domingo, 20 de março de 2011

Como VOCÊ agiria?

Hoje um amigo me passou um vídeo que instantaneamente me emocionou! Me emocionou pelo fato de me colocar no real lugar onde deveria estar, onde todos nós deveriamos estar mas fugimos por estar ocupados demais envaidecendo nossos próprios problemas e os superestimando.
 Todo dia nos deparamos com vários problemas do cotidiano que por muitas vezes nos deprimem e nos diminuem., cada vez que abaixamos a cabeça parecem existir mais! Mas por um momento eu lhes peço, voltem a analisar esses problemas após assistirem esse vídeo e ouvir essa música.
 Agora eu volto a lhes perguntar, realmente seus problemas são tão grandes assim? Eu me sinto até envergonhado quando paro e olho para dentro de mim, uma pessoa provida de uma saúde 100% ok, com força suficiente para concretizar o que sonho e de repente abalado por algum pequeno desvio do cotidiano. E se esse cara fosse como eu? Façam essa pergunta a si mesmos, vocês teriam tamanha força e amor para agir como ele agiu? Eu sinceramente não sei, pois graças a Deus nunca passei por nada parecido, mas sinto cada vez que ouço essa música que poderia fazer muito mais... E espero fazer, cada vez que desanimar quero olhar para esse vídeo, para esse cara e pedir 10% dessa força que o move.
 Isso não é um sermão, é um apelo, um apelo para que nós deixemos de ser dramáticos e agradeçamos a vida que temos e lutemos não só por nós mas sim pelos outros também, em um mundo cada vez mais singular e sem valores, precisamos injetar ânimo e amor para que histórias como essa se repitam, para que as pessoas vivam não só pela sua felicidade mas também pela dos outros, sei que isso é bastante utópico, mas nesse mundo apocalíptico que estamos vivendo  um pouco de sonho e amor cai bem...
 Sei que ultimamente tenho fugido do foco do blog, talvez seja pelo simples fato de que cumprir uma agenda regular me agonia, sinto que o que preciso escrever agora não é sobre teatro, para compreender bem o teatro precisamos sentí-lo e para sentí-lo precisamos estar minimamente abertos a isso, e é o que quero tentar fazer, pois nosso cotidiano fabrica pessoas cada vez mais insensíveis e fechadas, fica aqui meu apelo...

Anywhere you are, I am near
Anywhere you go, I'll be there
And I'm gonna be here forever more
Every single promise I keep
Cuz what kind of guy would I be
If I was to leave when you need me most

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ufa!!!

 E aí povo, como estão? Sim, eu estou bem, bem sumido!
 Mas tenho mais um ótimo motivo, logo finalizo mais uma etapa importante da minha carreira e da minha vida, a qual vim aqui dividir com todos. 
 Faz exatamente um mês que vim para o Rio de Janeiro, para trabalhar em Lara com Z, um seriado da Rede Globo
 Durante esse período aqui aprendi coisas magníficas, fiz parte do grupo de teatro da Lara Romero (Susana Vieira) e ensaiei muito! Tive a sorte de ter um mestre fantástico nas artes marciais (Dani Hu) que conduziu nosso grupo no treinamento dos soldados de Macbeth, e que dentro do que treinamos acrescentei novas técnicas que agora levo junto na carreira.
 Rompi com meu compromisso de postar mais frequentemente, mas quanto mais me esforço para tentar revolucionar mais vejo o quão desinteressante eu pareço ser,  não interessa as pessoas hoje em dia refletir, elas já são magnificamente perfeitas, então para que isso né?! Eu como um bom ignorante que sou continuo lendo e escrevendo, mas não aqui, nem tudo que escrevo agora vem parar aqui, estou aprendendo que meus livros tem mais a me ensinar sobre o que me interessa e que o tempo gasto com eles é mais proveitoso do que conscientizar esse mundo de futilidades.
 Mas voltando a esse período bom que vivi aqui no Rio, amanhã acabo essa fase, a minha participação como soldado de Macbeth encerra-se com muita alegria, carrego novos atributos como artista, novas vivências com o que pretendo ser (diretor) e com uma sensação de missão cumprida, e uma missão-chave cumprida! 
 Agora vou conseguir comprar a câmera que tanto sonho e vou poder fazer meu humilde cinema, começando pequeno mas com ânsia de um dia ser gigante, e isso marca minha carreira, é como um segundo passo firme, do qual sabe-se que mesmo que o mundo desabe no sentido contrário, seja onde eu estiver e como estiver, esse passo não sairá do lugar e me manterá firme.
 Estou feliz, queria dividir essa novidade com todos, pois a mesma não me deixa dormir, e quando se está em um quarto de hotel solitário e sem amigos se tem que conversar, seja como for! Hahaha...
 Uma semana maravilhosa a todos, assim que tiver a câmera em mãos vou fazer uns testes e mando para assistirem...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um brinde a realidade e a filosofia...

 Lendo sobre Einstein, Aristóteles, Descartes, Voltaire e Rousseau, uma vontade enorme de escrever tomou conta de mim. Afinal, o que teriam de tão diferente esses homens, que viam claramente o futuro e o que ele iria se tornar, o que os fazia se tornar visionários de um mundo caótico o qual preveram com tamanha excelência e acerto?

 O que pensava Voltaire quando escrevia "O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado", ou Einstein quando disse "Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade"? Qual mundo Rousseau citava quando falou "Quanto mais do mundo vi, menos pude moldar-me à sua maneira" ou Descartes que havia dito que "Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra"? Seria o mundo onde "Todos os trabalhos pagos absorvem e degradam o espírito" de que falava Aristóteles?

 Acredito que quando o homem alcança um nível intelectual elevado, ele para e olha para dentro de si e reflete sobre toda sua história a ponto de arrepender-se de parte dela. Parece que a introspecção vem como item obrigatório do opcional "intelecto elevado", seguido dos também obrigatórios "crise pessoal", "depressão" e "inconformidade" com a realidade. O que esses homens perceberam que os deu tamanho conhecimento do mais profundo do ser humano a ponto de acertar em todas suas constatações sendo que viviam há muito tempo atrás?

 A filosofia - do grego Φιλοσοφία, literalmente amor à sabedoria - procura estudar todos problemas relacionados ao homem. Todos esses eram filósofos, com exceção de Einstein, e tinham um intelecto superior a grande massa, isso tudo é concordante e concreto. Sendo assim, seria a filosofia usada por um bom e inteligente filósofo um "manual de instruções" do homem?

 Quanto mais vejo as constatações de todos esses, mais me impressiono com o acerto e a atemporalidade que elas tem, o que torna o ser humano "óbvio". Seria então o ser humano, que todos dizem "incapaz de prever" ser tão previsível?! E se for, o que nos faz hoje em dia, centenas de anos depois não conseguir prevê-lo? Será que o nosso hoje em dia tão avançado e tão ambicioso tem nos feito cada vez mais cegos as realidades humanas, aos sentidos, as coisas intelectualmente previsíveis?!
 Nosso hoje em dia está se tornando, numa progressão incontida, uma virtualidade cada vez maior, seria talvez esse o fator que nos põe incapazes de prever o ser humano atual? Cada vez mais temos processos educacionais e formadores de consciência que fazem o indivíduo repetir e repetir informações, onde o resultado final é mais importante do que o processo para chegar ao mesmo, seria talvez o virtual, onde tudo se pode, o escape ou o real resultado disso? Segundo Voltaire "O homem nasceu livre e por toda parte vive acorrentado", há algo mais claro do que isso hoje em dia? Quantas pessoas vivem dependentes, viciadas, alienadas de tudo por não aguentarem a realidade, e quantas cada vez mais entram nesse círculo de correntes, ficando mais e mais presas a diversas dependências cotidianas e comportamentais.
 E Einstein? Será que ele previu o "facebook", as "redes sociais"? Sua frase "Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade" parece endereçada aos dias de hoje, onde vemos quase toda população viciada e dependente das tais redes sociais, onde o contato real cada vez fica menor e o virtual ocupa um espaço quase que obrigatório na vida das pessoas, acabando com todo o tempo que o homem tinha para pensar, refletir e questionar, hoje o que o homem quer são "respostas prontas".

 Onde estariam nossos Rosseau's que desacreditam da razão e escreveram os "Fundamentos da desigualdade entre o homem"? Onde estão as pessoas que falam "Quanto mais do mundo vi, menos pude moldar-me à sua maneira"?

 A frase de Descartes hoje em dia é uma alusão a ignorância do homem, que acredita ter a razão, mas somente acredita, fazendo-o um mentiroso para si mesmo, o que torna o homem mais fraco, fato que não precisa de muita análise para ser comprovado, é fácilmente constatado pela tamanha futilidade que nos cerca e pelo imenso jogo de interesses que virou a vida atual, o homem virou um ser imensamente inseguro por dentro e com uma protuberante casca de guerreiro por fora, a qual tão frágil quanto um cristal.

 Aristóteles teve razão, o que ele falou aconteceu exatamente como dito, o trabalho pago não só absorveu o espírito do homem como degradou o mundo, fazendo-o um poço de individualismo onde a compaixão é um sentimento estranho e a bondade já não reina há tempos.

 Tenho medo dos dias de hoje, se há tanto tempo atrás podia-se prever o homem, e ele já não tinha uma previsão favorável, talvez hoje a falta de previsão indique que o pior esperado possa ter já superado esse limite, o que não dá boas chances ao "homem moderno". Não consigo ver uma resistência ao sistema ou uma mudança positiva na nossa realidade, parece que cultuamos o passado e muitas de suas maravilhas como se fossem intocáveis ou incapazes de ser vividas novamente, mesmo no campo emocional do ser humano. Vivemos em um caos do qual preferimos nos tornar parte dele à resistir e lutar contra, como se não valesse a pena lutar pelo que se acredita, e entregar-se a ridicularidade dos dias de hoje fosse interessante. A progressão com que as pessoas vem se contentando com o pouco e cultuando-o como muito cada vez é maior, como se ouvir Mozart fosse um sacrifício, mas ouvir Restart fosse um prazer. Nossos ídolos parecem realmente ter ficado no passado, e nós não possuímos novos ídolos atuais compatíveis, como se a virtualização nos minimizasse o intelecto a ponto de aceitar "o que tem para hoje".

 Quanto mais vivo mais tenho medo da nossa realidade, procuro debatê-la e enfrentá-la, mas cada vez mais sinto me rodeado somente de uns poucos malucos dispostos: Voltaire, Einstein, Descartes, Aristóteles e Rousseau... Um brinde! A realidade e a filosofia...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Valores de uma geração

 Hoje venho falar sobre uma coisa que muito me preocupa, o valor que nossos colegas "nos dão". Vocês vão entender o "nos dão" em seguida...

 Uma profissão que eu admiro e pretendo seguir é a de diretor, quero trabalhar com cinema, vanglorio toda a magia e dramática que um filme nos dá, simples, direta e sincera. Mas como todas outras profissões, a profissão em sí não é uma profissão barata, muito menos os equipamentos para trabalhar com ela, e é aí que chego no ponto de hoje, "valores".
 O que mais vejo hoje em dia são produtoras independentes,  fruto de uma geração que tem o cinema digital mais acessível se comparado ao antigo, onde câmeras que filmam clipes, publicidade, curtas, hoje custam a média de 8 mil reais e tem a qualidade necessária para tal. Gosto disso, acredito que quanto mais as pessoas "normais" obtiverem acesso aos instrumentos de criação, mais será criado e mais as pessoas vão pensar, aprender ou ignorar, mas terão acesso a novas idéias, mesmo que absurdas! 
 Mas é nessa relação do novo cinema com a nossa velha arte que mora meu desejo de mudança, minha inquietação por causa da relação das pessoas que se dizem profissionais e atores, atrizes. Não acho justo uma pessoa que diz ser "diretor" de cinema, dono de produtora ou produtor, convidar atores para participar de seus filmes sem a menor remuneração, com o tal do: "Pagamos transporte e alimentação, mas nada de cachê!"... Um equipamento básico de produção, para uma qualidade MÍNIMA, exige aí uma câmera de no mínimo 8 mil reais, se for como 90% de hoje em dia, são as câmeras fotográficas da nova geração canon/nikon, que gastam mais uns 3 mil reais com adaptações para filmagem, uma iluminação de no mínimo 5 mil reais, mais toda estrutura elétrica, equipe, totalizo uns 20 mil reais de investimento, MÍNIMOS! Então, se essa pessoa que investiu esses mínimos 20 mil reais, sem contar sua profissionalização, jogando baixo o menor curso de direção de cinema que conheço custa mil reais por mês durante dois anos - mais 24 mil - . Essa pessoa, que gastou aí seus 44 mil reais e espera fazer um filme, ser reconhecido, ganhar prêmios, dinheiro, essa pessoa se acha no direito de chamar atores para trabalhar sem um cachê mínimo? De graça?
 Me pergunto muitas vezes se as pessoas pensam que ser ator é como mágica - acontece do nada - pois parece muito insignificante o Ator para o resto do mundo, o ator não deve ter estudado, gastado seu dinheiro com sua profissionalização e aprofundamento em mais e mais oficinas, cursos, porque ninguém quer pagar o ator, é incrível isso!!! As "produtoras independentes" lembram de pagar todo mundo, faxineira, iluminador, contra-regra, cabelereiro, mas nunca o ator, o ator não precisa ser pago, imagine!
 Mas também não posso ausentar a culpa por parte dos nossos, tenho amigos e mais amigos que simplesmente aceitam essa condição, e como já citei uma vez no blog, vendidos que cada vez mais prostituem nossa arte, porque até onde eu sei eu dou um duro danado para pagar todos meus cursos e nada me veio de graça, assim como todos meus colegas. 
 Aí me vejo entre a cruz e a espada, pois sei que de minha parte não aceito esse tipo de trabalho mas por outro lado vejo mais e mais amigos incentivando os "produtores independentes" a continuarem com tamanho abuso. Não, não exijo cachês milionários, sei da dificuldade que todos passam, mas também não acredito no trabalhar de graça, como já disse, essas pessoas tiveram um gasto para estar onde estão, e 1% dos 44 mil já é suficiente, que ator não gostaria de fazer um curta por 400 reais que fosse de cachê? Muitas vezes isso salva o aluguél ou mercado que seja da pessoa. Muitas vezes, esse não chega a 10% do retorno que as produtoras tem, pois há também a tamanha falsidade do "não estamos ganhando nada com isso", mentira, hoje em dia os santos já foram canonizados e ninguém faz mais nada na boa vontade.
 Fica meu apelo aos amigos e colegas conscientes, acho que já passou da hora de nos unirmos e lutarmos contra essa condição, seria de muito valor dizer hoje um NÃO para amanhã dizer com muita alegria um SIM...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um Bonde Chamado Desejo - Filme

"Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, dirigido por Elia Kazan;
 Estrelado pelos maiores astros da época, Um bonde chamado desejo tem no elenco ninguém menos que Vivian Leigh e Marlon Brando protagonizando o filme. Esse filme, um dos clássicos premiados de Tennesse Williams, poderia também ser chamado de Blanche, devido a proporção que a protagonista toma no decorrer da história.
 Blanche (Vivian Leigh), uma decadente professora de Mississipi, aparece logo no início do filme indo a casa de sua irmã Stella (Kim Hunter), dando ênfase a linha que a leva ao bairro da irmã, a linha Desejo. 

 Da chegada de Blanche a casa da irmã até o final do filme, a história toda se passa no mesmo cenário, o apartamento de Stanley (Marlon Brando) e Stella, o que já me faz considerar o filme como magnífico, simplesmente admiro a capacidade e a complexidade de dramaturgos desenvolverem uma história com base em um único cenário, com no máximo duas tomadas fora, isso para mim é de uma excelência enorme quando dá certo, pois se trata do trabalho dos atores em sua essência, como se fosse no teatro, um palco, um cenário.
 O filme instiga o espectador conforme avança. Os três tipos que são apresentados: Stanley, o operário bruto que faz contrapartida a Blanche, a refinada falida e Stella, a mulher submissa, servem um de combustível dramático ao outro, cada ato de um reverbera nos demais e cria consequências que levam a silêncios ou brigas memoráveis. Stanley e sua avidez em desmascarar Blanche e seu passado fazem com que Blanche enrole-se em suas mentiras e tropece cada vez mais, revelando sua loucura e seu anseio desesperado e infantil em conseguir um marido. Blanche por outro lado, mesmo sabendo do perigo que corre ao lado de Stanley, parece dar corda para suas investigações, sugerindo um interesse quase que sexual nele, visto que ela o toca em diversas vezes.
 Blanche parece não ter uma personalidade, mas sim dissimular várias. Quando é tocada a fundo todas suas máscaras caem e vemos uma mulher sem persona, um ser vazio que justifica seus atos através de lembranças, nem sempre verdadeiras, um caso interessante de uma complexidade psicológica violenta.
 Stanley, ou pelo menos o Stanley de Marlon Brando, é único, de uma mesma faceta que parece insistir durante o filme todo, sua raiva impera durante todo o tempo e seus caminhos sempre acabam em gritos e discussões. Sua complexidade psicológica talvez seja a menor dos três, seu caminho de pensamento após os 3 primeiros segundos está ligado a seus braços e a quebrar coisas, é assim o filme inteiro.
 Quando o filme se encerra, na hora em que o responsável pela internação de Blanche chega e se apresenta a ela, ela parece desferir mais uma de suas  pérolas, uma definitiva que ataca a nós mesmos, assim como aos personagens que a "ampararam" no começo da história, "Nunca duvidei da benfeitoria de estranhos", e nisso ela segue de braço dado com um estranho total a ela, mas que parece representar um bem maior do que sua própria irmã e todos que a receberam lhe deram, que parece representar maior carinho e afeto que teve desde que largou Belle Reve, que parece ser o que nós mesmos chamamos de auto-ajuda, consciência, o que nos tira do ponto zero e nos leva para algum lugar, mesmo que não seja esse o melhor, mesmo no auge de sua demência, Blanche não perde a pose e sai como quem iria viajar pelas ilhas do Caribe, de cabeça erguida e na pose. 

 Blanche é tão forte no filme, que mesmo depois que ele acaba ela continua na nossa cabeça, parece nos intrigar sobre seu fim, qual foi? Como se sucedeu? A que nível chegou a demente que talvez nem fosse tão demente assim, mas sim carente. Blanche tem várias faces, quanto mais a conhecemos mais faces ela nos mostra, seus olhos parecem ser um baú de segredos, um poço sem fundo... Talvez seja até essa a mensagem dos 3 personagens chave do filme, a necessidade de compreensão que falta a indivíduos atingidos pela marginalidade, violência, solidão, homossexualismo e o inconformismo pela realidade, fato esse que beirou a vida do autor Tennessee Williams a vida toda, acredito inclusive que o Stanley que vemos aqui seja um auto-retrato de seu pai, assim como a Blanche seria o da sua irmã esquizofrênica Rose, a qual Tennesse era fortemente ligado e inspirou outros personagens que ele veio a criar.
 A maestria de milhares de mulheres a uma só: Blanche Dubois! O filme é dela, sem dúvidas!

2011

 E mais um ano se inicia! Seguido de um conturbado mas produtivo 2010, quero dar as boas vindas a 2011, que já começou tumultuado para mim, mas nada que assuste.
 Nesse ano quero viver mais conforme eu penso, já ví que seguir as fórmulas perfeitas ou as idéias feitas não dá muito certo comigo, parece que funciono ao contrário do sistema, então, hora de girar no anti-horário! Fico super feliz pelas conquistas de 2010, apesar de serem de pequeno ou médio porte, foram significativas. Acredito que esse ano será ainda melhor, consegui estabelecer um padrão para minhas próximas postagens, para que elas possam quem sabe se igualar as primeiras, quando criei o blog, e as quais me orgulho até hoje, pois já foram motivos de muitas participações especiais em TCC's, convite para Juri de festival de teatro e de grandes elogios, então por que não seguir naquele caminho não é?
 Esse ano miro mil projetos ao mesmo tempo, mas com todo carinho necessário, como se fossem únicos, e são, mas vão caminhar juntos, e todos num nível excelente.  Aprendi que fazer tudo sozinho é um pouco egoísta, quero tentar diferente esse ano! Quero trabalhar feliz, trabalhar com os amigos, dividir o sucesso e o fracasso com os colegas, construir junto para que no fim do ano possa olhar para trás e ver que comecei a escrever uma história da qual não me arrependo e que me é motivo de orgulho.
 Amigos colegas do teatro, vamos criar, atuar, viver! Amigos roteiristas, fica aqui meu convite, preciso de uma história fantástica para um filme fantástico! Preciso de toda colaboração vinda de boa vontade, porque não criar um grupo, uma família?! Tenho mil idéias e gostaria de dividí-las e concretizá-las, fica aqui o meu pedido.
 Que esse 2011 seja motivo de muito orgulho a todos! Sucesso, MERDA!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Love...

Isso é só uma música, não é de minha autoria, mas achei muito bonita a letra e quero compartilhar com vocês, pois se trata de um sentimento cada vez mais raro nos dias de hoje. 
 Estou pirando de tantas coisas para fazer, por isso não tive mais tempo de escrever aqui, devo ter uns 30 filmes novos que ainda não ví, uma porção de livros que quero ler e dividir com vocês, mas ainda não tive tempo.
 Bom, por enquanto apreciem essa bela música...

Amor (Love - Jaeson Ma ft Bruno Mars)

Agora, Hollywood quer quer que você pense que eles sabem o que é o amor.
Mas eu vou te dizer o que é o amor verdadeiro.
O amor não é o que você vê nos filmes.
Não é ecstasy, não é o que você vê naquela cena
Você sabe o que eu quero dizer? Eu estou dizendo a você agora, o verdadeiro amor é sacrifício.
O amor é pensar nos outros antes de pensar em si mesmo
O amor é altruísta, não egoísta. O amor é Deus e Deus é amor.
Amor é quando você da a sua vida para outro
Seja seu irmão, sua mãe, seu pai ou sua irmã
É ainda dar a sua vida por seus inimigos,
Isso é inimaginável, mas pense sobre isso:
O amor verdadeiro
Pense.
O amor é paciente, o amor é bondoso.
Não é inveja, não vangloriar-se
Ele não é orgulhoso. O amor não é rude, não é egoísta
Não se irrita facilmente, não guarda rancor
Você vê o amor não se alegra com o mal mas sim com a verdade.
Ele sempre protege, sempre confia, sempre espera, sempre persevera
O amor nunca falha. O amor é eterno
Ele é eterno, nunca para, vai além do tempo
O amor é a única coisa que irá restar quando você morrer
Mas faça a pergunta por quê? Você tem amor?
Não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos
Agora você está disposto a dar sua vida por seus amigos?
Você provavelmente está disposto a entregar a sua vida para sua mãe
Seu pai, ou seus melhores amigos
Mas você está disposto a dar a sua vida, mesmo para aqueles que te odeiam?
Eu vou dizer a você quem fez isso
A definição do amor é Jesus Cristo. Ele é amor
Os pregos em suas mãos, os espinhos em sua testa
Pendurado em uma cruz pelos seus meus pecados
Isso é o amor que ele morreu por nós, enquanto nós ainda o odiávamos
Isso é amor
Deus é amor verdadeiro, e se você não conhece esse amor
Agora é a hora de conhecer, O Amor Perfeito
Eu vou colocar você na minha frente
Então todo mundo poderá ver
Meu amor, este é o meu amor
Eu sei que vou ficar bem
Contanto que você seja meu guia
Meu amor, este é o meu amor

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retratação

 Venho através deste fazer uma retratação a postagem anterior sobre a peça "Uma Gota de Rancor".

 Acredito ter sido muito infeliz em certas frases, que acabaram por levar o tema para outro sentido, o qual comprometeu seriamente nomes citados e por questão disso sinto me obrigado a me retratar.
 Tenho um sério problema pessoal, que talvez seja acentuado pela minha situação aqui em São Paulo - não sou uma pessoa bem financeiramente, sempre ralei desde muleque, muito, com certeza mais do que qualquer outro colega que eu conheça, e por isso dou um valor exagerado a tudo que possuo - mas é o seguinte: Odeio pessoas ou coisas não levadas a sério, e por muitas vezes acabo tomando a minha verdade como absoluta, fato extremamente ignorante e de falta de senso.

  Queria me retratar com a Escola, em primeiro lugar, pois acabei escrevendo frases que para quem lia soavam diferente a minha intenção ao escrever.

 * O termo "financeira" quando escrevi, referia-se a minha classificação dos alunos, que na sua grande maioria são de um maior poder aquisitivo e de um desinteresse de mesma proporção, os tantos que não pretendem ser artistas, simplesmente celebridades, não se refere a uma escola que tem somente interesses financeiros nos alunos, a prova mais bem dada disso é a minha própria, que sempre tive o maior auxílio possível da escola, era bolsista, nunca me foi negado nada, sempre tive total dedicação de atenção por parte dos mestres e do próprio diretor Hudson, o qual me sinto muito mal por ter passado uma imagem contrária a que construí esse tempo todo.

 * O termo "direção", referia-se a direção da peça, não a escola, adiante entrarei nesse assunto.

 Um dos meus "problemas" é amar demais aquele lugar, tenho uma paixão violenta pela escola que frequento, porque sei que é a melhor, admiro o Wolf como um ícone a ser alcançado, baseio toda minha carreira na imagem dele, tenho uma utopia talvez de amar muito o que faço, o que já foi até referido em aula como "um pouco demais e até perigoso para mim mesmo", muito me incomoda o descaso das pessoas com os cursos, com o que dizem ser sua futura profissão, salvo algumas pessoas, claro, e infelizmente tento sempre propor meios de solucionar os problemas dos outros, quase sempre por discussões ou textos, coisa que nem é do meu particular, mas que acabo tentando resolver por "um bem maior".

 Em uma dessas "tentativas" propus uma discussão sobre vereda e fiz a burrice de ouvir uma colega que se  passou por assistente de direção - ou foi outro erro absurdo da minha compreensão - mas que de fato NÃO É a verdadeira assistente, que me aconselhou a não procurar o diretor Ferrara para esclarecer minhas dúvidas, sendo assim as tomei como sem resposta e passei adiante, burrice minha, volto a dizer.
 Como não pude conversar com o diretor, usei perguntas contra um argumento de outro diretor que eu já trabalhei, e acabei novamente errando incitando uma comparação de dois trabalhos igualmente magníficos e que não necessitam comparações.

 Devo minhas sinceras desculpas ao diretor Sergio Ferrara, talvez por me expressar mal acabei como um juiz sobre o seu trabalho, e não tenho a menor capacidade ou competência para tal, me sinto mal realmente, pois sei que do mesmo modo que julgo posso ser julgado, gostaria e ainda vou falar com ele e pedir desculpas pessoalmente, pois reconheço que dentro dos meus questionamentos passei uma prepotência que não cabe a minha pessoa e devo me desculpar pela mesma.

 Enfim, quero pedir desculpas a qualquer um que se sentiu ofendido pelo que foi postado, sinto como uma responsabilidade tentar conscientizar a nossa geração que já não é boa, debater ideais de arte, criei esse blog como meio de discussões para crescermos juntos, não para alfinetar, e eu arrisco muito, procuro sempre aprofundar o que posso, pois temos que fazer a diferença, é o nosso papel como artistas, só que como não sou Deus, acabo errando, e feio! Só posso pedir desculpas a quem tenha se sentido ofendido, dentro do meu pequeno casulo acabo sempre tentando crescer mais e por vezes erro feio...

domingo, 17 de outubro de 2010

Tendências....

  Após 5 peças seguidas, de diferentes grupos, eis que me deparo com um mesmo detalhe em todas, a presença da nudez. Eis o assunto de hoje.
  Desde a semana retrasada venho assistindo várias peças por final de semana e essa idéia de discutir sobre o tal fato vinha me pressionando mais e mais, até que ponto a nudez explícita é necessária no teatro? Antes não me incomodava com o fato, mas de repente me vejo cercado de diversas peças com diversos temas  e TODOS contendo nudez, comédia, drama, tragédia, todos nús! 
 Minha concepção sobre teatro é de que a sugestão é sempre melhor que o explícito, o que não se mostra é muito mais interessante e brinca mais com a platéia do que o que lhes é entregue mastigado. De repente, como se fosse um mero fato apelativo - isto é, se realmente não é a intenção -, eis que meio elenco fica nu, eis que a fulana e ciclana ficam nuas, eis que beltrano fica nú.
 Tal teatro não me interessa, já temos a facilidade da nudez a qualquer hora através de milhares de opções, não acredito que em meio a uma vida tão caótica uma platéia com seus diversos problemas consiga prestar a atenção devida a uma cena com uma pessoa nua a sua frente, hoje em dia temos desejos, temos tentações, é normal termos nossa atenção voltada a outras coisas que não sejam ligadas com a cena, seria hipocrisia ignorar o fato e mentir a si mesmo de que nada de diferente está acontecendo.
 Me vejo nú em meio a tantas obras com tal "conteúdo", penso se a criação da cena com a tal brincadeirinha da "sugestão", de "deixar a platéia pensar", não seria mais interessante.... Se de repente nosso teatro não está vagarosamente sendo influenciado por tendências, por fatores apelativos que busquem a atenção do público mas sem uma real necessidade dramática, algo como inovar no desespero, sem um sentido dramático para aquilo, se o comercial independente do conteúdo e significado final tem conseguido mais e mais espaço, enfim, "SERÁ QUE É NECESSÁRIO?"  Acredito que o teatro tenha outra finalidade, que não seja interessante a nós possuírmos fatores determinantes de temporadas.
 Penso cada vez mais e peço para que essa "tendência" passe...

domingo, 19 de setembro de 2010

Back to Black.


 Oi, voltei!
 Sei que estou há três semanas sem escrever, sem postar nada, mas dessa vez a desculpa não foi nem trabalho nem falta de conteúdo, pelo contrário, ambos estão a todo vapor.
 O motivo pelo qual deixei de escrever foi que cheguei a um ponto que isso virou obrigação para mim, e tudo que vira obrigação perde o sentido mágico que existe e passa a ser mais uma tarefa ordinária da qual não se extrai alegrai alguma, tudo que eu não pensei quando comecei isso aqui. Aí decidi ficar ausente e durante esse tempo todo estive lendo, assistindo, mas não sentia a vontade de escrever ou comentar algo que achasse interessante com vocês. 
 Esclarecido o motivo digo-lhes que não estou acabando o blog, pretendo postar muito ainda, mas que estou em um período mais introspectivo portanto durante esse período minha participação aqui será muito menor, mas jamais abandonarei por completo, e, creio eu, logo logo estarei de volta a todo vapor, aqui!
 Cada dia que passa me sinto mais próximo de uma plenitude profissional, não financeira, esse é o terror do ator-estudante hahaha, mas uma plenitude que se resume em saber o que estou fazendo e fazer bem feito, é sentir mais do que tentar e realizar na medida exata, nem mais, nem menos. Estou longe de uma qualidade magnífica, mas consigo reconhecer e realizar melhor do que antes, e essa percepção me abre a visão para um horizonte cheio de possibilidades concretas, onde antes só havia sonhos agora existem caminhos, longos, curtos, mas existem e estão somente esperando o meu passo em direção a eles.
 O que antes era superficial agora começa a ter outra forma, acredito que isso seja bom, ignorar as coisas por menores que sejam talvez não seja saudável, aceitar o seu tamanho pequeno, ver que "Carvalho é carvalho e Bambu é bambu, que um não invade o espaço do outro e nem ao menos tenta ser o outro" é esclarecedor e acrescenta muito na busca de se tornar um profissional melhor, um ser humano melhor.
 Talvez eu comece com postagens com assuntos diferentes dos que seguia aqui, porém de tamanha importância como os que sempre foram postados, por hora acredito que é isso, uma ótima semana amigos!