a letra quinta feira a noite e a melodia só consegui na sexta feira a tarde, eu praticamente passei o dia só fazendo isso, cantando! Era Gold Digger de "bom dia", Gold Digger de "uma mc-oferta do quarteirão com queijo", Gold Digger pra tudo!
 Terminamos a limpeza dos números, isso já era mais ou menos uma hora da tarde, e agora? Bora passar mais um geral! Tio Wolf, tio Wolf, só você! Haha. Terminamos o geral, parece que tudo estava ok, então era hora de almoçar, relaxar para a estréia, certo? ERRADO! Era 2:50 da tarde, dentro de 10 minutos estávamos estreiando, nossos 7 mêses se resumiam a aquele momento, tensão, medo, crises pessoais, tudo acontecia naquele momento!
 Pois bem, nos arrumamos no palco, era a hora, as pessoas começavam a entrar, que frio na barriga! Acho que esse foi um dos momentos que mais gostei nesses tempos de São Paulo, apesar de todas desavenças e tensão que passamos, nos juntamos todos numa roda e rezamos, fizemos nossas preces, pedimos proteção e nos abraçamos, a energia foi ótima!
 Eis o terceiro sinal! Santo Cristo passam mil coisas na cabeça, batida, foot loose começa! Daí pra frente tudo segue maravilhosamente bem, o pior passou e tantos mêses de ensaio nos deram estofo suficiente para não fazer feio. Tudo corre super bem, até que chega a hora de terminar o espetáculo, vem o meu tão desejado mas tão temido Gold Digger!!!! O que posso dizer é que dei meu melhor, mas... ACERTEI! Huauhuahuahuahuahuahuahauhauhaua Graças A Deus e a toda minha nóia de ficar o dia todo encima dessa música, cheguei na hora e tudo correu maravilhosamente bem! Iiiiiiissa!
 Finalizamos nosso espetáculo maravilhosamente bem, nada deu errado, as pessoas amaram, já não consigo pensar em como vai ser a minha vida daqui pra frente, tudo isso que tanto me irritava,  preocupava e tirava o sono, vai me deixar um vazio tão grande, mas ótimas lembranças com certeza!

 Bom, aí vai umas fotos da nossa estréia:
Foot Loose
There's No Business Like Show Business
Roda Viva
 Gold Digger

 É isso galera, por tudo isso que acabei meio que dando um tempo do blog, mas como podem ver valeu muito a pena e ainda vale, estamos em cartaz, segue os dados:

Teatro Nair Bello, Shopping Frei Caneca - Sábados as 15hrs, Domingos e Segundas as 21hrs, Ingressos: R$: 15,00.

 Apareçam lá!
 Uma semana abençoada a todos!

domingo, 4 de abril de 2010

Ego

 Ontém assisti um pedaço de uma entrevista com a atriz Susana Vieira, onde ela falava sobre o fracasso que foi sua participação na encenação da Paixão de Cristo.
 Achei legal comentar aqui, pois para mim Susana Vieira é exatamente o modelo de tudo que repudio ultimamente, uma atriz televisiva decadente sem a menor qualidade e como já disse, interpretando sempre Susana Vieira, isso mesmo, não personagens específicos, é ela interpretando si mesma.
 Além de dar um novo tom a virgem maria, coisa que até então tudo bem, eu aceitaria de boa afinal cada ator constrói uma faceta diferente para seu personagem, o que me irritou muito foi o fato de ela errar todas falas pois o espetáculo era dublado e depois ter dado a desculpa de que não teve tempo de estudar as falas, então porque assumiu o compromisso? Pra piorar tudo, no dia ela machucou o olho, aí tudo cabe como desculpa não é? Falando que se fossem essas atrizes novinhas elas voltariam para São Paulo na hora, dando indiretas ao entrevistador e falando para ele voltar no outro dia que ela estaria melhor no papel.
 Isso me irrita profundamente, ela tem um ego tão grande que não consigo ficar quieto a tamanhas besteiras, quantas vezes a mídia vai ter que avisar ela que ela ja passou da idade, que está na hora de se comportar como uma senhora de 60 e tantos anos como ela é, e não como uma mocinha revoltada que parece querer provar mil coisas ao mundo. Seu comportamento é justamente a vaidade que eu mais ojerizo de nós atores, achar que somos bons o bastante para desprezar o mundo todo, aaah como eu espero ter juízo e pensar muitas vezes antes de abrir a boca em momentos assim.
 Deixo isso mais como um aviso a todos nós, nosso pior inimigo mora dentro de nós mesmos, nosso EGO, que todos tomem ela como exemplo e pensem bem como querem levar suas carreiras...