sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retratação

 Venho através deste fazer uma retratação a postagem anterior sobre a peça "Uma Gota de Rancor".

 Acredito ter sido muito infeliz em certas frases, que acabaram por levar o tema para outro sentido, o qual comprometeu seriamente nomes citados e por questão disso sinto me obrigado a me retratar.
 Tenho um sério problema pessoal, que talvez seja acentuado pela minha situação aqui em São Paulo - não sou uma pessoa bem financeiramente, sempre ralei desde muleque, muito, com certeza mais do que qualquer outro colega que eu conheça, e por isso dou um valor exagerado a tudo que possuo - mas é o seguinte: Odeio pessoas ou coisas não levadas a sério, e por muitas vezes acabo tomando a minha verdade como absoluta, fato extremamente ignorante e de falta de senso.

  Queria me retratar com a Escola, em primeiro lugar, pois acabei escrevendo frases que para quem lia soavam diferente a minha intenção ao escrever.

 * O termo "financeira" quando escrevi, referia-se a minha classificação dos alunos, que na sua grande maioria são de um maior poder aquisitivo e de um desinteresse de mesma proporção, os tantos que não pretendem ser artistas, simplesmente celebridades, não se refere a uma escola que tem somente interesses financeiros nos alunos, a prova mais bem dada disso é a minha própria, que sempre tive o maior auxílio possível da escola, era bolsista, nunca me foi negado nada, sempre tive total dedicação de atenção por parte dos mestres e do próprio diretor Hudson, o qual me sinto muito mal por ter passado uma imagem contrária a que construí esse tempo todo.

 * O termo "direção", referia-se a direção da peça, não a escola, adiante entrarei nesse assunto.

 Um dos meus "problemas" é amar demais aquele lugar, tenho uma paixão violenta pela escola que frequento, porque sei que é a melhor, admiro o Wolf como um ícone a ser alcançado, baseio toda minha carreira na imagem dele, tenho uma utopia talvez de amar muito o que faço, o que já foi até referido em aula como "um pouco demais e até perigoso para mim mesmo", muito me incomoda o descaso das pessoas com os cursos, com o que dizem ser sua futura profissão, salvo algumas pessoas, claro, e infelizmente tento sempre propor meios de solucionar os problemas dos outros, quase sempre por discussões ou textos, coisa que nem é do meu particular, mas que acabo tentando resolver por "um bem maior".

 Em uma dessas "tentativas" propus uma discussão sobre vereda e fiz a burrice de ouvir uma colega que se  passou por assistente de direção - ou foi outro erro absurdo da minha compreensão - mas que de fato NÃO É a verdadeira assistente, que me aconselhou a não procurar o diretor Ferrara para esclarecer minhas dúvidas, sendo assim as tomei como sem resposta e passei adiante, burrice minha, volto a dizer.
 Como não pude conversar com o diretor, usei perguntas contra um argumento de outro diretor que eu já trabalhei, e acabei novamente errando incitando uma comparação de dois trabalhos igualmente magníficos e que não necessitam comparações.

 Devo minhas sinceras desculpas ao diretor Sergio Ferrara, talvez por me expressar mal acabei como um juiz sobre o seu trabalho, e não tenho a menor capacidade ou competência para tal, me sinto mal realmente, pois sei que do mesmo modo que julgo posso ser julgado, gostaria e ainda vou falar com ele e pedir desculpas pessoalmente, pois reconheço que dentro dos meus questionamentos passei uma prepotência que não cabe a minha pessoa e devo me desculpar pela mesma.

 Enfim, quero pedir desculpas a qualquer um que se sentiu ofendido pelo que foi postado, sinto como uma responsabilidade tentar conscientizar a nossa geração que já não é boa, debater ideais de arte, criei esse blog como meio de discussões para crescermos juntos, não para alfinetar, e eu arrisco muito, procuro sempre aprofundar o que posso, pois temos que fazer a diferença, é o nosso papel como artistas, só que como não sou Deus, acabo errando, e feio! Só posso pedir desculpas a quem tenha se sentido ofendido, dentro do meu pequeno casulo acabo sempre tentando crescer mais e por vezes erro feio...

domingo, 17 de outubro de 2010

Tendências....

  Após 5 peças seguidas, de diferentes grupos, eis que me deparo com um mesmo detalhe em todas, a presença da nudez. Eis o assunto de hoje.
  Desde a semana retrasada venho assistindo várias peças por final de semana e essa idéia de discutir sobre o tal fato vinha me pressionando mais e mais, até que ponto a nudez explícita é necessária no teatro? Antes não me incomodava com o fato, mas de repente me vejo cercado de diversas peças com diversos temas  e TODOS contendo nudez, comédia, drama, tragédia, todos nús! 
 Minha concepção sobre teatro é de que a sugestão é sempre melhor que o explícito, o que não se mostra é muito mais interessante e brinca mais com a platéia do que o que lhes é entregue mastigado. De repente, como se fosse um mero fato apelativo - isto é, se realmente não é a intenção -, eis que meio elenco fica nu, eis que a fulana e ciclana ficam nuas, eis que beltrano fica nú.
 Tal teatro não me interessa, já temos a facilidade da nudez a qualquer hora através de milhares de opções, não acredito que em meio a uma vida tão caótica uma platéia com seus diversos problemas consiga prestar a atenção devida a uma cena com uma pessoa nua a sua frente, hoje em dia temos desejos, temos tentações, é normal termos nossa atenção voltada a outras coisas que não sejam ligadas com a cena, seria hipocrisia ignorar o fato e mentir a si mesmo de que nada de diferente está acontecendo.
 Me vejo nú em meio a tantas obras com tal "conteúdo", penso se a criação da cena com a tal brincadeirinha da "sugestão", de "deixar a platéia pensar", não seria mais interessante.... Se de repente nosso teatro não está vagarosamente sendo influenciado por tendências, por fatores apelativos que busquem a atenção do público mas sem uma real necessidade dramática, algo como inovar no desespero, sem um sentido dramático para aquilo, se o comercial independente do conteúdo e significado final tem conseguido mais e mais espaço, enfim, "SERÁ QUE É NECESSÁRIO?"  Acredito que o teatro tenha outra finalidade, que não seja interessante a nós possuírmos fatores determinantes de temporadas.
 Penso cada vez mais e peço para que essa "tendência" passe...

domingo, 19 de setembro de 2010

Back to Black.


 Oi, voltei!
 Sei que estou há três semanas sem escrever, sem postar nada, mas dessa vez a desculpa não foi nem trabalho nem falta de conteúdo, pelo contrário, ambos estão a todo vapor.
 O motivo pelo qual deixei de escrever foi que cheguei a um ponto que isso virou obrigação para mim, e tudo que vira obrigação perde o sentido mágico que existe e passa a ser mais uma tarefa ordinária da qual não se extrai alegrai alguma, tudo que eu não pensei quando comecei isso aqui. Aí decidi ficar ausente e durante esse tempo todo estive lendo, assistindo, mas não sentia a vontade de escrever ou comentar algo que achasse interessante com vocês. 
 Esclarecido o motivo digo-lhes que não estou acabando o blog, pretendo postar muito ainda, mas que estou em um período mais introspectivo portanto durante esse período minha participação aqui será muito menor, mas jamais abandonarei por completo, e, creio eu, logo logo estarei de volta a todo vapor, aqui!
 Cada dia que passa me sinto mais próximo de uma plenitude profissional, não financeira, esse é o terror do ator-estudante hahaha, mas uma plenitude que se resume em saber o que estou fazendo e fazer bem feito, é sentir mais do que tentar e realizar na medida exata, nem mais, nem menos. Estou longe de uma qualidade magnífica, mas consigo reconhecer e realizar melhor do que antes, e essa percepção me abre a visão para um horizonte cheio de possibilidades concretas, onde antes só havia sonhos agora existem caminhos, longos, curtos, mas existem e estão somente esperando o meu passo em direção a eles.
 O que antes era superficial agora começa a ter outra forma, acredito que isso seja bom, ignorar as coisas por menores que sejam talvez não seja saudável, aceitar o seu tamanho pequeno, ver que "Carvalho é carvalho e Bambu é bambu, que um não invade o espaço do outro e nem ao menos tenta ser o outro" é esclarecedor e acrescenta muito na busca de se tornar um profissional melhor, um ser humano melhor.
 Talvez eu comece com postagens com assuntos diferentes dos que seguia aqui, porém de tamanha importância como os que sempre foram postados, por hora acredito que é isso, uma ótima semana amigos!

domingo, 22 de agosto de 2010

Filadélfia

"Filadélfia", por Jonathan Demme.

 A história de um promissor advogado que perde seu emprego repentinamente após uma grande conquista pode ser simples, mas e se fosse um jovem advogado com AIDS? É com essa situação que vamos conhecendo a história de Andrew Beckett (Tom Hanks), um promissor advogado de uma empresa de prestígio na Filadélfia e que tem seu emprego cortado da noite para o dia.
 Com uma atuação maravilhosa, verdadeira e muito intensa, Tom Hanks extrai a mais profunda comoção do espectador e apresenta a história de Andrew. Nesse filme, que foi rodado em 1993, somos apresentados a uma Filadélfia de preconceitos e homofobia onde um homem tenta restituir sua honra depois de um golpe em sua carreira.
 Desde o começo já nos é apresentada a doença de Andrew, sua luta para administrá-la e o rumo que o mesmo vai tomando por conta dela. Após sua demissão, Andrew certo de que foi vítima de um golpe resolve levar sua empresa a suprema corte, para isso conta com o apoio do advogado Joe Miller (Denzel Washington) e Miguel Alvare (Antonio Banderas), o namorado de Andrew.
 A intensidade com que a Tom Hanks trabalha é praticamente uma aula de interpretação, sua expressão, sua angústia, cada minuto que o filme avança vemos o sofrimento do personagem aumentar, e o melhor disso é ver que o ator embarcou nessa, temos uma cena onde Andrew descreve uma ópera que é arrebatadora! A profundidade que seu olhar nos leva desperta intrigas e nos prende a pensar o que faríamos na condição dele, um homem com a morte sentenciada! A troca que ele tem com o público é de uma intensidade que quebra qualquer convenção de comunicação, é de arrepiar! Denzel Washington também trabalha bem, mas não foge do seu tipo para o personagem, é durão, amargo, não foge disso, acho que trabalhou tendo consciência que a cena em quase todos momentos era do colega, o que demonstra uma bondade enorme, um saber se comportar em cena pensando no todo e não no seu próprio destaque. Quem também rouba a cena é Antonio Banderas, que por seu personagem ser o companheiro de Andrew ele contribuía com o clima da cena de uma maneira incrível, nos momentos de dor ou alegria o seu Miguel dava um toque único que gerava algo em Andrew e nos direcionava para algum lugar.
 O filme todo se passa na luta dos dois, no avanço da doença de Andrew e no julgamento do processo. Acho que por ser um filme de 1993, a caracterização mandou muito bem, pois as lesões que Andrew tinha eram muito reais sem beirar o exagero. 
 Olho tudo que escrevi e sinto um aperto, penso ter escrito pouco pelo tamanho que achei do filme, pelo tanto que me comoveu assistí-lo, mas o filme é basicamente o trabalho de Tom Hanks, o qual já comentei, os demais são acréscimos que só ajudaram a tornar o mesmo uma obra-prima, e como não quero cair no segmento sinopse do filme acho melhor ir parando por aqui. Foi indicado ao Oscar por: Melhor ator, melhor canção original, melhor maquiagem, melhor canção e melhor roteiro original.
Boa semana a todos!


O Amante

"O Amante", de Harold Pinter com direção de Francisco Medeiros.

 Uma comédia/drama que trata do assunto mais banal a casais, a fidelidade. Com esse tema tão delicado Paula Burlamaqui e Daniel Alvim atacaram o texto de Harold Pinter comandados por Francisco Medeiros. 
 A peça gera uma identificação unânime na platéia, o que é bom. Vemos um casal aparentemente normal - Paula como Sarah e Daniel como Richard - com uma característica a mais: ambos tem um amante e aceitam isso tranquilamente. Esse é o princípio de todos os conflitos que se desenrolam na mesma e que nos prende atenção nos seus 80 minutos de duração.
 Como o próprio diretor afirmou, quando decidiu assumir a direção da peça, de início ele não sabia o que fazer, e realmente é uma tarefa muito complexa, pois a peça só vai dando o entendimento conforme ela finaliza, até então temos aparições intrigantes que apenas nos sugerem algo, mas muito longe da realidade do casal. As tais aparições são feitas pelo próprio Daniel, o que gera uma pequena confusão de começo, se é falta de necessidade de mais um ator ou se é algo proposital. Após uma segunda cena percebemos então o ouro do casal e o entendimento dos dois vem a tona, são um casal que vive de jogos amorosos com seus personagens distintos.
 Essa idéia foi abraçada por ambos atores, isso é visível e muito bom, pois eles fazem cada personagem nos mínimos detalhes e fazem muitíssimo bem, o que seria bobo se fosse uma brincadeira real de um casal se torna interessantíssimo feito pelos dois, fato que nos prende a atenção até o fim do espetáculo.
 Quanto ao conflito do casal, não é um conflito de uma profundidade ou que queira passar uma mensagem muito densa, é um simples casal com um problema banal, como qualquer um de nós, o que é muito bom, pois as pessoas tem de ir ao teatro também para isso, se identificar, não somente para chorar ou lavar a alma com um drama pesadíssimo. 
 Um ponto a mais para Daniel Alvim, que além de um excelente trabalho em cena, tem uma qualidade vocal que faz falta aos atores de hoje em dia, ouví-lo em cena é muito bom, sua projeção é excelente.
 Uma peça muito boa, vale a pena conviver 80 minutos com esse casal pra lá de interessante!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A importância de se dar o valor como ator...

 Aí vai mais um assunto que há tempos cutuca a minha cabeça para ocupar um espaço aqui.
 Escrevo isso em nome da minha indignação com o meio e com os que ajudam a torná-lo mais decadente...

 Desde que me registrei como ator profissional sempre observei e julguei que acima do registro, nós, atores com o famoso DRT, deveríamos ter uma postura de extremo profissionalismo e valor a arte. Infelizmente o que vejo hoje em dia é justamente o contrário, devido a fácil liberação desse documento - o qual deveria ser reformulado seguido de um rígido sistema avaliativo para obtê-lo -  nosso meio virou - em termos bem esdrúxulos - um "puteiro".
 Não consigo entender como as pessoas se submetem a tais coisas bizarras como atuar em peças sem o menor conteúdo cultural, interpretar personagens em feiras usando a roupa que fizeram em casa, fazer eventos como festas de aniversário temáticas e se dizem atores profissionais, poxa, não tenho preconceito ao último caso, pois conheço pessoas que fazem e sei da necessidade real de sobreviver, mas esse tipo de coisa NUNCA SERÁ um trabalho de ator, isso é simplesmente um animador de festas!
 Devido a essas pessoas que julgam essas atividades como trabalho cênico é que temos a desvalorização da imagem do ator e do seu valor em mercado, hoje em dia temos filhos da puta - com o perdão da palavra - que simplesmente apresentam peças por apresentar, em qualquer que seja o teatro, as vezes saíndo até no prejuízo, sem ganhar um mínimo tostão! E ainda chamam amigos, tio, vizinho e papagaio para assistir e fazerem promoção. Poxa! Assim nunca conseguiremos impor um nível artístico decente a nossa profissão, assim cada vez mais ouviremos: "Não, esse teste não tem cachê-teste, é um comercial de 30 seg em horário nobre, com EXCLUSIVIDADE de 2 anos e cachê de 2 mil reais com desconto de nota". Caralho, fdp, putaquepariu! Pega o desgraçado filho de uma cadela manca que aceita um trabalho desses e dá uma surra! Pessoas egocêntricas desse ponto é que NOS prejudicam, pois desvalorizam nosso trabalho, não devem ousar ser chamados de atores, são putas da pior estirpe! Esse papinho de sobreviver e bla bla bla é o cúmulo, vai animar festa igual os outros fazem, não se considere ator pelas animações, mas considere o ideal, por abraçar a nossa causa de valorização, isso já é um começo para um ator mais consciente.
 Por exemplo, uma peça ridícula, com um diretor fracassado, aspirantes a atores e com um material para lá de apelativo, feio e muito mal feito. Com qualquer 300 reais adiantados consegue espaço num teatro de fundo de quintal, com tios, vizinhos, avós e cachorros assistindo e promovendo e se dizem uma companhia teatral com uma peça em cartaz com grande clamor do público ao seu renomado diretor e o grande trabalho da equipe. Equipe? Que equipe?!
Se tem uma coisa que me orgulho mais do que os trabalhos magníficos que fiz, foi os que recusei! Por incrível que pareça nunca errei, todos não passaram de 1 mês em cartaz, TODOS! Agora, qualquer ator-de-feira-do-fundo-do-quintal faria, como uns tais fizeram, e se chamam atores por isso! Me indigna isso, rezo o dia em que entre uma pessoa responsável pela real cultura do Brasil e proponha uma reavaliação artística, sim, todos atores já formados e com seus famosos DRT's passarão por um novo teste para comprovar o seu nível artístico, garanto que 90% cai fora na primeira fase!
 O que mais vejo hoje em dia são atores-modelos que trabalham em feira tentando a carreira artística, agora enquanto escrevo esse texto perguntei a um que tenho contato se ele estava fazendo o curso X que é um curso de nome e qualidade no mercado, sabe o que ouvi de resposta?

"Esse curso além de ser caro (400 reais/mês o PROFISSIONALIZANTE de 1 ano) é todos os dias, não quero isso, to fazendo uma oficina que tenho aulas 1 vez por semana e em 1 ano e meio tiro o drt porque nós fazemos 4 peças nesse período..."

 Sério, vocês levariam a sério uma pessoa assim falando que é artista? Eu não!
 Sei que é quase em vão, mas proponho aos poucos amigos que lêem e sabem do que eu falo, que ignorem essa laia, esse povo com data de validade que suja nosso mercado, sejamos rudes e rígidos ao máximo para que coloquemos essas pessoas no seu lugar! Na minha frente atorzinho-de-feira-ex-modelo-dançarino(a)-gogo-boy(girl) vai ter que no mínimo me explicar a diferença entre Ibsen e Strindberg para que mereça a minha consideração....

 Uma ótima quarta-feira a todos...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Vidente

"O Vidente", por Lee Tamahori.

 Tive a oportunidade de ver hoje em um dos meus poucos e raros momentos de lazer esse filme, protagonizado por Nicolas Cage, Juliane Moore e com uma pequena participação de Jessica Biel.
 Na trama Nicolas Cage é Cris Johnson, um cara normal que nasceu com a habilidade de prever o futuro 2 minutos além. Durante todo o filme vemos uma perseguição a Cris e uma série de erros que fizeram com que o filme fosse uma das desgraças de Hollywood.
  Cage foi muito criticado por esse trabalho, as críticas especializadas falam que ele vinha de uma série de fracassos, como "O Sacrifício" e "Motoqueiro Fantasma", não ouso ser tão severo, acredito mais que Cage simplesmente não ousou nesse trabalho, foi o mesmo Nicolas Cage que é em vários outros filmes e não conseguiu imprimir nenhuma característica do personagem que sobrepussesse sua imagem. 
 No desenrolar do filme, há uma incoerência enorme que contribui para seu fracasso. Não temos uma apresentação breve do passado do personagem e o filme parece que de uma hora para outra decide colocar suas idéias que foram apresentadas no sketch de pré-produção, temos o amor da vida de Cris que aparece do nada e com uma única noite se apaixona profundamente por ele, terroristas que sem a menor apresentação resolvem detonar uma ogiva nuclear em plena Los Angeles, não me perguntem o motivo pois esse também não foi explicado e uma ampliação instantânea dos poderes de Cris também sem explicação.
 Uma coisa que devo concordar com a crítica especializada é que Nicolas Cage já passou da idade de interpretar o mocinho, ele pode muito bem bancar um bom galã, mas chega a parecer ridículo ao lado de Jessica Biel, não há contraste, cada filme ele aparece mais careca e tentam esconder isso com penteados ou apliques, acho que passou da hora de aceitar o fato e trabalhar com o que se tem, o tal mocinho do filme não prende a platéia, pois de mocinho não tem nada.
 Com todas essas incoerências e com um final que parece "brincar com a inteligência" do espectador, só o que se salva é o trabalho de Juliane Moore, como uma agente do FBI que caça Cris para ajudar a encontrar a bomba, também tem seus exageros e uma referência a "Laranja Mecânica" que jamais poderia existir, mas trabalha bem e salva seu papel. 
 É bem provável que "O Vidente" teve um roteirista em crise, pois conforme conferi, o autor do qual se inspiraram para fazer o filme também inspirou "Minority Report", então o autor em sí deve ser muito bom, mas infelizmente o roteirista e toda equipe que trabalhou no filme pecou muito, por essas coisas que digo que não posso julgar a fundo o trabalho dos atores, acredito que principalmente no cinema, mais do que televisão e teatro, os atores e equipe são um conjunto que deve estar afinadíssimo para se obter um ótimo resultado final, e não é o que vemos nesse filme, vemos atores representando suas faces de sempre e erros que nos remetem a um filme de ação de 5ª categoria.
 Com efeitos pra lá de exagerados, "O Vidente" é um típico filme de Tela Quente que não merece lugar no seu final de semana!

domingo, 1 de agosto de 2010

Relatos de um homem sem fé....

 Isso não é uma resenha, nem nada que já esteve presente nesse blog, é um simples texto que escrevi em um determinado momento e achei legal postá-lo para abastecer o blog e por ter sido bem aceito em outro meio que publiquei....
"Vivo da luta e sempre lutarei. Sobrevivo sem sonhos ou ambições, simplesmente vivo por mera questão existencial e lutarei até o último momento para tornar esse existencial o mais notável possível aos meus semelhantes, seja com afeto ou com confronto, vivo da luta e sempre lutarei...
Desprezo o fácil e reprimo o falso, vivo como haveria de viver e supero a expectativa sempre que imposta como se fizesse de hábito, não respeito os que não devem ser respeitados e não temo os que merecem respeito, minha força vem da minha ironia de que destino algum tem o poder de me tirar tão fácilmente deste mundo... Não vim para vencer, vim para sofrer e mostrar que o máximo de nós mesmos é o mínimo dos outros, e que essa verdade absoluta reina desde o passado e não serei eu que haverei de mudá-la, mas nem por isso não devo ter o anseio de tentar - somente pelo simples deleite de um confronto - o que não se pode vencer é muito mais interessante do que o que já está derrotado...
Ridicularizo o homem, o qual não soube aproveitar as habilidades dadas e deixa de evoluir pois não tira o olho do próprio umbigo, deveras companheiro não é desse modo que se cresce, mas é o homem e seu universo de vidro, e eu que posso mudar? Não vim para vencer, vim parar sofrer, vivo da luta e sempre lutarei..."
Vinicius Olivo

 Mais uma semana de ensaios, 14 dias para o Criança Esperança 2010, tenham um ótimo dia.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Juventude Transviada

"Juventude Transviada", de Nicholas Ray.

 Juventude Transviada é um filme que me ganhou nos primeiros 10 minutos. Já tinha ouvido falar da atuação de James Dean, que infelizmente morreu cedo, mas nunca pensei que houvesse tanta verdade e fé cênica em um ator tão jovem. Na verdade é um filme que impressiona pela quantidade de jovens e bons atores em cena.
Os olhares são impressionantes, e os gestos fundamentais para este filme que retrata uma juventude que desconta toda sua angustia de querer descobrir a vida e se encaixar no meio social, em brigas e futilidades.
É muito bom assistir a atuação de Natalie Wood com sua Judy e sua "queixa" na delegacia, no começo do filme, aos soluços. Além de bonita, o que tambem encanta é a forma com que conduz sua personagem e como é natural o tempo todo. Sal Mineo, com John Crawford, vai ganhando seu destaque aos poucos e lentamente encaminhando seu personagem para um final surpreendente. Nos seus olhos refletem sepre o turbilhão de sentimentos com relação ao mundo, as pessoas e principalmente a Jim Stark (James Dean) em que vê um pai, um amigo e por vezes parece até algo mais, mas sempre confia e se inspira nele.
O que chama atenção tambem são os detalhes nos cenários, mesmo os que aparecem poucas vezes e as locações, como a do planetário que mostra uma bela paisagem, e o figurino que reflete muito a personalidade de cada personagem e como se encontra em determinado momento de sua vida. Há quem diga que o filme peca pelos clichês que são recorrentes, mas sinceramente acho que em momento algum atrapalha a opinião do espectador com relação a história, porque não são mostrados de forma gritante, e sim de forma que chega até parecer um arquétipo, o que é bem raro de se conseguir.
Vale destacar que para a época que foi produzido este filme, foi considerado muito liberal e chocava as pessoas, em grande parte moralistas, que não estavam acostumados a ver filmes que retratavam jovens apostando rachas, abusando de bebidas alcoólicas ou usando armas.
Penso que é um filme que foi feito para ser eterno, não só pelos atrativos técnicos, mas tambem por retratar a juventude, que apesar da constante evolução, a rebeldia na sua essência continuará sempre a mesma.

domingo, 27 de junho de 2010

"Olhe para trás com raiva", de John Osborne por Ulysses Cruz

 "Olhe para trás com raiva", de John Osborne, dirigido por Ulysses Cruz e adaptação de texto por Marcos Daud.

 Um drama intenso e bem elaborado, é isso que Ulysses Cruz nos oferece de bandeja através dessa excelente adaptação de Look Back In Anger. Temos uma peça realista e densa do início ao fim, onde os conflitos principais dos personagens não batem de frente com antagonistas como de praxe nos milhares de dramas espalhados pela cena teatral. Os conflitos estabelecidos na peça são de modo geral contra a época, a Inglaterra pós-guerra que encerrava qualquer plano de jovens dotados de talento e ambição de realizar-se.
 Conhecemos o protagonista Jimmy Porter (Sérgio Abreu), um cara pra lá de revoltado que desenha muito bem esse sentimento de impotência contra o sistema, que parece lhe acorrentar desde pequeno e lhe mostrar as piores dores do mundo logo cedo. Jimmy tem consigo sua esposa Alisson (Karen Coelho), seu amigo Cliff (Thiago Mendonça) e a amiga de Alisson Helena (Maria Manoella), outros personagens - "tipos" - que nos retratam essa mesma impotência mas de outro ângulo.
 Sérgio Abreu merece os parabéns pelo excelente Jimmy, o ator trabalha a revolta e impotência do  mesmo sem exagerar, ele nos joga a sua realidade na época, discutindo consigo como se discutisse com a platéia seus questionamentos sobre o futuro do homem e seus sonhos, e o próprio decorrer das cenas o corta e nos faz perceber que nada que fosse feito mudaria, que essa é a realidade dele. Thiago Mendonça também trabalha bem, seu Cliff já aceita mais a realidade, sabe da sua ignorância e de certo modo parece gostar um pouco da vida, como ele mesmo diz, é um "amortecedor"  das brigas que acontecem entre Jimmy e Alisson e pouco mais anseia do que isso, só perto do fim da peça que vemos Cliff indo embora e tentando viver sozinho.
 No decorrer da peça vemos a história como se fossemos parte da mesma, em meio a cenas na platéia e questionamentos feitos por Jimmy que nos tiram da zona de conforto e nos fazem pensar muito, nos vemos também impossibilitados de agir, vemos que a peça avança e que os personagens parecem não se libertar daquela prisão que os rodeia, tanto que a peça não é uma espécie de folhetim que leva o bem contra o mal e o bem acaba vencendo, no fim as coisas estão no mesmo ponto do começo. Acontecimentos relevantes se sucedem ao decorrer da mesma mas no fim a peça parece não ter saído do lugar, os personagens continuam com seus mesmos destinos cruéis do início.
 Com um cenário impecável e uma produção pra lá de competente, "Olhe para trás com raiva" vale muito a pena, nos faz entender a história e olhar pra trás com muita raiva, fato! Mais um trabalho impecável de Ulysses Cruz e Marcos Daud, desde os meus tempos de Globe acompanho e quanto mais vejo mais anseio por ver, valeu o fim de semana, com certeza!